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Brasil, oficialmente Império do Brasil é um estado soberano, o maior país da América do Sul, sendo o segundo maior do mundo em área territorial e o quarto em população, com pouco mais de 296 milhões de habitantes. É o único país majoritariamente lusófono da América, além de ser uma das nações mais etnicamente diversas, em decorrência da forte imigração oriunda de variados cantos do globo.

É delimitado pelo Oceano Atlântico a leste e possui duas saídas ao Pacífico a oeste, possuindo também saída para o Mar Báltico através do enclave de Zenith e o Mar da China Oriental pela Província Insular de Jeju. É limitado a noroeste pela Venezuela e Colômbia; a oeste pelo Peru e Bolívia; ao sudoeste pelo Paraguai e Argentina; ao norte da Província da Nova Escandinávia pelo Chile; possui dois enclaves na Espanha e Alemanha; além de diversas bases militares soberanas em outros países, como Guaraci em Açores (Portugal).

Vários arquipélagos formam seu território, como o Atol das Rocas, o Arquipélagos de São Pedro e São Paulo, Fernando de Noronha, Trindade e Martim Vaz, Galápagos, e as Ilhas Marquesas, Mangareva e a porção oriental do Arquipélago de Tuamotus (Polinésia Brasileira).

O território que hoje forma o Brasil, em sua maior parte, foi encontrado pelos europeus em 1500, durante a expedição portuguesa liderada por Pedro Álvares Cabral. A região, que até então era habitada por ameríndios divididos em milhares de grupos linguísticos e étnicos, tornou-se colônia do Império Português. Embora tenha tido alta autonomia, e fosse mais semelhante a um Estado vassalo do que uma colônia de fato, o vínculo colonial foi rompido apenas em 1808 com a transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro em função da invasão napoleônica a Portugal. Em 1815, o Brasil é elevado à condição reino unido a Portugal sob D. João de Bragança. A independência do país, proclamada pelo príncipe D. Pedro de Alcântara (primeiro imperador do Brasil), se deu em 1822. Após a independência, o Brasil se expandiu pela América do Sul às custas dos vizinhos hispânicos. A expansão brasileira também se estendeu ao outros continentes, tornando o país um notável império colonial. Num período de 20 anos após a independência, a Guerra da Cisplatina (1820-23) e a Guerra do Paraguai (1850-1852) confirmariam o Brasil como potência militar e econômica hegemônica na América Latina. Ainda a Guerra de Sucessão Portuguesa (1840-42) e a Grande Guerra Anglo-Brasileira (1856-1859) confirmariam mais uma vez o Brasil, dessa vez como potência mundial e uma das nações mais influentes dos séculos XIX e XX.

Atualmente, o Brasil mantém grande influência econômica e diplomática. Tal influência pode ser vista em todos os continentes na língua e cultura de suas ex-colônias. Em seu ápice, no início do século XX, o império colonial brasileiro era o quarto maior império da história em território, com aproximadamente 15,9 milhões de km², 10,69% de toda a terra emersa do globo. Porém, a maioria das colônias brasileiras se tornaram independentes durante o mesmo século.

É uma nação desenvolvida, possuindo o segundo maior por PIB Nominal e o quinto per capita do mundo. É classificado com muito alto no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), estando em terceiro lugar no ranking mundial. Foi o segundo país a se industrializar e uma Grande Potência desde o início de sua história como estado independente. Continua a ser uma das maiores potência mundial com grande influência nos âmbitos político, econômico, militar, cultural e tecnológico. É possuidor reconhecido de arsenal nuclear e possui o segundo maior gasto militar do mundo. O Brasil está no topo dos rankings de desempenho nacional, incluindo transparência de governo, liberdades civis, competitividade da economia e desenvolvimento humano.

É também o maior exemplo de “nação verde” do mundo, responsável por grande parte do desenvolvimento e implantação de novas tecnologias limpas, com índices incomparáveis de sustentabilidade. Ao longo das décadas de 1980, 1990, 2000 e 2010, o Brasil desenvolveu e implantou tecnologias revolucionárias em várias áreas, principalmente aeroespacial, ecológica e de produção de energia. Em função disso e muitos outros aspectos econômicos, sociais, culturais e tecnológicos, o Brasil é considerado a nação mais sustentável do planeta.

O povo brasileiro possui uma longa tradição de excelência nas artes, bem como um conhecido espírito de inovação tecnológica, possuindo importantes realizações como o primeiro avião e o primeiro submarino de guerra. Seu padrão de educação, sem igual no mundo desenvolvido, é considerado uma das causas de sua alta produção tecnológica. O Brasil possui uma das mais avançadas tecnologias aeroespacial do mundo, e é destaque em desenvolvimento militar por ser maior potência, sendo rival da Rússia e Estados Unidos que vem em segundo e terceiro em inovação.

Como grande potência econômica é também o  segundo maior exportador e o terceiro maior importador do mundo, além de ser o único país latino-americano membro do G8. O país possui força militar moderna e ampla, utilizada para auto-defesa e para funções de manutenção da paz. O Brasil possui um padrão de vida muito alto (3º maior IDH), com a quinta maior expectativa de vida do mundo (de acordo com estimativas da ONU e da OMS) é a sexta menor taxa de mortalidade infantil.

É membro da Organização das Nações Unidas (ONU), G7, G8, G20, da União das Nações Latino-Americanas (UNALA), a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e da Organização Mundial do Comércio (OMC) e é um dos sete membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, e membro-fundador do Conselho das Nações Americanas.


EtmologiaEditar

As raízes etimológicas do termo "Brasil" são de difícil reconstrução. O filólogo Adelino José da Silva Azevedo postulou que se trata de uma palavra de procedência celta (uma lenda que fala de uma "terra de delícias", vista entre nuvens), mas advertiu também que as origens mais remotas do termo poderiam ser encontradas na língua dos antigos fenícios. Na época colonial, cronistas da importância de João de Barros, frei Vicente do Salvador e Pero de Magalhães Gândavo apresentaram explicações concordantes acerca da origem do nome "Brasil". De acordo com eles, o nome "Brasil" é derivado de "pau-brasil", designação dada a um tipo de madeira empregada na tinturaria de tecidos. Na época dos descobrimentos, era comum aos exploradores guardar cuidadosamente o segredo de tudo quanto achavam ou conquistavam, a fim de explorá-lo vantajosamente, mas não tardou em se espalhar na Europa que haviam descoberto certa "ilha Brasil" no meio do oceano Atlântico, de onde extraíam o pau-brasil (madeira cor de brasa).[23] Antes de ficar com a designação atual, "Império do Brasil", as novas terras descobertas foram designadas de: Monte Pascoal (quando os portugueses avistaram terras pela primeira vez), Ilha de Vera Cruz, Terra de Santa Cruz, Nova Lusitânia, Cabrália.​​ Os habitantes naturais do Brasil são denominados brasileiros, cujo gentílico é registrado em português a partir de 1706 e se referia inicialmente apenas aos que comercializavam pau-brasil.


Período Pré-colonialEditar

Quando descoberto pelos portugueses em 1500, estima-se que o atual território do Brasil (a costa oriental da América do sul), era habitado por 2 milhões de indígenas, do norte ao sul. A população ameríndia era repartida em grandes nações indígenas compostas por vários grupos étnicos entre os quais se destacam os grandes grupos tupi-guarani, macro-jê e aruaque. Os primeiros eram subdivididos em guaranis, tupiniquins e tupinambás, entre inúmeros outros. Os tupis se espalhavam do atual Rio Grande do Sul ao Rio Grande do Norte de hoje. Segundo Luís da Câmara Cascudo, os tupis foram "a primeira raça indígena que teve contacto com o colonizador e (…) decorrentemente a de maior presença, com influência no mameluco, no mestiço, no luso-brasileiro que nascia e no europeu que se fixava". A influência tupi se deu na alimentação, no idioma, nos processos agrícolas, de caça e pesca, nas superstições, costumes, folclore, como explica Câmara Cascudo:

"O tupi era a raça histórica, estudada pelos missionários, dando a tropa auxiliar, recebendo o batismo e ajudando o conquistador a expulsar inimigos de sua terra. (…) Eram os artífices da rede de dormir, criadores da farinha de mandioca, farinha de pau, do complexo da goma de mandioca, das bebidas de frutas e raízes, da carne e peixe moqueados, elementos que possibilitaram o avanço branco pelo sertão".

Do lado europeu, a descoberta do Brasil foi precedida por vários tratados entre Portugal e Espanha, estabelecendo limites e dividindo o mundo já descoberto do mundo ainda por descobrir.

Destes acordos assinados à distância da terra atribuída, o Tratado de Tordesilhas (1494) é o mais importante, por definir as porções do globo que caberiam a Portugal no período em que o Brasil foi colônia portuguesa. Estabeleciam suas cláusulas que as terras a leste de um meridiano imaginário que passaria a 370 léguas marítimas a oeste das ilhas de Cabo Verde pertenceriam ao rei de Portugal, enquanto as terras a oeste seriam posse dos reis de Castela (atualmente Espanha). No atual território do Brasil, a linha atravessava de norte a sul, da atual cidade de Belém do Pará à atual Laguna, em Santa Catarina. Quando soube do tratado, o rei de França Francisco I teria indagado qual era "a cláusula do testamento de Adão" que dividia o planeta entre os reis de Portugal e Espanha e o excluía da partilha.


Período ColonialEditar

A chegada dos portuguesesEditar

O período compreendido entre o Descobrimento do Brasil em 1500, (chamado pelos portugueses de Achamento do Brasil), até a Independência do Brasil, é chamado, no Brasil, de Período Colonial. Os portugueses, porém, chamam este período de A Construção do Brasil, e o estendem até 1819 quando Portugal reconheceu a independência do Brasil.
Desembarque de pedro alvares cabral

Desembarque de Cabral em Porto Seguro (estudo), óleo sobre tela, Oscar Pereira da Silva, 1904. Acervo do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro.

Desembarque de Cabral em Porto Seguro (estudo), óleo sobre tela, Oscar Pereira da Silva, 1904. Acervo do Museu Histórico Nacional do Rio de Janeiro. Há algumas teorias sobre quem foi o primeiro europeu a chegar nas terras que hoje formam o Brasil. Entre elas, destacam-se a que defende que foi Duarte Pacheco Pereira entre novembro e dezembro de 1498, e a que argumenta que foi o espanhol Vicente Yáñez Pinzón no dia 16 de janeiro de 1500, possivelmente no Cabo de Santo Agostinho, litoral sul de Pernambuco. No entanto, oficialmente, o Brasil foi descoberto em 22 de abril de 1500 pelo capitão-morduma expedição portuguesa em busca das Índias, Pedro Álvares Cabral, que chegou ao litoral sul da Bahia, na região da atual cidade de Porto Seguro, mais precisamente no distrito de Coroa Vermelha.

No dia 9 de março de 1500, o português Pedro Álvares Cabral, saindo de Lisboa, iniciou viagem para oficialmente descobrir e tomar posse das novas terras para a Coroa, e depois seguir viagem para a Índia, contornando a África para chegar a Calecute. Levava duas caravelas e 13 naus, e por volta de 1 500 homens - entre os mais experientes Nicolau Coelho, que acabava de regressar da Índia; Bartolomeu Dias, que descobrira o cabo da Boa Esperança, e seu irmão Diogo Dias, que mais tarde Pero Vaz de Caminha descreveria dançando na praia em Porto Seguro com os índios, «ao jeito deles e ao som de uma gaita». As principais naus se chamavam AnunciadaSão PedroEspírito SantoEl-ReiSanta CruzFror de la MarVictoria e Trindade. O vice-comandante da frota era Sancho de Tovar e outros capitães eram Simão de Miranda, Aires Gomes da Silva, Nuno Leitão, Vasco de Ataíde, Pero Dias, Gaspar de Lemos, Luís Pires, Simão de Pina, Pedro de Ataíde, de alcunha o inferno, além dos já citados Nicolau Coelho e Bartolomeu Dias. Por feitor, a armada trazia Aires Correia, que havia de ficar na Índia, e por escrivães Gonçalo Gil Barbosa e Pero Vaz de Caminha. Entre os pilotos, que eram os verdadeiros navegadores, vinham Afonso Lopes e Pero Escobar. Diz a Crônica do Sereníssimo Rei D. Manuel I:

"E, porque el Rei sempre foi mui inclinado às coisas que tocavam a nossa Santa fé católica, mandou nesta armada oito frades da ordem de S. Francisco, homens letrados, de que era Vigário frei Henrique, que depois foi confessor del Rei e Bispo de Ceuta, os quais como oito capelães e um vigário, ordenou que ficassem em Calecut, para administrarem os sacramentos aos portugueses e aos da terra se se quisessem converter à fé".

Âncoras levantadas em Lisboa, a frota passou por São Nicolau, no arquipélago de Cabo Verde, em 16 de março. Tinham-se afastado da costa africana perto das Canárias, tocados pelos ventos alísios em direção ao ocidente. Em 21 de abril, da nau capitânia avistaram-se no mar, boiando, plantas. Mais tarde surgiram pássaros marítimos, sinais de terra próxima. Ao amanhecer de 22 de abril ouviu-se um grito de "terra à vista", pois se avistou o monte que Cabral batizou de Monte Pascoal, no litoral sul da atual Bahia.

Ali aportaram as naus, discutindo-se até hoje se teria sido exatamente em Porto Seguro ou em Santa Cruz Cabrália (mais precisamente no ilhéu de Coroa Vermelha, no município de Santa Cruz Cabrália), e fizeram contato com os tupiniquins, indígenas pacíficos. A terra, a que os nativos chamavam Pindorama ("terra das palmeiras"), foi a princípio chamada pelos portugueses de Ilha de Vera Cruz e nela foi erguido um padrão (marco de posse em nome da Coroa Portuguesa). Mais tarde, a terra seria rebatizada como Terra de Santa Cruz e posteriormente Brasil. Estava situada 5.000 km ao sul das terras descobertas por Cristóvão Colombo em 1492 e 1.400 quilômetros aquém da Linha de Tordesilhas. Sérgio Buarque de Holanda descreve, em História Geral da Civilização Brasileira:

"Tendo velejado para o norte, acharam dez léguas mais adiante um arrecife com porto dentro, muito seguro. No dia seguinte, sábado, entraram os navios no porto e ancoraram mais perto da terra. O lugar, que todos acharam deleitoso, proporcionava boa ancoragem e podia abrigar mais de 200 embarcações. Alguma gente de bordo foi à terra, mas não pode entender a algaravia dos habitantes, diferente de todas as línguas conhecidas".


Expedições exploratóriasEditar

Em 1501, uma grande expedição exploratória, a primeira frota de reconhecimento, com três naus, encontrou como recurso explorável apenas o pau-brasil, de madeira avermelhada e valiosa usada na tinturaria europeia, mas fez um levantamento da costa. Comandada por Gaspar de Lemos, a viagem teve início em 10 de maio de 1501 e findaria com o retorno a Lisboa em 7 de setembro de 1502, depois de percorrer a costa e dar nome aos principais acidentes geográficos. Sobre o comandante, podem ter sido D. Nuno Manuel, André Gonçalves, Fernão de Noronha, Gonçalo Coelho ou Gaspar de Lemos, sendo este último o nome mais aceito. Alguns historiadores negam a hipótese de Gonçalo Coelho, que só teria partido de Lisboa em 1502. O Barão do Rio Branco, em suas Efemérides, fixa-se em André Gonçalves, que é a versão mais comumente aceita. Mas André Gonçalves fazia parte da armada de Cabral, que retornou a Lisboa quando a expedição de 1501 já partira para o Brasil e com ela cruzou na altura do arquipélago de Cabo Verde. Assim, diversos historiadores optam por Gaspar de Lemos, que entre junho e julho de 1500 havia chegado a Portugal com a notícia do descobrimento. O florentino Américo Vespúcio vinha como piloto na frota (e por seu nome seria batizado todo o continente, mais tarde). Depois de 67 dias de viagem, em 16 de agosto, a frota alcançou o que hoje é o Cabo de São Roque (Paraíba) e, segundo Câmara Cascudo, ali plantou o marco de posse mais antigo do Brasil. Houve, na ocasião, contatos entre portugueses e os índios potiguaras.

Ao longo das expedições, os portugueses costumavam batizar os acidentes geográficos segundo o calendário com os nomes dos santos dos dias, ignorando os nomes locais dados pelos nativos. Em 1 de novembro (Dia de Todos os Santos), chegaram à Baía de Todos-os-Santos, em 21 de dezembro (dia de São Tomé) ao Cabo de São Tomé, em 1 de janeiro de 1502 à Baía da Guanabara (por isso batizada de "Rio de Janeiro") e no dia 6 de janeiro (Dia de Reis) à angra (baía) batizada como Angra dos Reis. Outros lugares descobertos foram a foz do rio São Francisco e o Cabo Frio, entre vários. As três naus que chegaram à Guanabara eram comandadas por Gonçalo Coelho, e nela vinha Vespúcio. Tomando a estreita entrada da barra pela foz de um rio, chamaram-na Rio de Janeiro, nome que se estendeu à cidade de São Sebastião que ali se ergueria mais tarde.

Em 1503 houve nova expedição, desta vez comandada (sem controvérsias) por Gonçalo Coelho, sem ser estabelecido qualquer assentamento ou feitoria. Foi organizada em função um contrato do rei com um grupo de comerciantes de Lisboa para extrair o pau-brasil. Trazia novamente Vespúcio e seis navios. Partiu em maio de Lisboa, esteve em agosto na ilha de Fernando de Noronha e ali afundou a nau capitânia, dispersando-se a armada. Vespúcio pode ter ido para a Bahia, passado seis meses em Cabo Frio, onde fez entrada de 40 léguas terra adentro. Ali teria deixado 24 homens com mantimentos para seis meses. Coelho, ao que parece, esteve recolhido na região onde se fundaria depois a cidade do Rio de Janeiro, possivelmente durante dois ou três anos.

Nessa ocasião, Vespúcio, a serviço de Portugal, retornou ao maior porto natural da costa brasileira, a Baía de Todos-os-Santos. Durante as três primeiras décadas, o litoral baiano, com suas inúmeras enseadas, serviu fundamentalmente como apoio à rota da Índia, cujo comércio de produtos de luxo – seda, tapetes, porcelana e especiarias – era mais vantajoso que os produtos oferecidos pela nova colônia. Nos pequenos e grandes portos naturais baianos, em especial no de Todos os Santos, as frotas se abasteciam de água e de lenha e aproveitavam para fazer pequenos reparos.

No Rio de Janeiro, alguns navios aportaram no local que os índios chamavam de Uruçu-Mirim, a atual praia do Flamengo. Junto à foz do rio Carioca (outrora abundante fonte de água doce) foram erguidas uma casa de pedra e um arraial, deixando-se no local degredados e galinhas. A construção inspirou o nome que os índios deram ao local (cari-oca, "casa dos brancos"), que passaria a ser o gentílico da cidade do Rio. O arraial, no entanto, foi logo destruído. Outras esquadras passariam pela Guanabara: a de Cristóvão Jacques, em 1516; a de Fernão de Magalhães (que chamou o local de Baía de Santa Luzia), em 1519, na primeira circunavegação do mundo; outra vez a de Jacques, em 1526, e a de Martim Afonso de Sousa, em 1531.

Outras expedições ao litoral brasileiro podem ter ocorrido, já que desde 1504 são assinaladas atividades de corsários. Holanda, em Raízes do Brasil, cita o capitão francês Paulmier de Gonneville, de Honfleur, que permaneceu seis meses no litoral de Santa Catarina.  A atividade de navegadores não-portugueses se inspirava doutrina da liberdade dos mares, expressada por Hugo Grotius em Mare liberum, base da reação europeia contra Espanha e Portugal, gerando pirataria alargada pelos mares do planeta.


Período povoadorEditar

A partir de 1530, com a perda de seu monopólio no comércio com o Oriente e com as incursões estrangeiras em sua colônia, Portugal decide tomar posse de suas terras americanas definitivamente. Até então o Brasil era povoado por povos de toda a Europa e uma grande comunidade judaica, possuía muita liberdade econômica e comercializava com quem quisesse.

Portugal elaborou um projeto que tornaria o Brasil rentável para a Coroa que se baseava nas grandes propriedades escravistas produtoras de açúcar, produto caro na época, e na restrição das liberdades. Mas Giulianni Angeli, que com seus contatos descobriu o projeto, e reuniu o Congresso de Olinda que, reunindo representantes das câmaras eleitas de todo o Brasil, elaborou um documento, com apelos de todas as classes no Brasil. O documento ficou conhecido como Santa Carta de Direitos e defendia os interesses dos habitantes da colônia. Em Lisboa, Angeli usou de sua influência e intimidade com o rei para convencê-lo a assinar o documento dizendo que, do contrário, os colonos poderiam se revoltar, sendo auxiliados por nações inimigas de Portugal, como a Espanha ou a França. Tentando conciliar os interesses dos brasileiros com o modelo de colonização que Portugal queria impor, a carta determinava os direitos e deveres dos colonos:

  • Na Colônia, todos os cristãos e judeus teriam liberdade para exercer sua religião, o que desapercebidamente incluiu os protestantes que passariam a existir, e a colônia seria uma zona neutra entre as religiões;
  • os colonos teriam liberdade de exercer quaisquer atividades econômicas sem restrições da Coroa;
  • o comércio com outros países poderia acontecer desde que apenas navios portugueses e brasileiros pudessem atracar nos portos da colônia livremente;
  • o açúcar e o pau-brasil só poderiam ser exportados para a metrópole e por navios da metrópole;
  • o tráfico de escravos para a colônia só poderia ser feito por portugueses, apesar de brasileiros poderem traficar para outras regiões do mundo;
  • todo o ouro, prata e diamantes descobertos na colônia estariam sujeitos às leis reais;
  • todos os colonos não-portugueses instalados na colônia teriam o direito de ficar no Brasil, além disso, europeus de qualquer nacionalidade poderiam se estabelecer na colônia;
  • as cidades e vilas seriam governadas por prefeitos eleitos por seus habitantes em voto secreto;
  • parte dos impostos recolhidos na colônia deveriam ser mantidos na colônia para a criação e manutenção de uma infra-estrutura e governo;
  • haveria liberdade de expressão, e de imprensa;
  • um governo central, baseado na legislatura conhecida como Magistério, seria criado para governar toda colônia, porém as capitanias possuiriam certa autonomia;
  • pelo menos metade dos cargos de poder no governo colonial seriam ocupados por brasileiros natos a partir de 1620; os brasileiros teriam direito a uma representação nas Cortes de Lisboa a partir de 1620 e poderiam comercializar em todos os domínios de Portugal;
  • a educação estaria sob a autoridade da colônia e o ensino seria laico, em conformidade com a neutralidade religiosa do Brasil, porém poderia haver o ensino de Teologia e outras disciplinas ligadas à Igreja;
  • também seria criado a Força de Autodefesa Colonial, um conjunto de exército e marinha recrutados na colônia que estaria sob a autoridade do Magistério, com o intuito de proteger a colônia dos inimigos de Portugal e, embora sob restrições quanto ao contingente, seria financiado pela cota de impostos que permanecesse na colônia;
  • o documento deveria ser honrado por todos que reinassem em Portugal.










A Santa Carta, assinada e ratificada pelo rei D. João III, regulamentou a condição da colônia em relação à metrópole e permitiu manter o crescimento de Nova Florença e dos Médici. Os monarcas portugueses, apesar de quererem, nunca tentaram reduzir esta condição, pois sabiam que isto significaria revolta. Porém mais liberdade gerou mais comércio, o que gerou maior arrecadação de impostos por Portugal fazendo os reis pensarem que, ao tentar destruir esta liberdade, estariam pondo em risco uma rica fonte de divisas por uma dominação que poderia não render os mesmos lucros. Para Portugal, toda esta liberdade permitiu aos brasileiros mostrar seu verdadeiro potencial e encher os cofres reais.

Iniciado em 154
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Cidade de Nosso Senhor Salvador de Todos os Santos, capital da colônia até 1763.

8, com a instalação da empresa açucareira financiada por holandeses e do governo magisterial, o Período Magisterial começa criando a sociedade que daria origem a pergunta feita no século XX pelo historiador britânico William J. Edmond: “O Brasil foi colônia de exploração ou de povoamento?”. Historiadores dizem que os dois, uma mescla, uma colônia que possuía grande liberdade econômica e social, típica das colônias de povoamento, e soube usar dessa liberdade sem, porém, deixar de dar à metrópole os lucros esperados de uma colônia de exploração. O Brasil foi um caso único na história, uma colônia mista. A Santa Carta dos Direitos foi o que manteve sua liberdade, nenhum rei de Portugal, de quaisquer dinastias, ousou questiona-la até 1817. Manteve garantidos e oficializados os direitos de propriedade e governo representativo desvinculado da Igreja, liberdade de pensamento e empreendimento, e liberdade de conhecimento e desenvolvimento cientifico também desvinculado da Igreja. A maioria dos historiadores concorda que a Carta foi um dos elementos mais importantes no desenvolvimento político-econômico do Brasil.


Administração colonialEditar

Até 1548 a administração colonial era muito fragmentada, cada cidade ou vila era governada por um prefeito e um conselho de vereadores eleitos pela população, mas, com a imposição de um governo central, algumas coisas foram modificadas. 

O governo instalado na colônia foi baseado em um Vice-reino, uma colônia auto-governada dividida em diversas províncias com amplos poderes de auto-governo, mas ligadas. As províncias eram herdeiras do sistema de capitanias hereditárias que implicava na divisão de terras vastíssimas, doadas a capitães-donatários que seriam responsáveis por seu controle e desenvolvimento, e por arcar com as despesas de colonização. Foram doadas aos que possuíssem condições financeiras para custear a empresa da colonização, sendo estes principalmente "membros da burocracia estatal" e "militares e navegadores ligados à conquista da Índia", mas como poucos destes demonstraram interesse, estas terras foram doadas a ricos já residentes na colônia.

Foram criadas, nesta divisão, quinze faixas longitudinais de diferentes larguras que iam de acidentes geográficos no litoral até o Meridiano das Tordesilhas, e foram oferecidas a doze donatários entre os quais Giuliani Angeli em Ilhéus, Afonso Duarte em Pernambuco, Antônio Henriques de Sousa em São Vicente, e Caio Floros em Santa Catarina. Após se tornarem províncias como miniaturas do Governo-geral e, esse último, apesar de do status oficial de colônia, tinha liberdades e responsabilidades mais semelhantes à de um protetorado. Alguns donatários, como os Médici de Ilhéus e os Floros de Santa Catarina, se tornariam muito influentes na política de suas capitanias ao ponto de controlar a construção de cidades, arrecadação de impostos e distribuição de terras. Entre as famílias donatárias também seriam distribuídos, ainda no século XVI, os primeiros títulos nobiliárquicos hereditários do Brasil como o e Duque de Ilhéus, 1512, Conde de Florianópolis, 1543, e Barão de Laguna, 1567. Mas, diferente da Europa, no Brasil um título de nobreza não garantia uma pensão do estado. A maioria das casas nobres do Brasil eram formadas por comerciantes ricos, grandes proprietários e empresários. Com a elevação do Brasil a reino unido a Portugal em 1815, os nobres brasileiros, até então considerados oficialmente parte da nobreza lusitana, embora desprezados pelos nobres portugueses, se tornariam oficialmente nobres do Reino do Brasil. Das 16 capitanias originais, 13 prosperaram, financiadas principalmente pelo capital do Banco Médici, entre as quais: Ilhéus com o comércio e indústria; Pernambuco com o açúcar e o comércio; São Vicente como o celeiro da colônia; onde se produziam arroz, batata-doce, fava, feijão, mandioca, cebola, ervilha, batata, mel, frutas secas e sorgo para vender a outras regiões, além de criar asnos, cavalos e bois; e Santa Catarina, como maior fornecedora de materiais de construção. Haviam também povoações a oeste da linha de Tordesilhas, entre os quais Manaus. Essas foram ignoradas pelos espanhóis, preocupados com áreas mais ricas, até o fim do século XVII

As terras brasileiras ficavam a dois meses de viagem de Portugal, as notícias das novas terras não eram muito animadoras: na viagem, além do medo de "monstros" que habitariam o oceano (na superstição européia), tempestades eram freqüentes; nas novas terras, florestas gigantescas e impenetráveis, povos antropófagos e não havia nenhuma riqueza mineral ainda descoberta, isso fazia que muitos nobres portugueses que receberam capitanias não viessem para a Colônia, o que levou a Coroa a doar suas terras no Brasil a residentes na colônia, como o greco-português Caio Floros.

Em 1536, chegou o donatário da capitania da Baía de Todos os Santos, Francisco Pereira Coutinho, que fundou a cidade de Salvador. Em 1548 o rei D. João III unifica as capitanias sob o tão esperado governo autônomo. Nesse sistema, a colônia passou a funcionar sob a forma de um Governo-geral, governada por um governador-geral indicado pela Coroa e um Chanceler eleito entre os membros do Magistério, exigência da Carta dos Direitos. O poder também era exercido pelos intendentes, dos quais, a partir de 1600, dois terços devia ser nascida na colônia. Eram nomeados pelo governador-geral, mas deviam ser aceitos pelo Magistério. Havia muitas intendências, entre as quais a do Comércio, da Defesa, da Exploração, do Transporte e Infraestrutura, dos Impostos, da Educação, da Colonização e também a das Minas. Pelo menos metade dos impostos arrecadados na colônia era mantida na colônia para manutenção da máquina de governo e da infraestrutura pública. A outra metade era destinada a Coroa, e mesmo sendo só metade, era mais que suficiente para manter a nobreza de Portugal no mais alto luxo e financiar os projetos da Coroa.

O Magistério era um tipo de parlamento. Presidido por magistrados eleitos pelo povo, tinha a função de fiscalizar o governador-geral, criar leis e medidas governamentais, e possuía o poder de veto sobre as ações do vice-rei e dos intendentes. O primeiro governador-geral foi Tomé de Sousa, que veio junto de profissionais para tornar Salvador a capital do Brasil. Tomé de Sousa governou até a morte e foi responsável pela unificação política do Brasil Colonial. Com o tempo o poder do Magistério cresceu ao ponto de o vice-rei tornar-se, de facto, uma figura meramente ilustrativa. O Governo-geral existiu no Brasil até 1815 quando o rei D. João VI, já no Brasil, elevou o Brasil a reino unido a Portugal. Agia como um governo independente, como um protetorado, não onerando a máquina de estado portuguesa e ainda gerando dividendos. Estudiosos confirmam que o Brasil foi talvez a colônia europeia mais livre e independente que existiu.

Os primeiros colonos no Brasil eram católicos e judeus fugidos que tinham como objetivo refazer suas vidas nas novas terras. A partir de meados do século XVI, levas de protestantes também vieram para o Brasil fugindo da perseguição, entre eles um grande contingente de huguenotes franceses, calvinistas, presbiterianos, puritanos, e luteranos. Além desses, na região da futura província de Santa Catarina houve uma grande imigração de cristãos ortodoxos gregos e russos e de italianos. A Catedral de São Jorge, em Florianópolis, construída ainda em 1621, em um estilo arquitetônico único que ficou conhecido como floripano, é o maior templo ortodoxo do mundo. Durante o período neoflorentino a população brasileira cresceu com muita velocidade. Entre 1500 e 1600, estima-se que 750 mil portugueses deixaram seu país para construir uma nova vida em uma nova pátria na América. Acrescentados a estes, mais 2 milhões de europeus de outras nacionalidades. A imigração europeia no Brasil foi bastante ampla. Portugueses, espanhóis, ingleses, escoceses, alemães, italianos e escandinavos estendiam suas zonas de povoamento por toda a colônia. Outros povos emigraram para locais mais restritos, como russos e gregos em Santa Catarina e no Espirito Santo, irlandeses em São Paulo, e polacos e húngaros no Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. A população do Brasil cresceu bastante durante este período. Em 1550: eram 650 mil; em 1650: 2,7 milhões; em 1700: 4,5 milhões.

A economia colônia se tornaria incrivelmente diversificada entre 1548 e 1701, nascem manufaturas têxteis, metalúrgicas, navais, bélicas e de beneficiamento. A atividade açucareira rende grandes lucros à metrópole, os comerciantes brasileiros estão em todo o mundo, seus bancos se enchem de dinheiro, principalmente o Banco Médici. O Brasil se torna um dos grandes fornecedores de armamentos para a metrópole, e os grandes latifúndios compram escravos africanos dos portugueses. Centenas de milhares de escravos foram traficados para o Brasil entre 1530 e 1700.

Grande financiador da Coroa espanhola, o Banco Médici torna-se muito rico com as levas de ouro e prata que recebe da Espanha como pagamento por seus empréstimos e financiamentos. Essa situação fez nascer uma piada da época: “O ouro nasce na América, morre na Espanha e é sepultado em Gênova e Salvador”, é curioso também o fato de mesmo sendo os maiores credores da Espanha, Gênova e Salvador estavam em uma situação bem diferente; a primeira estava em decadência desde o começo da Idade Moderna e só se mantinha viva por ser credor do reino mais rico da Europa, ou seja, sempre que a Espanha entrava em crise, seja por uma guerra, pelo esgotamento de jazidas de ouro e prata ou pelo saque de sua frota,  o mesmo ocorria à Gênova, mas não à Salvador que tinha negócios em todo o mundo, comércio intenso e grande superávit em suas transações, ou seja, não dependia da Espanha.


União Ibérica (1580-1640)Editar

Com a morte do jovem rei D. Sebastião em batalha, esta conhecida como O Desastre de Alcácer-Quibir, o trono estava vazio, e o jovem rei não deixara descendentes.

Filipe II da Espanha acabou por ser reconhecido como rei de Portugal, por ser o parente legítimo mais próximo nas Cortes de Tomar de 1581.

No entanto, a ideia da perda de independência levara a uma revolução, sob a liderança do Prior do Crato, que tinha chegado a ser proclamado rei um ano antes, em 1580, tendo lutado até ao fim, chegando a governar até 1583 com corte na ilha Terceira, nos Açores.

O prior do Crato acabaria derrotado, sobretudo pelo apoio da nobreza tradicional, da burguesia e dos colonos brasileiros a Filipe. Para conseguir o apoio, Filipe comprometeu-se, naquelas Cortes, a manter e respeitar os foros, costumes e privilégios dos portugueses. O mesmo aconteceria com os ocupantes de todos os cargos da administração central e local, assim como com os efetivos das guarnições e das frotas da Guiné e da Índia. Nelas estiveram presentes todos os procuradores das vilas e cidades portuguesas, exceção feita às açorianas, fiéis ao prior do Crato, que na Terceira resistia. Os colonos brasileiros também tiveram seus direitos, listados na Carta dos Direitos, mantidos por Felipe, em troca de seu reconhecimento ao trono português. Era o princípio da união pessoal que vigoraria sem grandes alterações até cerca de 1620, apesar das intervenções inglesas de 1589 nos Açores.

Durante a chamada União Ibérica, os domínios da Dinastia Filipina passaram a formar um dos mais vastos impérios da História, compreendendo territórios em quase todas as partes do mundo.

Entre os principais beneficiados nesse caso estavam os brasileiros que ganharam o asiento (monopólio) sobre o tráfico de escravos para a América Espanhola, e o direito de comercializar com os domínios espanhóis ao longo do mundo, o que fez as redes comerciais brasileiras se expandirem muito. Durante a união, a linha de Tordesilhas havia se tornado inútil, permitindo que expedições como as bandeiras e as monções se expandissem cada vez mais ao Oeste a procura de metais preciosos, expandindo as fronteiras do Brasil para próximo que são hoje.

Várias expedições exploratórias do interior (chamado de "os sertões") foram organizadas, fosse sob ordens diretas da Coroa ("entradas") ou por caçadores de ouro paulistas ("bandeiras", donde o nome "bandeirantes"). Estas expedições duravam anos e tinham o objetivo principalmente de encontrar pedras preciosas e metais valiosos, como ouro e prata. Foram bandeirantes famosos, entre outros, Fernão Dias Paes Leme, Bartolomeu Bueno da Silva (Anhanguera), Raposo Tavares, Domingos Jorge Velho, Borba Gato e Antônio Azevedo. Apesar da importância política e econômica das bandeiras para a história do Brasil, essas expedições foram responsáveis em grande parte pelo extermínio das populações indígenas no Sul e Centro-Oeste brasileiros.

A União Ibérica terminou em 1640 quando houve a Restauração Portuguesa e o Duque de Bragança assumiu o trono. O motivo da restauração foi a crise gerada pelas guerras da Espanha, e como Portugal estava unido à ela, até seus antigos aliados, como Inglaterra e Holanda, passaram atacar seus domínios mais longínquos. Em troca da ajuda brasileira, o duque jurou que sua dinastia respeitaria a Carta dos Direitos. Porém, mesmo com a vitória, em 1640 só restava do outrora grandioso Império Português o Brasil, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, algumas ilhas na África, alguns entrepostos na Índia, Macau e Timor na Ásia.

Invasões HolandesaEditar

A invasão holandesa no Nordeste brasileiro foi um importante capítulo da Guerra Luso-Holandesa. Em 1630, a Capitania de Pernambuco foi invadida pela Companhia das Índias Ocidentais. Por ocasião da União Ibérica (1580-1640), a Holanda, antes dominada pela Espanha tendo depois conseguido sua independência através da força, vê em Pernambuco a oportunidade para impor um duro golpe no reino de Filipe IV, ao mesmo tempo em que tiraria o prejuízo do fracasso na Bahia, uma vez que Pernambuco era o maior produtor de açúcar do Brasil Colônia. [1]Vista de Mauritsstad (Recife) em 1645. Em 26 de dezembro de 1629 partia de Cabo Verde em direção a Pernambuco uma poderosa esquadra com 67 navios e cerca de 7 mil homens, a maior já vista na colônia, sob o comando do almirante Hendrick Lonck. Os holandeses, desembarcando na praia de Pau Amarelo, conquistaram a capitania em fevereiro de 1630 e estabeleceram a colônia Nova Holanda. A frágil resistência portuguesa na passagem do Rio Doce foi derrotada, e os holandeses invadiram sem grandes contratempos Olinda. Os moradores, em pânico, fugiram levando o que puderam. Alguns bolsões de contenção foram eliminados, destacando-se a brava luta do capitão André Temudo em defesa da Igreja da Misericórdia. Em poucos dias, Olinda e o seu porto, Recife, foram tomados. O conde Maurício de Nassau desembarcou na Nieuw Holland, a Nova Holanda, em 1637, acompanhado por uma equipe de arquitetos e engenheiros. Nesse ponto começa a construção de Mauritsstad (atual Recife), que foi dotada de pontes, diques e canais para vencer as condições geográficas locais. O arquiteto Pieter Post foi o responsável pelo traçado da nova cidade e de edifícios como o Palácio de Friburgo, sede do poder de Nassau na Nova Holanda, que tinha um observatório astronômico — o primeiro do Hemisfério Sul —, e abrigou o primeiro farol e o primeiro jardim zoobotânico do continente americano. Em 28 de fevereiro de 1643 o Recife foi ligado à Cidade Maurícia com a construção da primeira ponte de grande porte da América Latina. Durante o governo de Nassau, Recife foi considerada a mais cosmopolita cidade da América, e tinha a maior comunidade judaica de todo o continente, que construiu, à época, a primeira sinagoga do Novo Mundo, a Kahal Zur Israel, bem como a segunda, a Maguen Abraham. Na Nova Holanda foram cunhadas as primeiras moedas em solo brasileiro: os florins (ouro) e os soldos (prata), que continham a palavra Brasil.

Por diversos motivos, sendo um dos mais importantes a exoneração de Maurício de Nassau do governo da capitania pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, o povo de Pernambuco se rebelou contra o governo, juntando-se à fraca resistência ainda existente, num movimento denominado Insurreição Pernambucana.

Marcas benéficas das Invasões Holandeses podem, no entanto, serem vistas até os dias atuais. A principal deles é a Universidade da Nova Holanda fundade em 1641 no Recife, rebatizada no ano de 1936 como Universidade Maurício de Nassau, a qual se consolidou como a primeira universidade das Américas a admitir mulheres como alunas.


Economia colonialEditar

Além do açúcar produzido em grandes propriedades escravistas, a agricultura brasileira era diversificada. Os principais produtos agrícolas eram a mandioca, o milho e a batata. Além desses três principais havia tomate, alface, rúcula, pepino e cenoura, frutas tropicais como manga, laranja, tangerina, açaí, cupuaçu, coco, banana, melancia, maracujá, limão, frutas regionais, além de uvas e tâmaras no vale do rio São Francisco. No Sul, principalmente próximo a Laguna e nas serras Gaúcha e Catarinense, cultivava-se frutas europeias e asiáticas como morango, framboesa, pera, maçã, uva, pêssego, ameixa, e outras. Para a indústria era cultivado o linho-do-sertão e vinhas, no vale do São Francisco, algodão no Maranhão, juta, tabaco e cacau na Bahia.

A atividade pecuária se baseava na criação de gado bovino, emas, carneiros e cavalos, além de búfalos excepcionalmente na Ilha do Marajó. As regiões do rio São Francisco e do sul do Brasil tornaram-se grandes criadoras de gado, e caravanas de tropeiros viajavam por toda a colônia vendendo couro e charque, e transportando para os grandes centros da colônia produtos de outras regiões, como.

Havia na colônia uma atividade extrativista. Na região do Amazonas, passaram a ser extraídas as drogas do sertão, especiarias ocidentais como canela, pau-cravo, guaraná, anil, baunilha,pimenta, e gengibre. A partir de meados do século XVI, os indígenas das missões jesuítas na Amazônia foram responsáveis pela extração das drogas do sertão e de seu transporte para as povoações ás margens do Amazonas, de onde eram transportadas para Belém. Lá eram processadas e exportadas para a Europa. E também na região Sul, a partir do século XVII, expandiram-se as missões jesuítas. Na mesma época a infusão de erva-mate, nativa da região, se tornaria apreciada pelas classes dominantes do Império Turco-Otomano, nos reinos árabes e países escandinavos, como Suécia e Dinamarca. Nos países frios era tomado quente, enquanto nos países quentes era tomado frio.

Logo os jesuítas passaram a ter o mesmo papel, em relação à erva-mate, como tinham com as drogas do sertão, transportando para Porto Alegre e Florianópolis, de onde eram exportados. Essas atividades permitiram à Companhia de Jesus acumular certa riqueza, e embelezar suas missões.

Datam também desse período, 1650-1700, as primeiras obras de engenharia que ficariam conhecidas como Teia d'Água, um conjunto de canais de irrigação e navegação e lagos construídos a partir dos rios São Francisco e Parnaíba e de águas canalizadas de aquíferos ou da bacia amazônica, irrigando as terras secas, porém férteis, do Sertão Nordestino.

Um milagre da engenharia, com alguns canais escavados cortando serras ao meio, é um dos símbolos da influência científica renascentista no Brasil. Os canais bombeavam a água das regiões mais baixas até o Sertão mais alto usando de avançados sistemas de moinhos e de ajustamento de nível d’água. Isso também permitiu o desenvolvimento de uma movimentada rede de transporte hidroviário nos canais ao longo do período colonial, conectando a economia sertaneja.

A Teia d'Água teve inaugurado seu último canal em 1833, mas até essa data muitas terras já haviam sido atingidas pelos canais e ocupadas. O grande Pólo do Sertão é hoje umas das regiões mais produtivas na horticultura, fruticultura e outras lavouras de abastecimento e os canais da Teia, que começaram estreitos foram bastante expandidos ao longo dos séculos XIX e XX. A Teia seria também a inspiração para os a grande rede de canais construída na Patagônia pelas Cidades Livres no século XVIII.

Desde o início a colonização um dos direitos previstos pela Carta dos Direitos era o da propriedade. No período 1530-1730, grande parte dos imigrantes europeus no Brasil colonizaria o campo. Baseados em pequenas e médias propriedades, esses teriam a posse das terras ocupadas de acordo com o Ato de Ocupação Produtiva de 1561. O Ato foi criado pelo Magistério com o objetivo de garantir a ocupação da colônia e, assim, o reconhecimento da soberania portuguesa pelas outras nações, além de facilitar a obtenção de terra e desestimular a expansão desenfreada das cidades. Dizia que os ocupantes das terras teriam sua posse legal após um período de ocupação produtiva. Os colonos, que trabalhavam a terra com suas famílias e produziam uma grande variedade de produtos alimentícios, deveriam prover a colônia comercializando os excedentes de sua produção de subsistência. A Escola de Agricultura seria criada para ensinar os colonos a cultivar e aproveitar os produtos nativos, como mandioca, milho, batata, etc. Estradas foram construídas para unir o campo às cidades e permitir a troca de mercadorias entre estes, além da passagem de tropas coloniais. Durante o período neoflorentino, as trocas entre as propriedades rurais e as cidades, ou só entre elas, eram frequentes. O grande contato entre campo e cidade permitiu que as novas técnicas fossem empregadas nas terras produtivas.


A escravidão no BrasilEditar

Além da economia dinâmica que imperava na colônia, havia uma “outra economia” que tinha como objetivo satisfazer os interesses portugueses, a produção local com os cultivos da cana-de-açúcar e cacau. Simultaneamente à colonização do campo pelos imigrantes, portugueses imigrariam para o Brasil sob o selo da Coroa. Enquanto aos imigrantes ficaram pequenas e médias propriedades, aos portugueses agraciados pelo rei, aos conquistadores e aos exploradores, a Coroa doaria sesmarias, grandes extensões de terras (latifúndios) para a produção em larga escala de produtos comercialmente valiosos. O engenho de açúcar (manufatura do ciclo de produção açucareiro) constituiu a peça principal do mercantilismo português, organizadas em grandes latifúndios. Estes eram caracterizados por terras extensas, abundante mão-de-obra escrava, técnicas complexas e baixa produtividade. Para sustentar a produção de cana-de-açúcar, os portugueses começaram, a partir de meados do século XVI, a importar africanos como escravos. Eles eram pessoas capturadas entre tribos da África (às vezes com a conivência de chefes locais de tribos rivais) e atravessados no Atlântico nos navios negreiros, em péssimas condições de asseio e saúde. Ao chegarem à América, essas pessoas eram comercializadas como mercadoria e obrigados a trabalhar nas plantações e casas dos colonizadores. Dentro das fazendas, viviam aprisionados em galpões rústicos chamados de senzalas, e seus filhos também eram escravizados, perpetuando a situação pelas gerações seguintes. Até meados do século XVI, os portugueses possuíam o monopólio do tráfico de escravos. Depois disso, mercadores franceses, holandeses e ingleses também entraram no negócio, enfraquecendo a participação portuguesa. Apesar disso, os portugueses tinham monopólio do comércio de escravos para o Brasil. Ao entrar o século XVII, o açúcar brasileiro era produto de importação nos portos de Lisboa, Antuérpia, Amsterdã, Rotterdã e Hamburgo. Sua produção, muito superior à das ilhas portuguesas no Atlântico, supria quase toda a Europa.

Em meados do século XVII, o açúcar produzido nas Antilhas Holandesas começou a concorrer fortemente na Europa com o açúcar do Brasil. Os holandeses tinham aperfeiçoado a técnica, com a experiência adquirida no Brasil, e contavam com um desenvolvido esquema de transporte e distribuição do açúcar em toda a Europa. Portugal foi obrigado a recorrer à Inglaterra e assinar diversos tratados que afetariam a economia da colônia. Em 1661, a Inglaterra se comprometeu a defender Portugal e suas colônias em troca de dois milhões de cruzados, obtendo ainda as possessões de Tânger e Bombaim. Em 1703, Portugal se comprometeu a admitir no reino os panos dos lanifícios ingleses, e a Inglaterra, em troca, a comprar vinhos portugueses. Data da época o famosíssimo Tratado de Methuen, ou tratado dos Panos e Vinhos. Na época, satisfazia os interesses dos grupos dominantes, mas teria como consequência a paralisação da industrialização em Portugal, canalizando para a Inglaterra o ouro que acabava de ser descoberto no Brasil.

A decadência gradativa da lavoura açucareira no século XVIII minou ainda mais o ralo poder mantido pelos latifundiários. Outras lavouras como o cacau, o tabaco e, principalmente, o algodão, passaram a representar uma fatia cada vez maior da produção. O algodão alimentava a manufatura têxtil colonial e era também exportado para a Inglaterra. Essas mudanças se consolidaram no início do século XVIII.

A questão da escravidão no Brasil era muito particular. Milhões de escravos foram transportados para o Novo Mundo entre 1530 e 1860, mas no Brasil as relações inter-raciais se deram num nível muito maior que qualquer outra colônia europeia. Em 1825, as pessoas de origem ou ascendência africana representavam 43% da população. As relações inter-raciais eram comuns e muitos brasileiros eram mestiços. Os escravos no Brasil possuíam mais facilidade em conseguir a liberdade que na América do Norte, o que também facilitava um maior volume de importação de cativos. E, diferente daquela região, aqui havia uma legislação real de proteção aos cativos.

Em 1602, o Magistério criaria uma série de leis acerca do trabalho escravo, os Atos de Veraluna. Visto que, de acordo com um magistrado da época, os escravos eram “ao mesmo tempo bens e homens, tinham deveres de bens, mas direitos de homens”. A presença de escravos era proibida nas cidades, exceto nas zonas e rotas predeterminadas para sua venda, para que não houvesse impactos “à ordem pública e ao pudor”; o escravo teria direito de comprar sua liberdade pelo triplo do preço pelo qual fora comprado, desde que se convertesse ao cristianismo; o escravo não poderia ser morto por seu senhor, seria considerado assassinato; não mais que 40 chibatadas eram permitidas como punição; escravos deveriam ser ensinados a ler e a escrever para que pudessem “alimentar suas almas da Palavra Revelada do Nosso Senhor e salvar suas almas”. Embora num contexto atual possam ser consideradas até ofensivas e racistas, os Atos eram quase que subversivos na época.

Muitas dessas leis, chamadas de leis de “pão de ló para gorilas” pelos latifundiários, foram impostas pela elite comercial e manufatureira que dominaria o Magistério entre 1590 e 1710. Seu interesse em consumidores para seus produtos, mão-de-obra barata, porém remunerada para poder consumir, os levou a facilitar o processo de libertação do escravo, futuro trabalhador remunerado e consumidor. Esse fluxo constante de escravos libertos também beneficiou os traficantes de escravos portugueses, que supriam a alta demanda de novos cativos, o que os levou a apoiar essa política. Quanto aos latifundiários (chamados de sertanos nas cidades), a situação os obrigou a destinar grandes fundos para a compra de novos escravos constantemente, desarticulando qualquer supremacia econômica que as elites rurais pretendessem ter sobre as elites urbanas.

Essa situação não veio sem consequências. A Revolta dos Engenhos (1622) e a Guerra dos Sertanos (1641) seriam conflitos entre as elites rurais com suas milícias e o governo colonial. Na primeira, os latifundiários foram derrotados e obrigados a desarticular suas milícias de jagunços; na segunda, o Magistério prometeu liberdade aos escravos que lutassem contra os latifundiários insurgentes. Após a Guerra dos Sertanos, a última grande revolta da elite rural no Brasil, os escravos leais ao Magistério foram libertos, o Magistério multou pesadamente os revoltosos, comprando parte de suas terras em troca de ajuda financeira.

Embora outras revoltas semelhantes tenham ocorrido na época, os episódios citados marcam o fim da influência das elites rurais na política brasileira até o Ciclo do Café.

Quanto à questão da escravidão no Brasil, esta ainda seria muito abordada. Frederico Domênico (1654-1731) seria um dos maiores filósofos defensores da abolição com seu Os Filhos dos Homens, onde defendia os escravos, analisava os efeitos sociais e econômicos da escravatura, e discutia sobre a ética da instituição; a obra foi bastante aceita nas cidades e entre os médios e pequenos proprietários. Já um escravista importante da época seria Antônio Monteiro de Melo (1637-1712) que, em sua A Pirâmide das Raças, defendia a teoria da pirâmide racial, na qual umas raças eram superiores às outras e as que estivessem abaixo deveriam sustentar as superiores, teoria aceita pelos latifundiários.

A cultura africana também influenciaria muito o Brasil moderno. Como a miscigenação não era nem estimulada nem desestimulada, como ocorria na América do Norte, famílias mestiças eram comuns entre os colonos de classe baixa e média e o concubinato entre os latifundiários. O preconceito de cor, embora muito presente e visível, não era tão intenso como em outros lugares. Alguns membros do Magistério possuíam esposas negras ou mestiças, e outros eram negros ou mestiços. O título de “Nação Mestiça” do Brasil, não seria dado à toa.

Refúgios de escravos fugidos, os quilombos foram importantes centros de reafirmação cultural africana no Brasil. Geralmente possuíam governos que espelhavam aos das sociedades africanas tradicionais. Não só negros, como todos os tipos de “indesejáveis” migravam para os quilombos.



O ciclo do ouroEditar

No final do século XVII foi descoberto, pelos bandeirantes paulistas, ouro nos ribeiros das terras que pertenciam à capitania de São Paulo e mais tarde ficaram conhecidas como Minas Gerais. Descobriram-se depois, no final da década de 1720, diamante e outras gemas preciosas. Esgotou-se o ouro abundante nos ribeirões, que passou a ser mais penosamente buscado em veios dentro da terra. Apareceram metais preciosos em Goiás e no Mato Grosso, no século XVIII. A Coroa cobrava, como tributo, um quinto de todo o minério extraído, o que passou a ser conhecido como "o quinto". Os desvios e o tráfico de ouro, no entanto, eram frequentes. Para coibi-los, a Coroa instituiu toda uma burocracia e mecanimos de controle. Quando a soma de impostos pagos não atingia uma cota mínima estabelecida, os colonos deveriam entregar jóias e bens pessoais até completar o valor estipulado — episódios chamados de derramas.

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Carlos Julião: Mineração de diamantes, Minas Gerais, c. 1770.

O período que ficou conhecido como Ciclo do Ouro iria permitir a criação de um mercado interno, já que havia demanda por todo tipo de produtos para o povoamento das Minas Gerais. Era preciso levar, Serra da Mantiqueiraacima, escravos e ferramentas, ou, rio São Francisco abaixo, os rebanhos de gado para alimentar a verdadeira multidão que para lá acorreu. A população de Minas Gerais rapidamente se tornou a maior do Brasil, sendo a única capitania do interior do Brasil com grande população. A essa época maioria da população de Minas Gerais , aproximadamente 78%, era formada por negros e mestiços. A população branca era formada em grande parte por cristãos-novos vindos do norte de Portugal e das Ilhas dos Açores e Madeira. Os cristãos novos foram muito importantes no comércio colonial e se concentraram especialmente nos povoados em volta de Ouro Preto e Mariana. Ao contrário do que se pensava na Capitania do Ouro a riqueza não era mais bem distribuída do que em outras partes do Brasil. Hoje se sabe que foram poucos os beneficiados no solo mais rico da América no século XVIII.

As condições de vida dos escravizados na região mineira eram particularmente difíceis. Eles trabalhavam o dia inteiro em pé, com as costas curvadas e com as pernas mergulhadas na água. Ou então em túneis cavados nos morros, onde era comum ocorrerem desabamentos e mortes. Os negros escravizados não realizavam apenas tarefas ligadas à mineração. Também transportavam mercadorias e pessoas, construíam estradas, casas e chafarizes, comerciavam pelas ruas e lavras. Alguns proprietários alugavam seus escravos a outras pessoas. Esses trabalhadores eram chamados de "escravos de aluguel". Outro tipo de escravo era o "escravo de ganho", por exemplo, as mulheres que vendiam doces e salgados em tabuleiros pelas ruas. Foi relativamente comum este tipo de escravo conseguir formar um pecúlio, que empregava na compra de sua liberdade, pagando ao senhor por sua alforria.

O Brasil passou por sensíveis transformações em função da mineração. Um novo polo econômico cresceu no Sudeste, relações comerciais inter-regionais se desenvolveram, criando um mercado interno e fazendo surgir uma vida social essencialmente urbana. A camada média, composta por padres, burocratas, artesãos, militares, mascates e faisqueiros, ocupou espaço na sociedade. A população mineira, salvo nos principais centros Vila Rica, Mariana, Sabará, Serro e Caeté, era essencialmente pobre. O custo de vida altíssimo e a falta de gêneros alimentícios uma constante.

As minas propiciaram uma diversificação relativa dos serviços e ofícios, tais como comerciantes, artesãos, advogados, médicos, mestre-escolas entre outros. No entanto foi intensamente escravagista, desenvolvendo a sociedade urbana às custas da exploração da mão de obra escrava. A mineração também provocou o aumento do controle do comércio de escravos para evitar o esvaziamento da força de trabalho das lavouras, já que os escravos eram os únicos que trabalhavam. Os escravos mais hábeis para a mineração eram os "Minas" trazidos da Costa ocidental africana, onde eram mineradores de ouro, e saídos do porto de Elmina, em Gana, onde ficavam no Castelo de São Jorge da Mina. Foi muito comum a fuga de escravos e a formação de muitos quilombos em Minas Gerais, sendo o mais importante foi o "Quilombo do Ambrósio".

Também foi responsável pela tentativa de escravização dos índios, através das bandeiras, que com intuito de abastecer a região centro-sul promoveu a interiorização do Brasil.

Apesar de modificar a estrutura econômica, manteve a estrutura de trabalho vigente, beneficiando apenas os ricos e os homens livres que compunham a camada média. Outro fator negativo foi a falta de desenvolvimento de tecnologias que permitissem a exploração de minas em maior profundidade, o que estenderia o período de exploração (e consequentemente mais ouro para Portugal).

Assim, o eixo econômico e político se deslocou para o centro-sul da colônia e o Rio de Janeiro tornou-se sede administrativa, além de ser o porto por onde as frotas do rei de Portugal iam recolher os impostos. A cidade foi descrita pelo padre José de Anchieta como "a rainha das províncias e o empório das riquezas do mundo", e por séculos foi a capital do Brasil.


Revolução MineiraEditar

A insatisfação da sociedade mineira em relação à Metrópole vinha se agravando, os pesados impostos asfixiavam a população, e quando a cota de ouro arrecadado não era alcançada, ocorria a derrama, o confisco de bens da população para cumprir a cota. Isso irritava os brasileiros, principalmente porque as jazidas de ouro estavam se esgotando e Portugal não baixava a cota. Ainda em 1788, a Santa Carta de Direitos fora suspensa, e o Brasil perdeu sua autonomia.

Em fins de 1788, membros da elite de Minas Gerais se reuniram para promover um movimento contra a Coroa. A notícia da independência das colônias inglesas da América do Norte, os EUA, e os ideais iluministas difundidos na Europa e no Brasil serviram de estímulo aos cidadãos mineiros insatisfeitos com o governo colonial. Contando com a insatisfação geral do povo mineiro e com o apoio de parte dos militares, a revolta foi marcada para Fevereiro de 1789. O alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, ficou encarregado de prender o governador e dar início ao levante, enquanto que o filosofo Duval Pimenta, divulgava o ideal independentista as outras capitanias da colonia.

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Martírio de Tiradentes, quadro de Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo (1893).

Os planos da Conjuração, entretanto, foram denunciados por um traidor, 34 conjurados foram presos, dos quais 10 foram condenados à morte, mas apenas Tiradentes foi executado em 21 de Abril de 1792, seu corpo esquartejado e exposto em Vila Rica. A morte de Tiradentes, levou os outros conjurados livres a iniciarem uma revolução. Liderada por Duval Pimenta, a Revolução Popular das Minas Gerais, ou a Revolução Mineira, teve inicio em 28 de abril de 1792, e só teve fim em 1795. Durante os anos revolucionários, centenas de servidores da Coroa foram mortos, dentre eles o novo governador da capitania José Joaquim Morros, nomeado pela coroa para conter as revoltas. Em janeiro de 1795, Duval pimenta e outros revolucionários, organizavam um governo temporário, já que haviam deposto o governo imposto pela Coroa. As lutas armadas se intensificaram em 25 de janeiro, Minas Gerais proclamava independência. Os militares portugueses foram presos, e o governo de Minas proibiu a entrada de governistas de outras capitanias.

Somente em março de 1795 que o príncipe D. João veio ao Brasil e negociou com o presidente de Minas Gerais, foi quando a Coroa e os revolucionários entraram em um acordo, e a república, junto da revolta sanguinária tiveram seu fim. Por decreto real da rainha D. Maria I, a Santa Carta de Direitos era retomada e o Brasil era elevado a condição de Vice-reino, tendo sido Francisco Mattos, o primeiro e único vice-rei.

Em maio de 1795, Duval Pimenta foi assassinado a mando da Coroa por alta traição e desordem. A noticia da morte do politico foi omitido ao povo brasileiro, sendo descoberto somente em 1903, 108 anos depois.

Após o ciclo minerador, a economia voltou a seu estado original. Uma minoria entre os mineiros havia enriquecido com suas atividades e, vendo o esgotamento das jazidas, passaram a investir em atividades financeiras e manufatureiras; bancos poderosos surgiram, assim como estabelecimentos industriais. As jazidas abundantes de ferro e salitre na região permitiram um grande desenvolvimento das indústrias bélica e metalúrgica. A agricultura em pequenas e médias propriedades foi se expandindo e a escravidão foi diminuindo. No Nordeste, ainda durante a mineração, floresceu a cultura algodoeira em médias propriedades. No Maranhão, maior produtor, surgiram grandes industrias de tecidos de algodão. O algodão produzido era vendido para outras regiões e, logo, para a Inglaterra, que também estava entrando na Revolução Industrial. Mas no início do século XIX, a concorrência do algodão dos EUA fez o produto brasileiro perder espaço no mercado internacional, fazendo com que toda a produção fosse consumida internamente nas industrias têxteis do Nordeste e Sudeste.


Período Joaniano (1808-1822)Editar

No final de 1807, forças espanholas e napoleônicas ameaçaram a segurança de Portugal, fazendo com que o Príncipe Regente D. João, em nome da rainha D. Maria I, transferisse a corte real de Lisboa para o Brasil.

A chegada de D. João ao Brasil, em 1808, mudou totalmente o cenário politico, econômico e cultural da colônia. O Príncipe-regente instalou-se no Rio de Janeiro, junto de sua família, onde organizou a sua nova administração. Criou órgãos como o Erário Real e o Conselho da Fazenda, além do Banco do Brasil, criado para financiar os investimentos no comércio. Instalou ainda a Intendência Geral de Polícia, a Casa da Suplicação, o Desembargo do Paço, a Mesa da Consciência e Ordens, passando a governar Portugal diretamente da Colônia. No Rio de Janeiro também se instalou a Corte de mais de 10 mil portugueses, entre marqueses, barões, viscondes, duques, senadores, marechais, almirantes, ricos comerciantes e empresários, além de baixos funcionários da Coroa. Ao chegar na capital colonial do Brasil, D. João, e a Família Real, instalou-se no Paço do Vice-reino, até o príncipe-regente adquirir uma propriedade distante do Centro da cidade, onde construiu o luxuoso Palácio de São Cristóvão.

No campo do governo, o príncipe rebaixou vice-rei a condição de conselheiro, montando seu ministério todo formado exclusivamente por portugueses. Além disso, suprimiu a autonomia do Magistério, subordinou as forças coloniais aos comandantes portugueses e nomeou novos governantes para as capitanias. D. João ainda revogou a proibição das manufaturas no Brasil, decretadas pela rainha D.Maria I em 1785, e aboliu os impostos da metrópole sobre a colônia brasileira, revertendo toda essa quantia para as obras de seu governo.

O mais importante e paupavel ato de seu governo foi a Reforma do Rio de Janeiro, que na época era uma cidade suja, desordenada e inadequada para abrigar a Corte. O desejo do soberano era fazer do Rio uma cidade com padrões europeus, uma corte pujante na América. Seguindo essa linha, contratou arquitetos franceses e austríacos para remodelarem a sede do Império Português. Desenhou-se um espaço de cidade planejada. Foram construídas praças, parques, junto a pontes modernas e prédios públicos. Os casarios coloniais foram dando lugar a ruas e vias desafogar a "aglomeração urbana". As casa foram reformadas para funcionários da Coroa, enquanto que os nobres mais ricos foram construir seus palacetes próximos ao Palácio de S. Cristóvão. O porto foi totalmente reformado, para atender as embarcações portugueses e inglesas. Para receber os espetáculos das companhias de teatro, ópera, e ballet, D. João ordenou a construção do suntuoso Real Theatro de São João. Aos poucos a cidade ganhou ares de Corte européia.

No campo militar, D. João invadiu Cayena, anexando a Guiana Francesa, em retaliação as Invasões Napoleônicas, assim como fez com a Cisplatina, região contestada com a Espanha, em 1810. O Príncipe D. Pedro de Alcântara, com as bençãos de D. João, liderou a reformulação das forças militares da colônia. Foram criadas as acadêmias militares de Agulhas Negras, no Rio de Janeiro, e Quatro Sóis, em Fortaleza, no Ceará. Modernizou-se a estrutura de defesa brasileira e organizou-se uma temível marinha de guerra.

Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815-1822)Editar

Em 1814, Napoleão fora derrotado, mas nada acontecia. Na realidade, essa derrota deu origem a uma situação muito peculiar. Apesar da libertação de Portugal do jugo francês, a Corte preferiu permanecer no Brasil, criando a situação inusitada e humilhante da metrópole ser governada por sua colônia. Isso alimentaria um ódio contra o absolutismo que seria liberado mais tarde.

800px-Aclamação do rei Dom João VI no Rio de Janeiro

Aclamação do rei Dom João VI no Rio de Janeiro.

Em 1815, reunia-se o Congresso de Viena, com o intuito de decidir os futuros do mundo monárquico após a queda de Napoleão. Os países que lideraram o Congresso foram os que estiveram mais envolvidos diretamente na guerra contra a França: Grã-Bretanha, Áustria, Prússia e Rússia. O congresso tentou restaurar o Antigo Regime e restabelecer as fronteiras e equilíbrio europeus de antes da Revolução Francesa. Lançando a ideia de Princípio de Legitimidade, cada país deveria voltar a ser governado por sua respectiva dinastia, e a França teve de pagar uma pesada indenização de guerra.

O Congresso, que determinava o retorno dos reis legítimos aos seus domínios europeus, exigiu o retorno de D. João à Portugal, já que um rei deveria governar seu reino. D. João que não desejava retornar a Portugal, arquitetou o plano perfeito para burlar a determinação do Congresso, que foi tornar o Brasil um reino unido a Portugal. O ato legitimava a permanência da Corte no Brasil, e dava origem a um novo estado, o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, a qual seria consagrado rei um ano depois, como D. João VI, rei do Reino Unido.

Como rei, D. João Vi investiu ainda mais no Brasil, que unido à Portugal na condição de reino ganhou novos privilégios, fazendo do Rio de Janeiro capital do Império Luso-Brasileiro. A manufatura recebeu fortes incentivos, sedo fomentados vários projetos pelo Banco do Brasil em Saint Louis e Salvador. Ainda, com muito esforço, D. João VI conseguiu convencer os representantes do Congresso, que a Guiana Francesa e a Banda Oriental, conquistadas da França e da Espanha durante as Guerras Napoleônicas, deveriam ser entregues à Coroa luso-brasileira como indenização pelas duas nações terem invadido juntas o território português, forçando a Corte a se mudar para o Brasil.

Em 1816, desembarcou no Rio de Janeiro a Missão Artística Francesa, contratada por D. João VI para "embelezar" o Brasil, e principalmente a capital do Reino Unido, Rio de Janeiro.. Eram pintores, arquitetos, escultores. Entre vários nomes destacavam-se Debret, Taunay e Montigny. Estes lideraram um processo de alinhamento do "gosto artístico" e as artes do Brasil às tendências europeias. Para tal houve uma forte difusão da estética Neoclássica no Rio de Janeiro. Levado pela euforia da Missão Francesa, D. João VI fundou em 1816, a Escola Real de Artes e Ofícios.

A Missão Francesa também criou obras enaltecendo a Corte do rei. Os aristas prestavam assim, serviços variados ao soberano, como pinturas de retratos e eventos ligados à Família Real, e a cidade, como organização de cerimônias e festejos púbicos, ou projeção e construção de palácios, decorados com relevos e estátuas.

Algum tempo depois, foi a vez da Missão Científica Austríaca chegar ao Brasil, trazendo médicos, pesquisadores e naturalistas austríacos e alemães, além é claro da comitiva que trazia a Arquiduquesa da Áustria, e esposa de D. Pedro, D. Maria Leopoldina de Habsburgo, filha do imperador Francisco José da Áustria.

A capital crescia e se urbanizava, a exemplo das principais capitais da Europa. O Rio de Janeiro nada deixava a desejar para as grandes Cortes do "Velho Mundo", fosse na infraestrutura urbana, ou na constituição da vida cultural e social da cidade, ainda mais a fundação do Museu Real, e da Sociedade de Sciências do Rio de Janeiro, duas das primeiras e principais instituições históricas e cientificas do Brasil, ambas fundadas em 1818. O Rio de Janeiro era a joia do Império, e os investimentos a transformaram na mais moderna capital da América. Mas os recursos não eram ilimitados. O grande capital reunido durante o Período Colonial, somado aos impostos e todo Tesouro trazido de Portugal, foram quase que totalmente gastos no reinado de D. João. Para tentar frear a crise no Tesouro, o rei reduziu as extravagâncias da Corte, extinguiu o fomento a manufatura e suspendeu obras e investimentos públicos na cidade, além de passar a vender títulos de nobreza a altos custos. Com essas medidas D. João VI conseguiu controlar as finanças do estado. Mesmo assim, as pressões externas começaram a incomodar o Governo Joanino, como a insatisfação dos ingleses em relação ao mercado brasileiro, somado a indignação dos portugueses pelo abandono do rei, e por estarem sendo governado por estrangeiros.


Revolução Liberal do PortoEditar

Após a queda de Napoleão, o Antigo Regime reconstruiria seus alicerces na Europa, e os portugueses que ficaram em Portugal, aguardavam ansiosos pelo retorno da Corte. Porém a demora no regresso à Portugal, e o predomínio britânico geraram revolta.

A população portuguesa estava profundamente descontente. Com a ausência do rei os nobres perderam seu prestígio social, os comerciantes enfrentavam a concorrência dos produtos ingleses, e os militares estavam subordinadas a um general britânico.

Em agosto de 1820, uma revolução estourou na cidade do Porto, e os revolucionários que a lideravam, destituíram Beresford da regência e criaram uma Junta de Governo. Logo a revolução convocou as Cortes Gerais e Extraordinárias de Lisboa, para a elaboração de uma constituição liberal para a nação portuguesa. Com as Cortes reunidas em 1821, os revolucionários passaram a questionar o absolutismo e a inquisição, pediram liberdade de imprensa, e a criação de um novo Código Civil e criminal para o reino. Além disso, exigiam o retorno de D. João à Lisboa.

Diante das pressões vindas de Portugal, D. João VI jurou fidelidade à futura Constituição e regressou. Organizou uma comitiva de 2 mil portugueses, somente os ministros, altos funcionários e conselheiros mais próximos, levando consigo também alguma quantia em ouro, livros e documentos históricos, e algumas obras. Em seu lugar, deixou o filho mais velho, D. Pedro de Alcântara, como Príncipe-regente do Brasil.

As Cortes não aprovaram a permanência do príncipe, pois o liberas ansiavam por recolonizar o Brasil. Os portugueses, na tentativa de enfraquecer D. Pedro, restringiram a autonomia politica e comercial brasileira. As províncias passaram a ser administradas por juntas fieis a Lisboa, e não mais ao Rio de Janeiro. Extinguiram-se os órgãos administrativos e os superiores tribunais brasileiros. A recolonização tomava corpo, faltando apenas o regresso de D. Pedro à Portugal para que fosse realizada.

Desde que chegou de Lisboa as ordens para que o príncipe regressasse, os chamados Dragões Liberais se articularam para garantir a permanência do príncipe no Brasil. José Bonifácio, presidente da Província de São Paulo, organizou um manifesto, pedindo "ao príncipe-regente D. Pedro sua permanência na Corte Brasileira". Assim, o príncipe decidiu atender aos pedidos que lhe chegavam. Em 9 de janeiro de 1822, ele anunciou que não regressaria à Portugal.

Para resguardar-se de possíveis intervenções das Cortes, D. Pedro adotou medidas. Constituiu um novo ministério, liderado por José Bonifácio, dando-lhe carta branca para a montagem de sua equipe. Ainda depôs as Juntas Provinciais, e designou líderes políticos locais para a gestão de cada província, segundo a vontade do povo, além de convocar um Conselho de Estado, que passaria a reportar-se diretamente ao governo regencial de D. Pedro. Em maio, o príncipe reforçou sua oposição as Cortes, decretando que as ordens de Lisboa só valeriam após sua aprovação. No mesmo mês, o Senado da câmara conferiu ao príncipe o título de "Defensor Perpétuo dos Brasileiros"

Aproveitando a instável situação politica do reino, revoltosos da Capitania do Rio Negro, que a anos ansiavam pela autonomia da região, declararam a independência do Grão-Pará e enviaram imediatamente representantes à Corte do Rio de Janeiro, para que fosse formalizado o ato dos rionegrinos. Porém, a grande influência paraense na politica nacional, fez com que a situação fosse sequer apreciada pelo Magistério ou pelo Conselho de Estado, ficando esquecido até 1823, após a Independência do Brasil.

Os meses se passavam, e a ruptura era iminente. Preparando-se para a independência, o governo buscava apoio antes da declaração formal. Foram enviados embaixadores a Washington, e José Bonifácio foi mandado à França, principal rival comercial dos ingleses, em busca de apoio militar e financeiro em troca da Guiana Francesa, tomada em 1809. Com outras medidas mais polêmicas os ânimos ardiam em Lisboa, e D. Pedro Consolidava o rompimento definitivo após declarar inimigas todas as tropas portuguesas que atracassem no Brasil. Em contrapartida, declarou abertos os portos brasileiros à França, que começariam a enviar navios dias depois da divulgação do decreto. As Cortes de Lisboa reagiram à altura, enviando despachos que anulavam os atos do regente, e o obrigando a retornar a Lisboa. No final daquele mês, D. Pedro percorreu o país para disseminar seu iminente reinado como monarca de um Brasil independente. Visitou Minas Gerais, Santa Catarina e São Paulo. No dia 2 de setembro, a regente D. Maria Leopoldina receberia os últimos despachos de Portugal, e no mesmo dia assinou a Declaração de Independência do Brasil. Os despachos foram enviados a D. Pedro por um mensageiro, que o alcançou em São Paulo, numa fazenda chamada Riachuelo Doce, em frente ao Riacho do Ipiranga, já em 7 de setembro de 1822, que na presença de seus conselheiros e militares, além dos camponeses da tal fazenda, deu o icônico grito de "Independência ou Morte", rompendo definitivamente os laços de Brasil e Portugal.


O Brasil independenteEditar

Para comemorar a liberdade, foram celebradas festas para o príncipe em São Paulo e no Rio de Janeiro. Quando chegou na capital em 15 de setembro, D. Pedro foi recebido com salvas, fogos e festa. Fez discurso em praça pública e foi abraçado pela população aos gritos de "salve o imperador".

Independence of Brazil 1888

Independência ou Morte, Pedro Américo (1888)

​​​​​​Em dezembro de 1822, no Rio de Janeiro, D. Pedro era sagrado e coroado imperador do Brasil, sob o título de D. Pedro I. A celebração encheu de pessoas a capital do mais novo império. Nobreza e Plebe se encontraram para comemorar a definitiva independência do Brasil. A ideia do império foi bastante disseminada e aclamada entre as camadas populares, principalmente pelo fato de remeter a memoria dos grandes impérios e imperadores do passado, tais como Júlio César, Napoleão Bonaparte Alexandre, o Grande. Conferir a D. Pedro I o status de imperador, era fazer do vasto Brasil as promessas de um futuro grande império que estava para se formar.

Diferente de todas as outras nações americanas, o Brasil não saiu da independência em crise. As repúblicas americanas terminaram suas guerras pela independência com uma economia devastada e com conflitos internos que foram fragmentando a antiga América Espanhola em vários países rivais e fragilizados. Curiosamente, mesmo durante a "guerra" a economia brasileira crescia, principalmente as industrias bélica, naval e metalúrgica. A independência também cessou o relacionamento tributário com a metrópole. Desde o Vice-reino, 60% de todos os tributos arrecadados no Brasil eram enviados a Portugal. A independência permitiu ao novo governo brasileiro dobrar seu orçamento, utilizando esse excedente para realizar novas políticas de incentivo à economia, reforçar e ampliar as forças armadas, estruturar a administração e a defesa das novas colônias, e realizar grandes obras de infraestrutura. Em seus muitos discursos, D. Pedro I enfatizava a importância da construção de uma força nacional.

Ao tornar-se independente de Portugal em 1822, a nação brasileira como um todo era na sua quase totalidade a favor da forma de governo monárquica. As razões para esta escolha política são diversas. Havia um verdadeiro temor por parte dos diversos grupos sociais da possibilidade de o Brasil sofrer o mesmo destino das colônias hispano-americanas, ou seja: caos político, social e econômico, desmembramento territorial, golpes de Estado, ditaduras e caudilhos. Era necessária uma organização política que permitisse ao povo brasileiro não apenas desfrutar de liberdade, mas que também garantisse estabilidade ao país, conforme o liberalismo em voga. Somente com uma entidade neutra, completamente independente de partidos, grupos ou ideologias opostas, seria possível alcançar tal fim. Outro motivo para a escolha da forma monárquica foi a necessidade de se fazer respeitar perante as potências da época, todas localizadas na Europa. A possibilidade, bastante real à época, de os países europeus buscarem dominar a jovem nação americana, fortaleceu o desejo de impedir a adoção da forma republicana a todo custo e assim evitar o eventual desmembramento territorial em repúblicas pequenas, fracas e em constante rivalidade entre si. Observando o que se passava nos países hispano-americanos e também em Portugal, presas fáceis da ganância europeia, principalmente britânica, viu-se que a manutenção da monarquia com um monarca de origem europeia atuaria como fonte de dissuasão e permitiria ao Brasil garantir a predominância dos seus interesses.

A primeira nação a reconhecer o Brasil como país independente fora os EUA, ainda em janeiro de 1823. A França e a Áustria vieram depois em 1824; seguidos do Império Russo, Espanha e Prússia, que reconheceram meses depois da Áustria. Finalmente Grã-Bretanha, então nação mais poderosa do mundo, reconheceria a independência junto com Portugal somente em 1825 com o Tratado do Rio de Janeiro.


Primeiro Reinado (1822-1831)Editar

O inicio do império foi turbulento, diante das rebeliões que estouravam no Grão-Pará, Maranhão, Piauí, Bahia e Cisplatina, províncias do reino que não aderiram de imediato a independência.

No Rio de Janeiro, o imperador coroado era responsável, pela posição que ocupava, por montar um Governo Provisório, para administrar e organizar a máquina pública do estado até a promulgação de uma Constituição. D. Pedro prosseguia com o projeto liderado por José Bonifácio, que fora nomeado para o cargo de Ministro do Governo, tendo tido liberdade para escolher um novo gabinete. Para esse novo gabinete, Bonifácio convidou o irmão Antônio Carlos e o amigo Manuel Veiga de Freitas, para os Ministérios de Império e de Estrangeiros, respectivamente.

O novo Governo Provisório foi formalmente empossado em Assembléia Geral no dia 12 de janeiro de 1823, com a missão de organizar a administração e a nova máquina pública do estado, ajustar as contas do Tesouro, e consolidar a independência do país.

Enquanto que o novo governo se organizava no Rio de Janeiro, o exército ainda lutava contra os revoltosos nas províncias. A repressão de D. Pedro para com portugueses que haviam permanecido no Brasil, tinha começado bem antes da independência. Como o Exército Brasileiro era uma força destreinada a época da independência, por conta da inexistência de uma força de defesa dos colonos, o imperador montou um batalhão todo formado por negros alforriados, mercenários e portugueses remanescentes e fieis ao Brasil, com apoio de comandantes franceses, como Pierre Labatut e Jean-Paul Toulusse. Nos mares, D. Pedro buscou a aliança com piratas, assim como faziam os colonos para defender o território colonial de invasores franceses, holandeses, ingleses, e até mesmo outros piratas dos mares ocidentais. Com o acordo, D. Pedro reuniu o maior número de piratas possível, e nomeou seus capitães corsários, organizando a chamada Confederação dos Corsários, que reuniu uma frota de 15 navios e 234 homens. Dentre os navios da Confederação estavam os famosos Galeão EspanholKraken e o maior desses, o tão temido Netuno.

A aliança com piratas para defesa e conquista territorial no Brasil seria algo normal, desde o inicio da colonização, até a conquista do grandioso Império Colonial Brasileiro, de ampla participação de corsários, que mais tarde seriam presenteados com a liberdade e altos cargos na Marinha. Durante os anos de 1870, cerca de 270 navios da Marinha, teriam sido reunido por piratas. Dentre os grandes corsários que adentraram a Marinha brasileira, estavam o Almirante Arthur Thomas, o Capitão Falange, e o comandante Javier Cruz Mattos, o Hispaniol.

No Rio de Janeiro, o governo pressionado enviou Francisco de Lima e Silva, para liderar as forças na Bahia. Mais tarde, partiu D. Pedro para liderar a expulsão dos portugueses no Maranhão. Em 2 de julho de 1823, a província da Bahia caiu, e foi incorporado ao Império Brasileiro. Em agosto foi a vez do Maranhão, em outubro o Grão-Pará, e em novembro a Cisplatina. As rebeliões foram caladas, e a unidade territorial e política do Brasil se manteve. Em algumas regiões, as rebeliões marcaram a queda de antigas lideranças políticas presentes desde o Período Colonial, entre elas o caso do Grão-Pará. Após a Proclamação da Independência, as forças politicas da província nortista, não reconheceram a fundação do estado brasileiro separado do português. Assim, seus lideres iniciaram uma rebelião contra o então príncipe D. Pedro I, declarando-se província fiel à Portugal.


Assembléia Constituinte (1823)Editar

Enquanto que as forças imperiais ainda lutavam para calar as rebeliões, no Rio de Janeiro foram convocadas eleições para uma constituinte.

D. Pedro convocou eleições para deputados constituintes, através de um sufrágio direto, excluindo mulheres, negros, escravos e analfabetos. A classe mais pôde votar, mas não eleger um representante popular. A Assembléia eleita era formada por aristocratas, juristas, fazendeiros, professores, médicos, e militares, autoridades clericais foram proibidas de lançar campanhas. Com o evento das revoltas provinciais, a Assembleia Nacional Constituinte, que havia de se reunir em julho foi adiada para dezembro, antes do recesso dos deputados e senadores.

Em 12 de dezembro de 1823, a Assembleia Nacional Constituinte se reuniu pela primeira vez, tendo sido iniciada com a Falla do Trono, onde o imperador ressaltou a importância de uma constituição digna dele próprio e do Brasil, lembrando que a função do imperador não poderia ser esquecida. O primeiro esboço do que poderia se tornar uma constituição, foi apresentado por Antônio Carlos de Andrada e Silva, irmão de Bonifácio. O texto causou incômodo nos corredores do Palácio, pois limitava drasticamente os poderes do monarca, e por tal motivo recebeu amplo apoio da ala liberal, mesmo que ele próprio fosse conservador.

Com as alterações no texto, o monarca ficava ainda mais limitado politicamente. Os ânimos ardiam na Assembleia, o povo se dividiu. Logo uma corrente se ergueu em defesa do imperador. Os deputados da ala conservadora se uniram e formaram o Partido dos Conservadores. Os "Leões conservadores", como também eram chamados, iniciaram um conflito politico com a ala liberal. Porém os "Dragões" eram maioria e o projeto estava para ser aprovado. Com os ânimos inflamados na Assembleia, era questão de tempo para a discussão politica ganhar adeptos nas ruas. Logo "quebra-quebras" e brigas envolviam populares na defesa do melhor modelo politico para o Brasil. O imperador deslocou seus batalhões para o controle dos conflitos populares, porém o mesmo não poderia fazer na Assembleia, ainda. As discussões se seguiam dia após dia, e as duas grandes correntes se degladiavam sem chegar a m consenso. Quando se aproximavam os festejos da Independência em seu primeiro aniversário, o texto de Antônio Carlos passava pela sua sexta alteração seguida, porém os Leões ainda não aceitavam as propostas liberais, e mesmo com a pressão das alas monárquica, a "Constituição de Andrada" caminhava para ser aprovada.

O imperador mostrou-se desgostoso com a situação na Assembleia, e as camadas populares exigiam uma solução, então reagiu as medidas limitadoras, em nome do "povo" e dissolveu a Constituinte. Em novembro de 1823, quando todas as rebeliões já haviam sido caladas, o imperador cercou o prédio com apoio dos militares, e decretou a dissolução da Assembleia.


A Carta Magna de 1824Editar

Após a dissolução da Constituinte em novembro de 1823, D. Pedro I convocou uma Assembleia de Notáveis escolhidos poe ele para aprontar uma nova constituição. Esse seleto grupo era formado por políticos portuguese e brasileiros que atuaram no governo de D. João VI, ou seja, eram defensores do Poder Imperial forte e simpatizantes do absolutismo. D. Pedro, na qualidade de imperador não poderia interferir diretamente na construção desta constituição, então nomeou amigos próximos para presidirem o conselho. Assim sendo, em 25 de março de 1824, a primeira constituição do Brasil foi aprovada e outorgada por D. Pedro I.

Em poucas coisas de diferenciava do projeto de Antônio Carlos, já que muitos de seus artigos foram reaproveitados neste texto. A Constituição do Brasileira estabelecia o Brasil como uma Monarquia Constitucional Parlamentarista. A forma de governo seria monárquica, sendo ela hereditária, representativa e unitarista. Ainda, o governo seria centralizado, fazendo com que as províncias devessem obediência ao Governo Central, localizado no Distrito Imperial do Rio de Janeiro. O estado brasileiro, como é, seria todo formada por Províncias que atuavam como unidades federadas à Coroa, "pequenas repúblicas dentro do império brasileiro", por sua vez, as províncias eram divididas em distritos e cidades. As cidades ou municípios seriam governadas por Prefeitos e as províncias por Presidentes. No nível nacional, haveria quatro poderes independentes que governariam o país; o Poder Moderador, reservado exclusivamente ao monarca, na qualidade de chefe de estado; o Poder Executivo, também reservado ao imperador junto ao seus ministros de estado; o Poder Legislativo, exercido pelos parlamentares através da Câmara dos Representantes (câmara baixa) e Senado Imperial (câmara alta); e o Poder Judiciário, exercido por juízes dos Tribunais.

Cada província elegia três deputados para um mandato de cinco anos, e quatro senadores para um mandato vitalicio, porém somente dois dos quatro assumiam pois ficavam a condição de escolha do imperador que apontava os senadores. Deputados e senadores poderiam perder direito ao seu mandato se cassados pela Suprema Corte Brasileira. Os deputados e senadores seriam eleitos através do voto censitário, baseado na renda miníma anual dos indivíduos. A religião oficial era a católica, que porém ficava subordinada ao estado.

A cidade do Rio de Janeiro seria capital do Império e Distrito Imperial, separado da Província do Rio de Janeiro, com capital em Niterói. Todas as capitais das Províncias eram consideradas cidades, e um conjunto de cidades de determinada região geográfica em comum, formariam um distrito. Haveriam ainda, futuramente, as cidades autônomas, que eram cidades independentes de províncias, porém, federados a União. Atualmente existem duas cidades autônomas: Zenith, Cádiz, ambas na Europa. 

Com o passar dos anos, a Constituição do Império do Brasil nunca foi completamente atualizada, sendo ela até os dias de hoje a mesma escrita em 1824, com adaptações pontuais à nova realidade do mundo. Atualmente, a Carta Magna brasileira prevê o direito de voto universal, um Estado laico e um número de quatro representantes e dois senadores por autonomia. Estas são atualmente reconhecidas se possuírem o estado de Província, Cidade-autônoma ou Território-autônomo. 

A escravidão não foi extinta de pronto, e os negros e índios não foram considerados cidadãos brasileiros. Porém foram criadas leis de proteção aos negros escravizados, como a Lei da Chibata, que proibia açoite e castigos corporais de escravizados em ambiente público e até domiciliar. Tanto Bonifácio como o imperador visavam a lenta e gradual extinção da servidão negra. Um exemplo disso eram as leis que obrigavam s senhores de escravos a pagarem multas e impostos altíssimos sobre a escravização. Bonifácio enxergava no futuro os negros como uma gigantesca mão de obra na industria brasileira, já o imperador, os via como braços fortes na guerra, fieis guerreiros na constante luta pela expansão do império. A escravidão no Brasil, somente veio a ser abolida no ano de 1888, no reinado do imperador D.Pedro II. Sua sucessora, a Imperatriz D. Isabel I, foi a responsável pela política de integração dos escravos abolidos no Brasil, realizando diversos projetos de reforma agrária, além de conceder empréstimos à juros baixos aos negros que queriam abrir um negócio próprio.


A Confederação do EquadorEditar

Com o passar dos tempos, as ideias e interesses do imperador e de Bonifácio divergiam, tendo porém a imperatriz D. Leopoldina como a moderadora dos ânimos, que buscava alinhar as ideias pelo bem do império.

Em 1825 D. João havia conquistado dos espanhóis a Banda Oriental, a qual nomeou Província Cisplatina. Foi palco de sangrentos combates entre Portugal e Espanha, mas com a independência de suas colônias, esse conflito passou para o Reino do Brasil e para a República das Províncias Unidas do Rio da Prata (Argentina).

O estopim da guerra foi uma revolta anti-brasileira iniciada em 1825 na província Cisplatina, apoiada militarmente pelas Províncias Unidas (Argentina) que queria recuperar este território. Vendo isto como uma afronta à sua soberania, o Brasil declara guerra à Argentina.

Desde o começo a guerra os brasileiros eram favoritos. O Brasil tinha uma economia diversificada e forte, exportando tanto produtos primários como industrializados; possuía um imenso litoral e portos bem distribuídos; tinha grandes e bem distribuídas industrias bélicas e navais e um população de 15 milhões; e tinha uma marinha e exército bem organizados e poderosos, criados durante as invasões holandesas no século XVII e melhorados durante o período joanino e da independência. As Províncias Unidas exportavam quase que apenas charque e couro; tinha grande parte de sua produção exportada exclusivamente pelo porto de Buenos Aires, facilmente bloqueável; já importava grande parte de seus armamentos e sua população era de apenas 600.000; tinha umas poucas tropas, porém milícias poderosas mantidas pelos caudilhos.

A situação geopolítica era favorável ao Brasil, mais perto de seus mercados consumidores na Europa, América do Norte e África, além de poder dificultar ou até interromper o trânsito comercial entre as Províncias Unidas e a Europa.

O primeiro ato do Brasil foi bloquear o estuário do Prata. Sabendo que dominava as cidades do litoral da Província Cisplatina e que os rebeldes estavam principalmente no interior, D. Pedro enviou tropas do Rio Grande do Sul para empurrá-los ao litoral e atacá-los por duas frentes. Com a província rebelde reconquistada, as tropas brasileiras atacam as terras argentinas entre os rios Paraná e Uruguai.

Enquanto isso, Grã-Bretanha e França, que se sentiam prejudicadas em seu comercio com o bloqueio do Prata, intimam o Brasil a desistir de suas pretensões, ordem essa não acatada. Isso gera descontentamento entre o Brasil quanto as potências europeias.

Enquanto isso, as Províncias Unidas atacam a Confederação do Prata, esperando usar suas reservas de armamentos e mantimentos, já que o porto de Buenos Aires estava bloqueado, para prolongar sua resistência contra os brasileiros.

Após muitas batalhas, as tropas brasileiras finalmente sitiam Buenos Aires, que luta por mais dois meses. Em 1826 os argentinos se rendem e dois meses depois são obrigados a assinar e ratificar o Tratado de Rosário, segundo o qual: as Províncias Unidas reconheceria a soberania brasileira sobre a Cisplatina; venderia as regiões entre os rios Paraná e o Uruguai; exigia que as Províncias Unidas abaixasse as taxas de importação para produtos industrializados brasileiros e que caso esta taxa fosse abaixada para produtos estrangeiros para uma porcentagem menor que para o Brasil, o mesmo deveria ser feito para produtos brasileiros.

Esse tratado foi criticado pelos países europeus e americanos, que o viam como um ato descarado de imperialismo. Ele marca o início da expansão imperialista brasileira nas Américas. Mas a Grã-Bretanha e França, que não queriam que um país forte controlasse a Bacia do Prata, pressionam o Brasil a desistir de sua soberania sobre a Cisplatina, dando a sua independência, embora não consigam fazer o Brasil desistir das outras exigências. Esta intervenção gerou um grande ódio geral da população contra a Grã-Bretanha. Em 1824, após muitas negociações dos diplomatas brasileiro e uruguaios, foi assinado o texto do Tratado de Emancipação e Paz, ou a Carta de Montevidéu, que fora votada no Magistério e no Senado, até ir a sanção real. Em 22 de abril de 1824, o imperador D. Pedro I e o ministro José Bonifácio assinaram o Tratado que emancipava pacificamente a Cisplatina, transformando-a no Uruguai. As influências brasileiras no Uruguai eram muitas; na politica; na religião; na língua; nas artes; na legislação, etc.

Como não experimentaram outro regime, tiveram medo de se tornarem uma república de caos politico, revoluções e instabilidade, o que lhes levou a optar pela continuidade da monarquia. Aclamaram D. Pedro I como rei do Uruguai, o que foi mal visto pela burguesia, porém aceito pelo Congresso. O Uruguai continuara a ser uma monarquia governada por brasileiros, porém com o nome de República do Uruguai.

Durante esse período, a industria se consolidou como uma das atividades econômicas mais importantes do país, principalmente com a decadência das tradicionais lavouras de exportação. O açúcar brasileiro, de cana, fora desalojado de seus principais mercados (Europa e Estados Unidos) pelo açúcar de beterraba. O algodão nordestino não resistira à concorrência do algodão norte-americano e oriental na Europa, mas se manteve por fornecer à indústria nacional. O tabaco perdeu seus mercados africanos em consequência do fim do tráfico de escravos. Essa crise nasceu de diversos fatores, mas um dos mais marcantes foi a abolição da escravidão que deu um grande prejuízo aos latifundiários e impediu as elites rurais de acumular qualquer poder político.

Durante esse período o governo lançou no mercado a nova moeda brasileira, desvinculada do denário novo da moeda portuguesa. Criou-se o Real (R$), que logo suplantou as outras moedas em circulação no Brasil e se tornou uma moeda forte no cenário internacional. É a moeda do Brasil e seus até hoje.


Período RegencialEditar

Após a guerra, o governo iniciou uma grande onda de obras públicas. Escolas, academias, estradas, portos, canais e edifícios administrativos, todos com o intuito de facilitar as atividades econômicas, gerar empregos e consumo. Também palácios, parques, museus, teatros, monumentos e bibliotecas foram construídas, visando espalhar a cultura, e render prestígio entre as outras nações.

O Palácio da Guanabara, no Rio de Janeiro, foi construído para que fosse digno de uma monarquia poderosa, que impusesse respeito e rendesse prestígio, diplomaticamente necessário, entre as nações europeias. Assim como o Castelo dos Pinhais, em Curitiba, e muitos outros pelo país.

No Rio de Janeiro, construiu novos edifícios públicos como o novo edifício do Senado Real, o Banco Central do Brasil, e expandiu a Real Biblioteca.

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Palácio Monroe, antigo Palácio do Senado, 1912.

​​​​​​Reformou e enxugou a máquina burocrática aumentando sua eficiência e diminuindo seu custo. No final da década de 1830, o lado rural da economia brasileira começara a apresentar sinais de recuperação, graças ao surgimento de uma nova lavoura de exportação, a cafeeira. O café era cultivado, a princípio, apenas para consumo doméstico e local. No começo do século XIX, transformou-se em um produto economicamente importante para o país. Com a abolição da escravidão em 1817, os fazendeiros financiaram a vinda de imigrantes europeus para trabalhar nas lavouras. As grandes fazendas de café se expandiram pelo Vale do Paraíba, na província do Rio de Janeiro, penetrando, em seguida, no sudeste de Minas Gerais e norte de São Paulo. O avanço do café coincidiu com a decadência das lavouras tradicionais, como açúcar. Entre 1837 e 1838, as exportações de café, destinadas principalmente aos Estados Unidos, correspondiam a mais da metade do valor dos produtos agrícolas exportados pelo Brasil. A lavoura cafeeira proporcionou aos grandes proprietários rurais do Sudeste o suporte econômico necessário para consolidarem uma importância econômica para a Província e a cidade de São Paulo, que logo cresceu com a instalação de industrias, empresas e bancos.

D. Pedro I continuaria suas políticas com as forças armadas que implementava desde 1815. Embora eficientes contra Portugal e as repúblicas latino-americanas, a marinha e o exercito brasileiro precisavam ser construídas para ser eficientes contra inimigos mais poderosos. A disciplina se tornou mais rigorosa e os treinamentos mais pesados. Incentivou-se a pesquisa de novas arma. Em 1845, o Exercito Nacional era um dos mais poderosos do mundo ocidental com homens bem equipados, em ótima forma, treinados nos mais variados tipos de combate e terreno. Quanto à Marinha Brasileira, em 1845, o Brasil possui uma frota poderosa, inovadora e avançada. Nessa época, a marinha brasileira, mesmo não sendo a maior, era a mais moderna e avançada do mundo. Um exemplo disso é que ainda nos anos 1850 os brasileiros faziam seus primeiros projetos e testes com veículos submarinos, algo que só aconteceria realmente no resto do mundo nos anos 1870. A Marinha Britânica podia ser a maior, mas à brasileira pertencia o segundo lugar. Visando também garantir os interesses brasileiros no exterior, o imperador, ainda em 1831, reestruturou a Guarda do Príncipe na Cavalaria Imperial, um tipo de policia pessoal do monarca, além de uma nova e oficial agência de inteligência, a Intendência Brasileira de Inteligência e Segurança (Ibis). Esse órgão seria muito importante durante o fim do século XIX e todo o século XX, sendo indispensável durante as guerras mundiais e a Guerra Fria.


O Segundo ReinadoEditar

1200px-Manuel de Araújo Porto-alegre - estudo para a sagração de Dom Pedro II - c. 1840

Coroação de D. Pedro II, Manuel de Araújo Porto-Alegre (1846)

A guerra também viu a ascensão de D. Pedro II ao trono em 1840 e de um governo menos "ávido por guerras e conquista". De acordo com o historiador Miguel Álvaro de Sá, "o fim do reinado de Pedro I também viu o fim do extremo militarismo brasileiro da época. Claro, o país ainda se manteve uma grande potência militar, mas, com exceção dos conflitos coloniais do além-mar, o reinado de Pedro II foi sem grandes conflitos e uma época de paz, prosperidade econômica e avanços científicos e sociais." O reinado de Pedro II, foi um período de grande prestígio para o país, que ascendeu em respeito e renome. Após a Guerra de Sucessão, o Brasil de D. Pedro II se viu lutar em somente duas guerras, a avassaladora Guerra do Paraguai (1850-1852), e a decisiva Guerra Anglo-Brasileira (1856-1858), que decidiu a paz no mundo e estabeleceu o Brasil como uma "superpotência" mundial. Mas apesar da politica diplomática de D. Pedro II, as guerras foram necessárias para a defesa do império colonial brasileiro e da vaidade de uma nação forte, rica e imperialista.

Sua hegemonia se estendia por toda a América. Sua marinha de guerra era maior do que as frotas de todos os outros países americanos combinadas. Seu exército era três vezes maior que todo o contingente do Exército Americano e suas milícias que lutariam na Guerra Mexicano-Americana além de muito melhor treinado e equipado. Os historiadores concordam que, em meados da década de 1840, o Brasil era a nação hegemônica no continente. Nenhum de seus antigos rivais, e nem mesmo os EUA, tinham capacidades para ameaçar o domínio brasileiro.

Desde a independência, o Brasil ansiava por desarticular qualquer influência europeia na América do Sul, se possível em toda a América. A compra da Guyana Holandesa em 1844, fez da Guyana Britânica o último remanescente colonial europeu em suas fronteiras. Com as relações entre Brasil e Grã-Bretanha se deteriorando cada vez mais, adquirir o território por diplomacia havia se tornado quase impossível, e a situação só se resolveria com a Guerra Anglo-Brasileira.

Em função de um sentimento de estabilidade para os interesses brasileiros no continente, a chamada Pax Brasílica, assim como o crescimento do patriotismo e do sentimento imperial brasileiro após a Guerra de Sucessão Portuguesa, o Brasil voltou seus olhos para o além-mar. A Guerra de Independência havia legado ao Brasil duas grandes colônias na África, como parte do Tratado do Rio de Janeiro de 1818 levou o Brasil a "adquirir um império em um único ciclo de dia e noite", segundo o então Primeiro-ministro Lorenzo Miguel Senna.

O Brasil continua as campanhas contra a Birmânia na Ásia, iniciadas por Portugal, e aumenta as guarnições na Bengala "Portuguesa", no Ceilão e em Macau.

Visando garantir um fluxo constante de carvão barato e de qualidade, o Brasil estabelece grandes projetos de mineração em Angola e Madagascar, assim como em países latino-americanos como a Venezuela e a Colômbia. Além disso, usou de sua influência política para que os países da América Latina concedessem concessões para empresas mineradoras do Brasil, que passaram a controlar a mineração e a retirar grande quantidade de minérios de seus vizinhos hispânicos.

Em 1850, a Revolta das Pérolas contra comerciantes brasileiros e os governantes dos vários xarifados da região, leva os sheiks a pedir ajudar do Brasil, que intervem no Golfo Pérsico e ocupa a região. Os diversos sheiks são compelidos a unificar os diversos xarifados em um novo país, a Arábia Oriental, sob o protetorado brasileiro. Enquanto isso, os brasileiros no Áden se expandem para o interior, lutando contra as diversas tribos árabes na região, ocupando o território que se chamaria Arábia Austral, atual Yêmen.

No território nacional, o Brasil incentivou a integração das populações conquistadas nas Guerras da Cisplatina e Latino-Americana. Tendo a educação pública como maior arma, o governo cultivou nesses povos sentimentos nacionalistas, a língua portuguesa e a cidadania brasileira. Além disso, essas regiões eram pouco populosas, e levas de imigrantes brasileiros introduziram novas técnicas, culturas agrícolas e indústria. O Equador, se tornou um próspero porto comercial e centro industrial, a adaptação brasileira das técnicas de cultivo andinas ancestrais, assim como uma maior mecanização do campo, com a invenção de máquinas apropriadas para o relevo dos terraços agrícolas dos Andes permitiu um grande aumento e diversificação da produção.

No Oeste Paulista cresceram as lavouras de café, que logo se tornaria um dos produtos agrícolas brasileiros mais valorizados na Europa. Os fazendeiros do café reinvestiam seus lucros nas fazendas e os excedentes em atividades industriais e comerciais na cidade de São Paulo, fazendo com que esta crescesse grandemente ao longo das décadas. O café brasileiro logo dominou o mercado e era exportado principalmente para a Europa e os EUA.

A eleição de Caravelas em 1840, levou ao Brasil sua politica liberal e integracionista. No início da década de 1840, o Brasil gozava de estabilidade interna e prosperidade econômica. A infraestrutura do país foi sendo desenvolvida, com o progresso na construção das estradas de ferro, do telégrafo elétrico e de linhas de navios a vapor em todo o país, que uniam o Brasil em uma entidade nacional coesa.

A agricultura estava sendo modernizada pela implantação de novas técnicas no campo, além do uso da mão de obra de imigrantes alemães, italianos e japoneses, aliando as suas técnicas tradicionais com os maquinários fabricados pelas siderurgias. O protecionismo agrícola favoreceu ainda mais os produtores nacionais que não tinham nenhum adversário estrangeiro nos mercados consumidores internos. Os principais produtos de consumo e exportação eram o café, o algodão, o açúcar, couros e peles. As mais diversas fábricas foram se erguendo velozmente por todo o império a partir de 1820, mas foi a partir de 1840 que a industria explodiu, atingindo todas as províncias, isso permitiu modernizar as cidades brasileiras e "receber os benefícios do gás, da eletricidade, do saneamento, do telégrafo e das empresas de bonde. O Brasil era um país moderno e cosmopolita." O país foi o terceiro no mundo a instalar modernos esgotos urbanos, o segundo a ter tratamento de esgoto e o pioneiro na instalação de um serviço de telefonia moderno, alcançando grande parte do território. Além de melhorias anteriores na infraestrutura, o império também foi o primeiro país da América do Sul adotar um sistema de iluminação elétrica pública e o segunda das Américas, atrás apenas dos Estados Unidos, a estabelecer uma linha telegráfica transatlântica, ligando-o diretamente com a Europa.  A primeira linha telegráfica nacional surgiu em 1843 no Rio de Janeiro. Em 1878, havia 18 925 quilômetros de linhas telegráficas ligando a capital do país às províncias brasileiras distantes, como o Pará, e até mesmo ligando o império a outros países da América do Sul, como Argentina e Uruguai.


A Guerra do ParaguaiEditar

Após a Guerra de Sucessão, as expansões imperialistas, o desenvolvimento da agricultura e da industria, o Brasil era uma grande potência mundial, a maior economia das Américas, a maior força militar da América Latina, a única da época capaz de peitar as forças britânicas, e um país de primeiro mundo. O Segundo Reinado marcava o inicio de um período de paz, crescimento e prosperidade. A economia era baseada na agricultura moderna e na industria de ponta. Durante as guerras e as expansões ultra-marinas, a industria se fortaleceu com a fabricação de navios e armamentos, com exploração de carvão no Brasil e outros minérios nas minas africanas, além das industrias têxteis na fabricação de roupas, chapéus etc. Além disso, as companhias de gás que iluminavam as cidades, as companhias de navegação a vapor que ajudavam no escoamento de produtos. O avanço da industria e o avassalador crescimento do Brasil, lhes dava grande prestigio e controle na América e no mundo.

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Batalha do Riachuelo, por Eduardo de Martino.

Porém, uma outra nação sul-americana estava tentando ofuscar a influência brasileira sobre a América do Sul. O Paraguai, havia tornado-se um país rico através da politica nacionalista de Solano Lopez. Com uma industria forte capaz de suprir o mercado interno, podia também comercializar os excedentes com outros países. Isso podia afetar gravemente a economia brasileiro, já que era único pais industrializado, sendo assim, o único capaz de exportar produtos manufaturados para seus vizinhos. O exercito paraguaio era o segundo maior da América Latina, fruto de um país centralista e militarizado. Todos esses fatores fizeram o Brasil esquecer o cenário internacional e suas relações deterioradas com a Inglaterra, para preocupar-se com suas fronteiras e seu poderio econômico sobre as Américas.

Outra guerra civil começou no Uruguai e colocou seus partidos políticos uns contra os outros. O conflito interno levou ao assassinato de brasileiros e ao saque de suas propriedades uruguaias. O gabinete progressista do Brasil decidiu intervir e despachou o exército, que invadiu o Uruguai em dezembro de 1848, começando a breve Guerra do Uruguai. O ditador do Paraguai, Solano López, aproveitou-se da situação do Uruguai no final de 1848 para tentar estabelecer o seu país como uma potência regional.

O Brasil pôs fim à guerra civil uruguaia ao depor o governo uruguaio do ditador Atanásio Aguirre, do Partido Blanco e aliado de Solano López. O ditador paraguaio se opôs à invasão brasileira do Uruguai, porque contrariava seus interesses. Começava o mau estar entre o Brasil e o Paraguai. Lopez atacava o imperador, e a população brasileira ficava indignada, o Magistério atacava cobrava o primeiro-ministro. Caravelas enviou forças nas fronteiras do Rio G. do Sul. D. Pedro II, que também era monarca do Uruguai, reposicionou forças brasileiras nos limites com o Paraguai.

O conflito iniciou-se com o aprisionamento no porto de Assunção, em 11 de novembro de 1850, do barco a vapor brasileiro Marquês de Olinda, que transportava o presidente da província de Mato Grosso, Frederico Carneiro de Campos, que nunca chegou a Cuiabá, morrendo em uma prisão paraguaia. Seis semanas depois, o exército do Paraguai sob ordens de Solano López invadiu pelo sul a província brasileira de Mato Grosso. Antes da intervenção brasileira no Uruguai, Solano López já vinha produzindo material bélico moderno, em preparação para um futuro conflito com a Argentina mitrista, e não com o Império. Solano López alimentava o sonho expansionista e militarista de formar o Grande Paraguai, que abrangeria regiões argentinas, do Uruguai, do Rio Grande do Sul, do Mato Grosso e o próprio Paraguai. Objetivando a expansão imperialista, Solano López instalou o serviço militar obrigatório, organizou um exército de 80 000 homens, reaparelhou a Marinha e criou indústrias bélicas.

Em maio de 1841, o Paraguai também fez várias incursões armadas em território argentino, com objetivo de conquistar o Rio Grande do Sul. Em resposta, o Brasil, reagiu, invadindo, aliado do Paraguai

O Império do Brasil, e aliados, derrotaram o Paraguai após dois anos de lutas durante os quais o Império enviou em torno de 150 mil homens à guerra, navios com milhares de soldados, armamentos e canhões . Cerca de 50 mil não voltaram mais de 50% de suas tropas faleceram durante a guerra — apesar de, em números absolutos, serem menos significativas. Já as perdas humanas sofridas pelo Paraguai são calculadas em até 300 mil pessoas, entre civis e militares, mortos em decorrência dos combates, das epidemias que se alastraram durante a guerra e da fome.

O Paraguai foi esmagado. A derrota humilhante marcou uma reviravolta decisiva na história do Paraguai, tornando-o um dos países mais atrasados da América do Sul, devido ao seu decréscimo populacional, ocupação militar por quase dez anos, pagamento de pesada indenização de guerra, no caso do Brasil até a Segunda Guerra Mundial, e perda de praticamente 40% do território em litígio para o Brasil e Argentina. Após a Guerra, por décadas, o Paraguai manteve-se sob a hegemonia brasileira.


A Guerra Anglo-BrasileiraEditar

Após o fim da Guerra do Paraguai, o Brasil viveu um período de paz e prosperidade. Seu império colonial se expandia, agora por meio de acordos diplomáticos, a economia era a segunda maior do mundo, atrás dos ingleses, e a população vivia um momento de ascensão social e econômica. Na Europa, e em outros países do mundo, o Brasil era visto como uma grande potencia e uma nação moderna e cosmopolita, somente uma outra potencia não compartilhava dessa visão com o mundo, a Inglaterra.

Seguindo os diversos conflitos nas relações brasílico-britânicas desde a independência brasileira. A Grã-Bretanha ansiava pelo controle de todo o subcontinente indiano, mas esbarrava nas áreas sob o controle do Brasil. Havia também outros fatores como: o jogo de influências entre Brasil e Grã-Bretanha no Oriente Médio e na Índia; a rivalidade entre os dois países pelo controle da Birmânia, que o Brasil já iniciara a colonizar, esbarrando nos interesses britânicos; a disputa pelas Ilhas Falkland, que estavam sob o domínio britânico mas dentro da região sob influencia brasileira; a Questão de Cingapura, uma colônia brasileira encravada na ponta da Malásia (colônia britânica) e rota estratégica na navegação para o Extremo Oriente; havia o interesse britânico no Ceilão Brasileiro; e o desejo do Brasil de ter boas bases para contrabalançar a crescente influência norte-americana sobre o Caribe, sendo as Bahamas e a Jamaica (colônias britânicas) perfeitas por sua localização estratégica; havia também o desejo brasileiro de acabar com qualquer influência européia na América do Sul e anexar a Guyana Britânica.

O estopim da guerra, a Questão Christie, que cortou as relações da Inglaterra com o Brasil, ainda somados a Questão Indiana, que teve como principal fator a má definição das fronteiras e o contrabando brasileiro em colônias britânicas, foram suficientes para a declaração de guerra. Com informações prévias a respeito da mobilização das tropas britânicas, o Brasil solidificou suas defesas em preparação para a ofensiva britânica. Uma escaramuça entre colonos britânicos e brasileiros na Bengala, levou as guarnições dos respectivos países a se mobilizarem para proteger seus cidadãos. Com 800 mortos em ambos os lados, a Escaramuça de Calcutá, foi alardeada pelas mídias brasileira e britânica, inflamando os ânimos.

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Artilharia brasileira na região da Bengala.

Em 1857, a Grã-Bretanha declara guerra ao Brasil que, preparado, resistiu vencendo quase todos os encontros iniciais no subcontinente indiano. O Brasil ocupou Gibraltar e reforçou a Linha Açoriana, que patrulhando todo mar entre Cádiz e a base de Raoni Castro, mas, furando a Linha e os perímetros de defesa navais do país, a Grã-Bretanha invade o Brasil pelo Grão-Pará, ocupando Belém. O Brasil ocupa a Jamaica. Após batalhas navais inconclusivas no Caribe, vitórias brasileiras nos oceanos Índico e Atlântico Sul, e derrotas no Atlântico Norte, o Brasil expulsa os britânicos do Pará e ocupa a Guyana Britânica.

Em 1859, os resultados inconclusivos já haviam desgastado os ânimos pela guerra. Por outro lado, a Rússia empreendia guerra contra o Império Turco-Otomano e a vitória russa seria desastrosa para os interesses britânicos. A Grã-Bretanha desejava entrar na Guerra da Crimeia ao lado da França para ajudar os turcos. No mesmo ano, os Grã-Bretanha e Brasil se encontraram em Genebra, onde os dois lados reconheceram um cessar-fogo. Os dois países resolvem suas pendências com a Paz de Genebra. O Brasil desocupa Gibraltar, e desiste de suas pretensões sobre as colônias britânicas no Caribe. A Grã-Bretanha cede a Guyana Britânica e as Ilhas da Geórgia do Sul, que viria a se tornar um território, ao Brasil reconhece as colônias brasileiras no subcontinente indiano e os dois países definem fronteiras entre suas colônias. Cingapura continua uma colônia brasileira, mas se torna um porto livre para navios britânicos e o Brasil se compromete a nunca bloquear o acesso britânico pelo estreito de Málaca e vice-versa.

Paz de Genebra pôs fim à rivalidade anglo-brasileira. Uma consequência da guerra foi a futura reformulação do modo de guerra naval. A marinha britânica era a maior do mundo, mas às vésperas da guerra a Marinha Nacional possuía uma quantidade razoável de baterias flutuantes, um tipo de navio blindado. Muitas batalhas foram vencidas por causa da vantagem tecnológica dos navios brasileiros, pegando os britânicos de surpresa. Ao longo da guerra, a marinha britânica e outras marinhas europeias começaram a usar do mesmo tipo de navio, que se provaram importantes na Guerra da Crimeia Após a guerra, as relações anglo-brasileiras melhorariam rapidamente, assim como as opiniões públicas. Na alvorada do século XX, Grã-Bretanha e Brasil tinham relações amistosas. A guerra também confirmou o Brasil como a segunda maior potência naval do século XIX.


Período entre-guerrasEditar

Após o início do Segundo Reinado, floresceu no Brasil o ideal pacifico e diplomático de D. Pedro II. O imperador herdou de seu pai, D. Pedro I, uma potência militar e econômica, um país essencialmente imperialista, fruto da politica expansionista da "Primeira Era Pedrista". Porém a grandeza econômica e militar do império, não condizia com suas condições sociais. Com a forte indústria bélica e siderúrgica, as condições de trabalho eram precárias, as jornadas diárias de trabalho chegavam a 18 horas, a insalubridade dos locais de trabalho geravam doenças que acometiam os trabalhadores, assim causando grandes surtos nas capitais, adoentando mais pessoas. As moradias eram muitas vezes cortiços decadentes. [2]Cortiço no centro do Rio de Janeiro, 1840. As populações negras libertas em 1815 não tiveram muita perspectiva de melhoria, pois não tinham nem educação básica. Somente em 1818 que a educação se tornou um bem de todos e os filhos e netos de ex-escravizados adentraram as escolas e melhoraram de vida. Os negros que não tiveram acesso a educação foram integrados a sociedade através dos planos de inclusão de D. Pedro I, com seu lema "Mãos pesadas na indústria, braços fortes na guerra". Os negros ou trabalhavam nas fabricas e campos, ou serviam na guerra. Os que melhor se saíram foram os agricultores e militares. Os agricultores trabalhavam nos campos da Coroa e recebiam altos salários, enquanto que as cargas de trabalho eram baixas, quando comparadas com a indústria. Assim os agricultores iam enriquecendo e compravam seus próprios campos. Os mulatos e negros passaram a ingressar na politica, graças a crescente influência dessa nova classe. Logo negros, que outrora eram escravos, tornavam-se políticos, militares, ricos comerciantes, burgueses e aristocratas. Ainda sim, outra parcela da população negra não era tão prospera. Mais da metade da mão de obra industrial era formada por negros, sendo só 30% dessa mão de obra formada de brancos e imigrantes europeus, asiáticos e judeus. Como as cargas de trabalho eram altíssimas e os salários baixos, a qualidade de vida dessas pessoas era baixa. Essas populações não tinham como se manter nas cidades e firam migrando para os morros, bem longe da camada urbana, onde construíam seus barracos, originando as favelas. A Guerra do Paraguai piorou tudo.No período de paz entre a Guerra do Paraguai e a Guerra Anglo-Brasílica, o governo agiu na saúde pública. Contratavam médicos da Europa para ajudar a erradicar as doenças. Os cortiços e barracos foram sendo derrubados e sanitarizados. Obras de saneamento tomavam as capitais. As fabricas foram fiscalizadas para oferecerem melhores condições de trabalho. Hospitais públicos foram sendo construídos, logo a peste bubônica e a febre amarela foram erradicadas.

Porém o desafio era a Grande Guerra Anglo-Brasileira. Com o fim do conflito e o cessar-fogo, o Brasil saiu fortalecido. A capacidade industrial triplicou. O contingente militar teve um aumento avassalador. As ferrovias "costuravam" o Brasil de norte a sul, e a navegação à vapor integrou a Amazônia ao resto do país. As companhias ferroviárias foram sendo nacionalizadas, minando assim a influência europeia na economia. Os minérios de carvão e ferro e a importação do barato carvão da África, deram um empurrão na economia, o que levou o Brasil a ser o país mais rico das Américas.

Com o fim dos conflitos, D. Pedro II virou seus esforços para a melhoria das condições socioculturais. A educação foi seu principal foco. Por meio do mecenato, o imperador financiava do próprio bolso estudos de brasileiros na Europa, na condição que um dia iriam regressar ao Brasil para aplicar todo o conhecimento captado na Europa.

Num passo largo, em curto espaço de tempo, construíram-se escolas por todo o país, principalmente nas maiores cidades. Foi fundada a Imperial Universidade Pedro II, onde professores eram trazidos de Coimbra e de Oxford para lecionarem aqui. Foram reformadas e modernizadas a Universidade Magisterial da Bahia, a mais antiga da América Latina, e a Universidade de Nassau em Recife. Disciplinas éticas e morais eram ensinadas nas escolas, assim como as atividades cívicas, onde cantava-se o hino nacional, fazia-se o juramento da "Lealdade à Pátria-Mãe", lia-se a constituição do Império, etc. A figura do monarca era sempre exaltada nas escolas, para os alunos, o imperador era um herói nacional e um líder humilde, amável e generoso, já que o imperador era muito próximo da classe dos professores e dos estudantes. O imperador acompanhava eventos nos colégios, e quando não podia viajar, as princesas representavam o monarca pelos sarais do país.

A partir dos anos 1870, os brasileiros passaram por uma reeducação de valores e deveres morais. Após a libertação dos escravos em 1815, 90% da população era analfabeta, em 1818 após a Declaração dos Direitos Nacionais, a taxa de analfabetos era de 88%. Mas foi a partir de 1840, início do Segundo Reinado, e 1850, instituição do Direito Comum a Educação, que a taxa de analfabetos caiu para 10% da população. O ensino básico era direito e dever de toda criança brasileira, branca, negra, índia, cabocla, cafuza, e brasileiros descendentes de imigrantes como japoneses, alemães, italianos, espanhóis, judeus, árabes, etc. A educação tornou-se uma ponte para uma melhor qualidade de vida. O ensino profissionalizante formou jovens e adultos para trabalhar nas fabricas e serviços do estado.

A ponte estabelecida entre a educação e a cultura foram fundamentais para a formação de uma sociedade mais culta. Grandes poetas e escritores viajavam Brasil adentro para divulgar a literatura nas escolas. Aqueles que por meio do imperador foram estudar na Europa, regressaram ao Brasil como mestres nos seus oficios. Muitos eram professores, filósofos, matemáticos, advogados, médicos e outros eram poetas, pintores, atores, escultores, dançarinos e compositores, que ajudaram na propagação da cultura. Após a independência em 1817, a pintura, a escultura e a arquitetura foram influenciadas por símbolos nacionais e da monarquia, já que ambos ultrapassaram os temas religiosos em importância. O antigo estilo barroco anteriormente dominante foi substituído pelo neoclassicismo. Novos desenvolvimentos apareceram, como o uso do ferro na arquitetura e o aparecimento da litografia e da fotografia, o que revitalizou as artes visuais. A criação da Academia Imperial de Belas Artes pelo governo em 1814 desempenhou um papel fundamental na influência e na expansão das artes visuais no Brasil, principalmente, ao educar gerações de artistas, mas também por servir como uma orientação estilística.  As origens da Academia de Belas Artes estão na fundação da Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios em 1816, pelo português D. João VI. O principal objetivo da escola era incentivar a estética francesa e o estilo neoclássico para que substituíssem o estilo barroco predominante. Atormentada pela falta de recursos desde a sua criação, a escola foi mais tarde renomeada "Academia de Belas Artes" em 1820 e, em 1824, recebeu o nome definitivo sob o império: Academia Imperial das Belas Artes.

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Academia Imperial de Belas Artes, Rio de Janeiro.

Foi só depois da coroação de D. Pedro II, em 1840, que a Academia se tornou uma potência, parte do grande esquema de fomentar uma cultura nacional e, consequentemente, unir todos os brasileiros em um sentido comum de nacionalidade. Pedro II iria patrocinar o cultura brasileira através de diversas instituições públicas financiadas pelo governo, não restritas à Academia de Belas Artes, tais como o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e Academia Imperial de Música e Ópera Nacional. Esse patrocínio estatal abriria o caminho não apenas para as carreiras dos artistas, mas também para aqueles envolvidos em outros campos, incluindo historiadores como Francisco Adolfo de Varnhagen, e músicos, como o compositor operístico Antônio Carlos Gomes. Na década de 1840, o romantismo tinha largamente suplantado o neoclassicismo, não só na pintura, mas também na escultura e na arquitetura.  A Academia não resumia seu papel em simplesmente fornecer educação: prêmios, medalhas, bolsas de estudo em países estrangeiros, fundos eram usados ​​como incentivos culturais.  Alguns dos seus funcionários e alunos foram alguns dos mais renomados artistas brasileiros, como Simplício Rodrigues de Sá, Félix Taunay, Manuel de Araújo Porto-Alegre, Pedro Américo, Victor Meirelles, Rodolfo Amoedo, Almeida Júnior, Rodolfo Bernardelli e João Zeferino da Costa.

Através do Livre Direito à Educação e a Cultura, o Brasil gerou uma população amplamente educada, patriótica, culta e responsável. Por conta dessa educação de ponta, as produções cientificas e tecnológicas tiveram grandes avanços e foram amparados pelo estado, que criou o Instituto Soroterápico (atual Instituto Oswaldo Cruz), o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e a Academia Imperial de Ciências e Matemática, além de centros universitários de excelência em pesquisas cientificas, como a Universidade Pedro II, a Universidade Magisterial da Bahia e a Universidade de São Paulo. Os avanços na educação permitiam avanços sociais e a modernização das cidades. As grandes capitais ganhavam sistema de telefonia e iluminação elétrica. Em 1874, inaugurava-se a Linha Telegráfica entre o Brasil e a Europa, via cabo submarino. Um ano depois era inaugurado a Linha telegráfica Brasil-Washington. No exercito a modernidade chegava na otimização na fabricação de canhões mais fáceis de locomoção e de maior alcance. Na marinha, o Brasil fabricou seu primeiro submarino. E em 1872, construiu os primeiros torpedos submarinos intercontinentais.

As siderúrgicas se espalharam pelo litoral, porém grande parte da produção ficou no Espirito Santo, Rio de Janeiro, e em menor parte São Paulo. As grandes fabricas produziam peças de bondes e trens para montá-los ou exportá-los, enquanto que as siderúrgicas produzia engenhos de açúcar movidos à vapor, pontes e tubos de ferro, canhões de bronze, fornos siderúrgicos, bombas hidráulicas, etc.

No litoral do nordeste e ao sudeste, estaleiros produzindo navios mercantes. As fabricas de sabão, velas, roupas, foram sendo isoladas nas pequenas cidades, principalmente ao sul, onde se tinham couros e peles. Carruagens, bondes elétricos, trens, trilhos de aço e trilhos de bonde, facilitavam a agilidade no transporte. A fabricação de trilhos, a construção de estradas de ferro e a concessão de sua administração, ajudaram no crescimento da indústria. Assim os serviços impulsionaram o seu crescimento, companhias de mineração, companhias de gás e energia, de estradas de ferro e transportes urbanos, auxiliavam na indústria moderna. A modernidade também chegavam ao exército e a marinha. A fabricação de navios armados, submarinos, torpedos, canhões de longo alcance, eram exemplos da produção bélica.


A borracha na AmazôniaEditar

Durante os primeiros quatro séculos e meio do descobrimento, como não foram encontradas riquezas de ouro ou minerais preciosos na Amazônia, as populações da hileia brasileira viviam praticamente em isolamento, porque a coroa portuguesa e, conseguia concretizar ações governamentais que incentivassem o progresso na região. Vivendo do extrativismo vegetal, a economia regional se desenvolveu por ciclos (Drogas do sertão), acompanhando o interesse do mercado nos diversos recursos naturais da região. Após a independência, o grande território do Grão-Pará se dividiu em três províncias; o Amazonas; o Amapá e o Pará. Com inicio da navegação à vapor em 1867, chegavam gaúchos e mineiros à Amazônia, além de vários outros povos, como os japoneses, árabes, franceses, polacos, judeus, espanhóis, entre outros

Para extração da borracha neste período, acontece uma migração de nordestinos, principalmente do Ceará, pois o estado sofria as consequências das secas do final do século XIX.

O desenvolvimento tecnológico e a Revolução Industrial, na Europa, foram o estopim que fizeram da borracha natural, até então um produto exclusivo da Amazônia, um produto muito procurado e valorizado, gerando lucros e dividendos a quem quer que se aventurasse neste comércio.

Desde o início da segunda metade do século XIX, a borracha passou a exercer forte atração sobre empreendedores visionários. A atividade extrativista do látex na Amazônia revelou-se de imediato muito lucrativa. A borracha natural logo conquistou um lugar de destaque nas indústrias da Europa e da América do Norte, alcançando elevado preço. Isto fez com que diversas pessoas viessem ao Brasil na intenção de conhecer a seringueira e os métodos e processos de extração, a fim de tentar também lucrar de alguma forma com esta riqueza. Para proteger a borracha brasileira seringalistas criaram o Clube da Borracha, a qual controlava a produção da borracha e fiscalizava sua exportação, assim minando a influência estrangeira. Com tal medida, a riqueza se concentrava na região, promovendo uma prosperidade nas províncias nortistas. Tal prosperidade levou a ascensão de uma nova classe rica, a dos Barões da Borracha.

Bonde na eduardo ribeiro

Bonde elétrico na Eduardo Ribeiro, principal avenida de Manaus, 1882.

A partir da extração da borracha surgiram várias cidades e povoados, depois também transformados em cidades. Belém e Manaus, que já existiam, passaram então por importante transformação e urbanização. Manaus foi a segunda cidade do Brasil, depois de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, a introduzir a eletricidade na iluminação pública. Assim, cria-se a viabilidade para o bonde elétrico. A chegada dos europeus, levou os governos a investiram na melhoria dos portos. A independência financeira da Amazônia levou o auto-investimento nos variados setores. A vida nas Capitais da Borracha (Manaus e Belém) era muito extravagante. Os seringalistas adotaram estilos de vida luxuosos, comparado as capitais europeias. Suas casas eram suntuosos palacetes espalhados pela cidade. Carruagens adornadas e riquíssimas passeavam pelas ruas. As cidades de Belém e Manaus, eram na época consideradas cidades brasileiras das mais desenvolvidas e umas das mais prósperas do mundo. A planta da cidade de Manaus passou a ser construída em moldes dos padrões europeus. As ações do governo, nessa época, limitavam-se a cidade de Manaus, dando pouco importância ao interior da província. Dessa forma toda a riqueza e poder estava concentrada na capital. Ambas as cidades possuíam luz elétrica e sistema de água encanada e esgotos. Viveram seu apogeu entre 1880 e 1920, gozando de tecnologias que outras cidades do sul e sudeste do Brasil ainda não possuíam, tais como bondes elétricos, avenidas construídas sobre pântanos aterrados, sistema de tratamento de esgoto, além de edifícios públicos, como museus, bibliotecas, colégios, universidades, casa populares, também teatros, praças e parques. Catedrais e basílicas ricas se espalhavam pelas cidades. As noites se animavam com os cinemas, salões, bares, cabarés, cassinos, teatros, entre outros. Enquanto isso a chegada dos europeus, japoneses, árabes e judeus impulsionara o comercio. Lojas de tecidos e roupas, chapéus, sapatarias, joalherias, serrarias, perfumarias. Nos mercados populares vendia-se especiarias regionais e orientais.
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Teatro Amazonas em Manaus, um dos luxuosos edifícios construídos com as fortunas da borracha.

Obras caríssimas, como o Teatro Amazonas, mostravam o poder da borracha. A influência européia logo se fez notar em Manaus e Belém, na arquitetura da construções e no modo de viver, fazendo do século XIX a melhor fase econômica vivida por ambas cidades. A Amazônia era responsável, nessa época, por quase 40% de toda a exportação brasileira. Os novos ricos de Manaus tornaram a cidade a capital mundial da venda de diamantes. Graças à borracha, a renda per capita de Manaus era duas vezes superior à da região produtora de café, como São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Com as restrições impostos aos estrangeiros, a única forma de lucrar com a borracha era trazendo indústria que tinha o látex como base. Logo chegavam as novas fábricas dos produtos advindos do látex. Aliado a modernidade, Manaus foi a primeira cidade do Brasil a fabricar os automóveis, em 1910.

Os barões investiam muito na educação e na cultura. Investiam na construção de escolas no interior das províncias, e nas capitais patrocinavam a criação de colégios, museus, teatros, bibliotecas. Traziam artistas e companhias da Europa. Logo as capitais tinham seus próprios artistas e orquestras. Obras literárias e pinturas retratavam a região. Esculturas resgatavam figuras gregas, mas também tinham características índias. Os monumentos embelezavam as capitais com fontes, obeliscos, estatuas, figuras sacras e históricas. Entre eles o Arco da Liberdade, em Manaus. Escolas de música e de artes plasticas passaram a ser fomentadas. Logo nasciam grandes expoentes da pintura e da música brasileiras na Amazônia. Manaus tornava-se a Capital Nacional da Cultura.

O apogeu da borracha se estendeu até 1910 em Belém, e até 1920 em Manaus, quando a indústria já era base da economia nacional.


A partilha da ÁfricaEditar

Desde o cessar-fogo na Guerra Anglo-Brasileira, a Inglaterra e o Brasil estabeleceram a paz e a amizade. Após o fim do conflito, a Inglaterra sabia que havia ganho um rival, ou um aliado, forte e a altura, e tinha de respeitar o Brasil. Parcerias começavam a se formular. Uma politica de defensivas foi acordado entre esses países, assim o Brasil defendia a Inglaterra na América, e a Inglaterra defendia o Brasil no mundo. Logo as nações do mundo temiam e respeitavam o imperador D. Pedro II.

Em novembro de 1884, a rainha Victória, convidava D.Pedro II para tratar de assuntos internacionais. Alguns dias depois ocorreria na Alemanha, a Conferencia de Berlim, e a Inglaterra contava com o apoio e a voz do Brasil nessa ocasião. A Conferencia, realizada entre novembro de 1884 e fevereiro de 1885, serviria para "dividir" diplomaticamente o território africano. Nações que tinham posses na África, além de potencias da época foram convocadas. Assim, estavam presentes; Portugal, França, Inglaterra, Espanha, Itália, Bélgica, Brasil, Áustria, Império Otomano, e a convite do Brasil, os Estados Unidos.

A conferencia determinou que Leopoldo II governaria o Estado Livre do Congo de sua propriedade. Foi determinado também o fim da escravidão, coisa que no Brasil não existia desde 1817. Os territórios foram sendo repartidos entre as potencias europeias e o Brasil. A Inglaterra e a França ficaram com os domínios maiores. O Brasil que havia ficado somente com o Cabo Verde, reclamou seus direitos no Tratado do Rio de Janeiro, tomando assim São Tomé e Príncipe e a Guiné. Ainda, repartiu a Angola, na Angola Ocidental Brasileira e na Angola Portuguesa, e Moçambique no sul e no norte, a qual o norte era do Brasil. Assim todas as ilhas afrente de Moçambique do Norte pertenciam ao país, até mesmo Madagascar, porém o Brasil ficou com apenas um pedaço litoral de Madagascar.

Com a exploração mineral nas colonias, a descoberta de outras minas no Brasil, e o inicio da perfuração de poços de petróleo, a indústria deu um salto gigantesco. A agricultura foi mecanizada. Assim, o café agilizou sua produção e voltou a ser o produto mais exportado do Brasil.

As colônias africanas, tinham total liberdade de governo. Metade dos impostos ficavam nas colônias para investir em políticas e obras públicas. A exploração desses países levaram inúmeros benefícios econômicos e sociais. As nações repartidas, Angola e Moçambique, se reuniram em 1921 e 1924, respectivamente, e somente Moçambique declarou independência, em 1954, porém continuou fazendo parte da Coroa Brasileira, como observador. Enquanto que Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné e Angola, continuaram tendo o imperador como seu chefe de estado.


A morte de D. Pedro IIEditar

Após o Congresso do Panamá, foi organizado pelos países americanos uma outra reunião de representantes das nações do continente americano. Brasil, Estados Unidos e México, as nações mais fortes, tiveram mais voz nas decisões. Vários acordos foram firmados entre todos os países, entre eles o Tratado do Panamá.

O Tratado do Panamá, foi um acordo firmado entre o Brasil e os EUA, para delimitação de influência regional, desta forma nenhum dos dois países esbarrariam nas decisões um do outro. O tratado estabelecia que; do Panamá para cima era zona de influência americana; e do Panamá para baixo era zona brasileira. O acordo foi primordial para a criação do eixo Rio-Washington, hoje Brasilia-Washington, de cooperação econômica. A parceria Brasil-EUA foi muito importante também durante as Guerra Mundiais e a Guerra Fria. O Tratado foi seguido durante muitos anos, até o fim da guerra fria, quando o Brasil tentava invadir e democratizar a Cuba (zona americana), e os Estados Unidos tentando financiar uma ditadura na Argentina e no Chile (zonas brasileiras). O fim da guerra fria marcou também o surgimento de novas potencias regionais, como o Canadá, a Argentina, e o Chile.

Alguns meses após a conferencia, um fato triste chocou o mundo. O Imperador do Brasil, D. Pedro II, falecia no Rio de Janeiro acometido por uma pneumonia. No dia seguinte, milhares de personalidades compareceram a cerimônia realizada na Capela Imperial. Além da família imperial, estavam os representantes brasileiros do imperador da Áustria Francisco José I, do ex-rei Francisco II das Duas Sicílias, da rainha Vitória do Reino Unido, da ex-rainha Isabel II da Espanha, de Luís Filipe, Conde de Paris, e diversos outros membros da realeza europeia que visitavam o Brasil. Também estavam presentes o embaixador americano William Graham, o presidente argentino Miguel Juárez Celman, o embaixador da França Sadi Diderot, os presidentes do Senado e da Câmara, assim como senadores, deputados, diplomatas e outros representantes do governo. Quase todos os professores e reitores da Comunidade Minerva, membros do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, da Academia Imperial de Ciências e Matemática e da Academia Imperial de Belas Artes também participaram. Professores, escritores, inventores, artistas, filósofos, todos que tinham afinidade e admiração para com o imperador compareceram. Representantes de outros governos, tanto do continente americano, quanto europeu se fizeram presentes, além de países longínquos como Turquia, China, Japão e Pérsia. Em seguida o caixão foi levado em cortejo até a estação de trem, de onde partiria para Petrópolis. Apesar da chuva incessante e da temperatura extremamente baixa, cerca de 400 mil pessoas assistiram ao evento.  A viagem prosseguiu até a Catedral de São Pedro de Alcântara, em Petrópolis, onde o corpo de D. Pedro II foi depositado no Mausoléu Imperial em 12 de dezembro.

Em 22 de dezembro, era coroada no Rio de Janeiro a Princesa-Herdeira D. Isabel do Brasil, então D. Isabel I, imperatriz do Brasil e todos os seus territórios além-mar. Era o fim da Segunda Era Pedrista, e o inicio do Terceiro Reinado.



Reformas e crescimentoEditar

Após o inicio do novo reinado, novo governo, novas ideias, querendo reformar e expandir as conquistas da Segunda Era Pedrista. As elites cafeeiras e industriarias desejavam reformar o Brasil nos moldes europeus. A cidade-simbolo do país era a capital do império, o Rio de Janeiro, cujo centro era dominado por casarões coloniais que haviam sido transformados em cortiços. As cidades que passariam pelas reformas seriam o Rio de Janeiro, São Paulo, Santos, Salvador, Recife, Cidade de Minas e Goiás. Os engenheiros Paulo de Frontin e Campos Alves, ficaram responsáveis pelas obras. No Rio de Janeiro, Frontin planejou abrir largas avenidas cortando o centro e arborizando as calçadas. Para isso, centenas de casarões foram demolidos, episódio que ficou conhecido como o Bota-Abaixo.

Nos morros, os barracos foram desmontados e demolidos. Casa populares foram construídos, e outros lotes planejados foram vendidos aos moradores das favelas. Outros moradores migraram para outras cidades do Rio. Nos morros, foram plantadas árvores, para esconder os grandes buracos pelas invasões.

Em Minas, o projeto fora muito mais ambicioso, em vez de reformar a capital, foi construída outra. O projeto do engenheiro Arão Reis, previa uma cidade planejada, circundada por uma avenida de contorno e cruzada por largas avenidas. O projeto tomou em 1892, e foi inaugurada somente em 1897, com o nome de Belo Horizonte.

As reformas urbanísticas previam a interação das cidades com os parques industriais. O aumento de operários nas fábricas, levaram essas empresas a pensar numa forma de manter os trabalhadores perto do local de trabalho. Assim, junto ao governo, essas empesas iniciaram a construção de casas populares e vilas de operários, totalmente acessíveis e planejadas.

As cidades mais modernas e cosmopolitas, Manaus e Belém, ainda viviam a Fase Áurea da Borracha, porém a descoberta do petróleo, usado na fabricação da borracha sintética, vinha conquistando as indústrias. Como o processo era caro e em pequena escala. Assim o Clube da Borracha investiu na melhoria da extração do látex, fazendo com que o processo fique mais rápido e barato, logo o látex voltou a ser exportado em larga escala. Mesmo assim, os governos do Amazonas e do Pará, passaram a incentivar a indústria na Amazônia.

Em 1910, a indústria brasileira era bem distribuída. Novas empresas surgiam. Prédios construíam-se na cidades. Como sempre no litoral, os estaleiros produziam os navios, no Sudeste as siderúrgicas, as fábricas de trens e bondes, os tímidos automóveis, as fábricas bélicas, fabricação de tratores, indústrias químicas também ao Sul, além das companhias elétricas e fabricação de maquinário industrial. No Centro as modernizadas indústrias têxteis e a fabricação de maquinas agrícolas, e ao Norte, as embarcações couraçadas de médio porte, a já estabelecida indústria automobilística e a fabricação de armas. Ao Sudeste surgira também a fabricação dos aviões recém-implantados. O mundo vivia a paz armada e o Brasil também investia nas forças armadas. Foram fabricadas navios armados, submarinos, torpedos e minas submarinos, torpedos e minas submarítimas, canhões e os tanques, além do avião que já foi incorporado as Forças Armadas com a criação da Imperial Força Aérea Brasileira.


GeografiaEditar

O território do Brasil continental é cortado por dois círculos imaginários: a Linha do Equador, que passa pela embocadura do Amazonas, e o Trópico de Capricórnio, que corta o município de São Paulo. O país ocupa uma vasta área ao longo da costa leste e extremo sul da América do Sul e inclui grande parte do interior do continente, compartilhando fronteiras terrestres com a Argentina e Paraguai a sudoeste; Bolívia e Peru a oeste; Colômbia a noroeste e Venezuela. Também compartilha fronteira com Alemanha e Espanha através dos exclaves de Zenith e Cádiz. Ele também engloba uma série de arquipélagos oceânicos, como Fernando de Noronha, Atol das Rocas, São Pedro e São Paulo e Trindade e Martim Vaz a leste, e Galápagos, Tuamotus Ocidental, e Mangareva a oeste. O seu tamanho, relevo, clima e recursos naturais fazem do Brasil um país geograficamente diverso.

O país é o segundo maior do mundo em área territorial, depois de Rússia, o maior da América, com uma área total de 10.350.746,049 km². Seu território abrange oito fusos horários, incluindo todas as Províncias e Territórios além-mar que compõem o Império.

A topografia brasileira também é diversificada e inclui morros, montanhas, planícies, planaltos, cerrados e desertos. Grande parte do terreno se situa entre duzentos e oitocentos metros de altitude. As áreas principais de terras altas ocupa mais da metade sul do país e o oeste. As partes noroeste do planalto são compostas por terreno, amplo rolamento quebrado por baixo e morros arredondados. A seção sudeste é mais robusta, com uma massa complexa de cordilheiras e serras atingindo altitudes de até 1 200 metros. Esses intervalos incluem as serras do Espinhaço, da Mantiqueira e do Mar. No norte, o planalto das Guianas constitui um fosso de drenagem principal, separando os rios que correm para o sul da Bacia Amazônica dos que desaguam no sistema do rio Orinoco, na Venezuela, ao norte. No oeste, a Cordilheira dos Andes atravessa de norte a sul seu território. Nos territórios em outros continentes, a topografia é extremamente diferente.

O Brasil tem um sistema denso e complexo de rios, um dos mais extensos do mundo, com oito grandes bacias hidrográficas, que drenam para o Atlântico. Os rios mais importantes são o Amazonas (o maior rio do mundo tanto em comprimento – 6 937,08 quilômetros de extensão – como em termos de volume de água – vazão de 12,5 bilhões de litros por minuto), o Paraná e seu maior afluente, o Iguaçu (que inclui as cataratas do Iguaçu), o Negro, São Francisco, Xingu, Madeira e Tapajós.



DemografiaEditar

A população do Brasil, conforme censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019, foi de 247.346.491 habitantes, com uma proporção de homens e mulheres de 0,961 e 84,36% da população definida como urbana.  A população está fortemente concentrada nas regiões Sudeste (81,2 milhões de habitantes), Nordeste (79,1 milhões) , Norte( 35,5 milhões), Sul (30,2 milhões), centro oeste(17 milhões),ultramarinos(4,5 milhões) e extremo sul(2,1 milhões).

O Brasil é a quinta nação mais populosa do mundo e é um dos únicos países desenvolvidos, junto aos Estados Unidos, em que há perspetivas de aumento em grande parte da população. Com uma taxa de natalidade de 13,9 por mil, 30% abaixo da média mundial, a sua taxa de crescimento populacional é de 0,98%, significativamente superior às da Europa Ocidental, Japão e Coreia do Sul e semelhante a dos Estados Unidos.

Os maiores aglomerados urbanos do Brasil são as áreas metropolitanas de São Paulo (19.280.702), Recife(15.859.292) Rio de Janeiro (14.829.923). Quase todas as capitais são as maiores cidades de suas províncias, com exceções como Vitória, a capital de Espirito Santo, Florianópolis, a capital de Santa Catarina, e Quito, capital do Equador. Existem também regiões metropolitanas não capitais, como as de Campinas e baixada santista (São Paulo) e Vale do Aço (Minas Gerais) no Sudeste; Serra Gaúcha (Rio Grande do Sul) e Vale do Itajaí (Santa Catarina) no Sul; Petrolina e Caruaru (Pernambuco) e Ribeira Alta (Piauí) e Feira de Santana(Bahia) no Nordeste; Santarém(Pará) no Norte.


LínguaEditar

O Brasil possui duas línguas oficiais, o português e o espanhol, falados por quase toda a população e ensinados obrigatóriamente em todas as escolas do país, usado nos meios de comunicação, nos negócios e para fins administrativos. Apesar disso, o português é tido como a língua principal do país, sendo o Império do Brasil o único lusófono da América a língua portuguesa se tornou uma parte importante da identidade nacional brasileira.

O português brasileiro teve o seu próprio desenvolvimento, influenciado por línguas ameríndias, africanas e por outros idiomas europeus. Como resultado, essa variante é um pouco diferente, principalmente na fonologia, do português lusitano. Essas diferenças são comparáveis àquelas entre o inglês americano e o inglês britânico. Em 2008, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que inclui representantes de todos os países cujo português é o idioma oficial, chegou a um acordo sobre a padronização ortográfica da língua, com o objetivo de reduzir as diferenças entre as duas variantes. A todos os países da CPLP foi dado o prazo de 2009 até 2016 para se adaptarem às mudanças necessárias.

Idiomas minoritários são falados em todo o país. O censo de 2010 contabilizou 305 etnias indígenas no Brasil, que falam 274 línguas diferentes. Dos indígenas com cinco ou mais anos, 37,4% falavam uma língua indígena e 76,9% falavam português. Há também comunidades significativas de falantes do alemão (na maior parte o Hunsrückisch, um alto dialeto alemão) e italiano (principalmente o talian, de origem vêneta) no sul do país, os quais são influenciados pelo idioma português.

Além desses, há línguas regionais reconhecidas que variam de região para região do país, além de algumas variantes da própria língua portuguesa. Alguns outros idiomas falados são;

  • Tupi- de origem indígena, foi bastante reaproveitado pelos colonizadores que a partir dele criaram novos dialetos, como o Tupi-galego e Tupi-castelano. É muito falado na Bahia, Maranhão, Pará e Amazonas;
  • Castelo- de grande influência espanhola, passou a ser falado no Uruguai e na província do Rio Grande do Sul, a partir dele nasceu variantes como o Luso-castelano. Hoje bastante falado no Rio Grande do Sul, parte do Paraná, e no Mato Grosso do Sul;
  • Franco- trazido pelos negros que falavam a língua francesa, foi bastante alterado ao passar dos anos, e com isso uniformizado e exportado para colônias brasileiras na África. Por sua riqueza histórica e cultural, é ensinado nas escolas, e que por isso é falado por mais de 69% da população, sendo considerada o co-idioma nacional, ao lado do português, embora que não haja nenhuma oficialização. É falado por quase todas as províncias brasileiras, exceto Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná. Ainda Angola, Cabo Verde e Moçambique, ex-colônias brasileiras, tem o franco como língua oficial.
  • Alemão- falado principalmente na Cidade-autônoma de Zenith, embora também seja possível encontrar falantes nativos de alemão em algumas cidades das Províncias de Santa Catarina e Rio Grande do Sul, no Brasil Continental.







Composição étinicaEditar

Segundo o censo do IBGE de 2015, 50,71% são Brancos (cerca de 125,4 milhões), 33,13% são Mestiços (cerca de 81,9 milhões), 12,07% são Negros (cerca de 29,8 milhões), 3,09% são Pardos (cerca de 7,6 milhões), 0,43% são Indígenas (cerca de 1,6 milhões), e 0,2% são Asiáticos (cerca de 494 mil).

No século XIX o Brasil abriu suas fronteiras à imigração. Cerca de seis milhões de pessoas de mais de 60 países migraram para o Brasil entre 1808 e 1972, a maioria delas da Alemanha, Itália,Inglaterra, Russia, Polônia, Espanha, França,Grécia, Japão, Oriente Médio e partes da África.

Apesar da grande diversidade cultural, étnica e religiosa, o Brasil é um país solidamente estabelecido. Ideais separatistas e de independência, mesmo nas províncias mais longínquas, são pouco populares e quase inexistentes. A nacionalidade brasileira é extremamente forte no coração do povo e está acima de lealdades regionais. O Brasil não é assombrado por movimentos separatistas (existem, mas são pouco populares), racismo, ou mesmo predominância de uma raça ou cultura na mídia e no governo.

Um característica singular do Brasil entre os outros países desenvolvidos é a falta de enclaves raciais. Diferente de países como os EUA, onde negros e brancos normalmente possuem suas próprias vizinhanças separadas, ou França e Reino Unido, onde comunidades muçulmanas ou afro-descendentes possuem suas vizinhanças separadas dos brancos, no Brasil isso é, se não inexistente, no mínimo raro. A cultura brasileira é normalmente mais acolhedora e essa integração racial, por exemplo com comunidades muçulmanas, é "crucial para a ordem pública e integração de imigrantes na sociedade brasileira", diz o sociólogo Gilberto Nasser que expõe a raridade de problemas com a integração de imigrantes no Brasil, diferente de países europeus, por exemplo.


Governo e políticaEditar

O Império do Brasil é formado pela união de 49 Unidades Federativas: 43 Províncias, 2 Províncias Insulares, 2 Cidades Autônomas, 2 Territórios Insulares e um Distrito Imperial (a capital oficial). Apesar de ser uma monarquia, o Brasil recebe bastante influência republicana. Desta forma as províncias funcionam como pequenas repúblicas federadas a Coroa, ou Governo Central. A Constituição brasileira, vigente desde 1824, estabelece os ramos "quadripartidos" de governo, o Executivo, o Legislativo, o Judiciário, além do Moderador. O ex
D. Luiz

Por Graça de Deus e Unânime Aclamação dos Povos, D. Luís II, Imperador Constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil

ecutivo e o legislativo estão organizados de forma independente em todas as esferas de governo, enquanto o Judiciário é organizado apenas a nível nacional e nas esferas provincial/Distrito Imperial. O poder moderador, é de caráter exclusivo do monarca. Os membros do Corpo Legislativo são eleitos diretamente. Juízes e outros funcionários judiciais são nomeados após aprovação em exames de entrada. O voto é obrigatório para os alfabetizados entre 18 e 70 anos e facultativo para analfabetos e aqueles com idade entre 16 e 18 anos ou superior a 70 anos. Quase todas as funções governamentais e administrativas são exercidas por autoridades e agências filiadas ao Executivo. A forma de governo e uma monarquia constitucional parlamentarista. Constitucionalmente, ou Imperador, diferente da maioria das outras monarquias, não é soberano, mas um servo da soberania, que pertence ao povo. O Monarca é o chefe de Estado do Brasil, e detém o Poder Moderador. O Primeiro-ministro é o Chefe do Governo de Sua Majestade Imperial, que, auxiliado pelo Secretário-Geral de Estado e pelos Ministros de Estado, exerce a superior direção administrativa do país. O atual Imperador é D. Luís II do Brasil, coroado em 1981 após a morte de seu pai o imperador D. Pedro III do Brasil.
Fernando de Arruda

O Primeiro-ministro Fernando de Arruda em 2017

Atualmente, o Chefe do Governo de Sua Majestade Imperial é o Presidente do Conselho de Ministros do Império do Brasil Fernando Bochi de Arruda, líder do Partido Trabalhista e membro da Câmara dos Representantes do Império do Brasil pela Província do Rio Grande do Sul. O Primeiro-ministro Arruda está no cargo desde 23 de fevereiro de 2017.






O Parlamento ImperialEditar

O Parlamento do Império do Brasil é uma legislatura bicameral da União, composto pela Câmara dos Representantes do Império do Brasil (Câmara Baixa) e pelo Senado do Império do Brasil (Câmara Alta). O Senado possui 94 assentos, sendo dois representantes para cada Unidade Federativa não autônoma, haja vista que as Cidades-autônomas possuem um governo próprio. A Câmara dos Representantes possui 235 membros, sendo 5 para cada Unidade Federativa não autônoma. O Parlamento - a união entre Senado e Câmara, empossa o Primeiro-ministro. Cada parlamentar tem um mandato de 5 anos, sendo que os membros do Senado possuem direito a uma reeleição. A Constituição prevê um sistema pluripartidário, embora somente três partidos tenham força e influência no cenário político nacional, dados os acontecimentos históricos: o Partido Trabalhista, o Partido Conservador e o Partido Liberal. É proibido que políticos exercendo um mandato mudem de partido e políticos acusados ou denunciados por qualquer tipo de corrupção são automaticamente expulsos de seus mandatos e exilados da política, eternamente se forem culpados, ou até que se provem inocentes.





A Secretaria-geralEditar

A Secretaria-Geral do Império do Brasil é o órgão de assessoria direta do Primeiro-ministro. É popularmente chamado de Itamaraty, por estar sediado no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro. Tem como ob
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O Palácio do Itamaraty, sede da Secretaria-geral do Império do Brasil

jetivo central auxiliar o Primeiro-ministro na gestão do país, por esse motivo o ocupante desse cargo acabe por assumir funções de um "vice-primeiro-ministro", embora este cargo não exista oficialmente. Apesar de ser um órgão de assessoria, possuí bastante autonomia política e controle sobre ministérios.

É considerado por muitos um "superministério", por conta de sua força de fiscalização sobre os demais órgãos e agentes do executivo. O Secretário-Geral do Império, é responsável por, além de auxiliar o Primeiro-ministro, realizar a integração entre as Províncias e Territórios do Império com o Governo Imperial e o Parlamento. Além disso, o Secretário-geral é tido como o "braço-direito de Sua Majestade, o Imperador", haja vista que o detentor deste cargo reporta os acontecimentos internos do Governo e do Parlamento ao monarca quase que diariamente, ao contrário do Primeiro-ministro que se reune semanalmente com o detentor da Coroa. A pessoa que ocupa tal posto é tida como a "Terceira pessoa mais poderosa da América Latina", atrás apenas do Imperador do Brasil e do Primeiro-ministro do Brasil.



LeiEditar

A lei brasileira é baseada na tradição do código civil, parte do sistema romano-germânico. Assim, os conceitos de direito civil prevalecem sobre práticas de direito comum. A maior parte da legislação brasileira é codificada, apesar de os estatutos não codificados serem uma parte substancial do sistema, desempenhando um papel complementar. Decisões do Tribunal e orientações explicativas, no entanto, não são vinculativas sobre outros casos específicos, exceto em algumas situações.

Obras de doutrina e as obras de juristas acadêmicos têm forte influência na criação de direito e em casos de direito. O sistema jurídico baseia-se na Constituição, que foi promulgada em 25 de março de 1824 e é a lei fundamental do Brasil. Todos as outras legislações e as decisões das cortes de justiça devem corresponder a seus princípios. As províncias têm suas próprias constituições, que não devem entrar em contradição com a constituição nacional. Os municípios e o Distrito Capital não têm constituições próprias; em vez disso, eles têm leis orgânicas. Entidades legislativas são a principal fonte dos estatutos, embora, em determinadas questões, organismos dos poderes judiciário e executivo possam promulgar normas jurídicas.

A jurisdição é administrada pelas entidades do poder judiciário brasileiro, embora em situações raras a Constituição Federal permita que o Senado Federal interfira nas decisões judiciais. Existem jurisdições especializadas como a Justiça Militar, a Justiça do Trabalho e a Justiça Eleitoral. O tribunal mais alto é o Supremo Tribunal Imperial. Este sistema tem sido criticado nas últimas décadas devido à lentidão com que as decisões finais são emitidas. Ações judiciais de recurso podem levar vários anos para serem resolvidas e, em alguns casos, mais de uma década para expirar antes de as decisões definitivas serem tomadas.


Crime e aplicação de leiEditar

No Brasil, a constituição prevê, três instituições policiais diferentes e não subordinadas entre si, para a execução da lei: a Imperial Polícia Federal, Polícia Nacional, Guarda Costeira, todas elas ligadas ao governo central. Ainda segundo uma constituição, cabe as províncias ou papel de organizar suas policiais, com exceção dos territórios Insulares, onde é uma força policial responsável por uma Policia Nacional. Todas como instituições policiais são de responsabilidade do poder executivo de qualquer um dos governos federais ou provinciais.

Segundo uma constituição a função da Imperial Policia Federal é um de coibir e apurar crimes cometidos contra uma União ou tem repercussão nacional ou internacional como por exemplo terrorismo, trafico internacional de drogas, imigração ilegal, descaminho entre outros.

A função da Policia Nacional é uma policia ostensiva e manutenção da ordem publica e apuração de infrações penais que ocorram nos territórios sobre sua jurisdição, além de exercer a função de policia aeroportuária e fronteiriça e rodoviária nas rodovias federais. A Policia Nacional também pode atuar em apoio como polícias provinciais em situações de distúrbio público, originadas em qualquer ponto do território nacional.

A Guarda Costeira tem como função exerce o papel de policia marítima e aduaneira coibindo e apurando infrações penais cometidas na zona econômica exclusiva, como por exemplo: contrabando, descaminho, imigração ilegal entre outras além de fiscalizar e combater crimes ambientais. A Guarda Costeira serve como reserva auxiliar da Marinha Imperial Brasileira.

Ainda segundo a constituição cabe as policias provinciais como funções de policia ostensiva e manutenção da ordem publica e apuração de infrações penais, além de ser junto com a Policia Nacional, força e reserva do Imperial Exército Brasileiro. Em algumas províncias cabe a policia organiza e mantém os corpos de bombeiros.

Apesar de ser uma das mais severas do mundo, é considerado por muitas das mais modernas e humanistas. A pena de morte não é praticada no país, foi abolida por D.Pedro II para os casos de crimes comuns, apenas sendo aplicada segundo a Constituição nos casos guerra declarada, crimes de traição, e crimes contra a humanidade, nos termos do Código Penal Militar. A pena máxima é, portanto, pela Constituição a prisão perpétua.


Relações internacionaisEditar

O Brasil é considerado por muitos uma "Superpotência global", exercendo assim uma forte influência econômica, política e militar em todo o mundo. O país é um dos membro permanentes do Conselho de Segurança da ONU, ao lado de EUA, Rússia, China, Reino Unido e França. O Brasil é um personagem ferrenho em busca da erradicação de armas nucleares para nações de fora do Conselho de Segurança. Foi também o criador da carta do Tratado de Recife, na luta contra o terrorismo. Quase todos os países têm embaixadas no Rio de Janeiro e muitos consulados em todo o país. Da mesma forma, quase todas as nações acolhem missões diplomáticas brasileiras. A partir da Primeira Guerra Mundial, o Brasil procurou manter boas relações com o resto da América Latina. O país é hoje um líder político e econômico na América Latina. Mantém até hoje boas-relações com suas ex-colônias, e é fundador da Comunidade Brasileira de Nações (Comuna), com sede em Natal, RN.

O país se destaca como superpotência mundial, sendo o único país desenvolvido a parte do grupo conhecido como BRICS. Como fazer frente à ascensão de nações orientais como China e Índia, o Brasil foi chamado por muitos meios de comunicação de "Baluarte do Ocidente". Fruto de uma politica de aproximação de países comunistas, em busca de alianças e parcerias comerciais, militares e politicas. A Rússia, país ex-comunista e 3° país mais bem armado do mundo, mantem fortes relações com o Brasil, apesar das divergências ideológicas.

Desde o inicio da Segunda Guerra Mundial, até o fim da Guerra-Fria, o Brasil desempenhou importante papel na reconstrução da Europa e na defesa do mundo ocidental da ameaça comunista. Atualmente o Brasil ostenta um status de "Superpotência global'', creditado por todos os países do Conselho de Segurança, e varias nações soberanas, inclusive as mais fechadas, como a Coreia do Norte e o Vietnã.

É membro da Organização das Nações Unidas (ONU), G7 (EUA, Reino Unido, França, Itália, Brasil e Japão), G8 (G7 + Rússia), G20, União e Mercado Comum do Sul (Mercosul), da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Comunidade Brasileira de Nações (Comuna) e da Organização Mundial do Comércio (OMC) é um dos membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas.




SubdivisõesEditar

Embora seja uma monarquia, o Brasil usufrui dos princípios federativos aos moldes republicanos, sendo assim, o Império é constituído pela união indissolúvel de 49 Unidades Federativas: 43 Províncias, 2 Províncias Insulares, 2 Cidades Autônomas, 2 Territórios Insulares e um Distrito Imperial

As províncias e municípios possuem natureza de pessoa jurídica de direito público, portanto, como qualquer pessoa em território nacional (cidadão ou estrangeiro), possuem direitos e deveres estabelecidos pela Constituição Brasileira. Províncias e municípios possuem autoadministração, autogoverno e auto-organização, ou seja, elegem seus líderes e representantes políticos e administram seus negócios públicos sem interferência de outros municípios, províncias ou da Coroa. De modo a permitir a auto-administração, a Constituição define quais tributos podem ser coletados por cada unidade da "federação" e como as verbas serão distribuídas entre eles. Províncias e municípios, atendendo ao desejo de sua população expresso em plebiscitos, podem dividir-se ou se unir. Porém, não têm assegurado pela constituição o direito de se tornarem independentes.

As províncias e o Distrito Imperial são entidades subnacionais autônomas, como pequenas republicas federados à Coroa, dotadas de governo e constituição próprios que juntas formam o Império do Brasil. O Poder Executivo é exercido por um presidente eleito por sufrágio universal. O Poder Judiciário é exercido por tribunais de primeira e segunda instância que cuidam da justiça comum. O Distrito Imperial tem características comuns as províncias e aos municípios. Ao contrário das províncias, não pode ser dividido em distritos. Por outro lado, pode arrecadar tributos atribuídos como se fosse uma.

Os municípios são uma circunscrição territorial dotada de personalidade jurídica e com certa autonomia administrativa, sendo as menores unidades autônomas do império. Cada município tem sua própria Lei Orgânica que define a sua organização política, mas limitada pela Constituição. Há milhares de municípios em todo território nacional, alguns com população maior que a de vários países do mundo, outros com menos de mil habitantes; alguns com área maior do que vários países no mundo (Altamira, no Grão-Pará, é quase duas vezes maior que Portugal), outros com menos de q
Mapa do Imperio

Mapa do Brasil-continental e suas Províncias e Territórios no além-mar

uatro quilômetros quadrados.

Embora chamadas províncias e pertencentes a uma nação monárquica, as unidades administrativas brasileiras são mais semelhantes aos estados federados das repúblicas modernas que a seus pares monárquicos. A própria estrutura política dessas unidades é, na prática, de natureza republicana e exemplifica o caminho único que a monarquia brasileira assumiu após a independência.





Forças armadasEditar

O Imperador é de jure o Comandante-Supremo das Forças Armadas. Apesar disso, é o Chefe do Estado-Maior que, como Comandante das Forças Armadas, é o chefe de facto da força militar brasileira. Ao Primeiro-ministro cabe nomear o Ministro da Defesa e o Estado-Maior das Forças Armadas. O Chefe do Estado-Maior, também escolhido pelo Primeiro-ministro, centraliza o comando de todas as forças militares brasileiras, agindo em nome do monarca nas decisões militares. Todos os comandantes são oficiais generais, enquanto que os Ministros de Defesa são civis. Assim o Ministério da Defesa administras as Forças Armadas secundariamente.

O serviço militar é obrigatório para homens a partir de 18 anos, e para as mulheres a partir dos 21 anos e tem duração 3 anos. O país mantém dezenas de bases e instalações militares ao redor do mundo, com pessoal destacado para mais de 20 países. O Brasil é um dos líderes mundiais em inovação no campo bélico, integrando constantemente novas tecnologias a suas Forças Armadas. Em função disso, algum do maquinário de guerra mais avançado do mundo é empregado pelas forças militares brasileiras.

As Forças Armadas do Brasil compreendem o Imperial Exército do Brasil (IEB), a Marinha Imperial Brasileira (MIB) e a Imperial Força Aérea do Brasil (IFA), e são a maior força militar da América Latina, a segunda maior de toda a América e também uma das cinco forças armadas mais bem preparadas do mundo. As polícias provinciais são de acordo com a constituição como forças auxiliares e reservas do Exército, mas sob o controle de cada províncias e de seus respectivos governantes. O Brasil é membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas e é um Estado nuclear reconhecido desde 1948. As despesas militares anuais do Brasil em 2019 foram de mais de 403,9 bilhões de dólares, 2,53% do PIB, atrás apenas do Estados Unidos .

O Brasil tem grandes indústrias militares, além de uma das maiores indústrias aeroespaciais do mundo. Suas plantas industriais produziram equipamentos como os caças Gripho e Hermes, os porta-aviões da Classe Emperator e submarinos nucleares da classe Tupiniquim, o míssil de cruzeiro Zeus e o Carro de Combate Guepardo, entre outros. O Brasil é um dos maiores vendedores de armas do mundo, sendo que a maior parte de seu arsenal está disponível para o mercado de exportação, com exceção dos dispositivos de
Northrop F-5 (Forca Aerea Brasileira) Segurança Rio 2016 (3)

Northrop F-5, um caça de defesa usado na Academia da IFA

propulsão nuclear e últimos avanços tecnológicos.

Imperial Força Aérea do Brasil é o ramo de guerra aérea das Forças Armadas Brasileiras, sendo a maior força aérea da América Latina, com cerca de 4543 aviões tripulados em serviço. É a mais antiga força aérea independente criada, ainda 1914. É responsável pelo sistema de satélites SODAM (Sistema Orbital de Defesa Anti-Míssil), conhecido como "Olho de Deus" o único sistema no mundo de satélites de defesa, implantado em 2010, capaz de destruir mísseis intercontinentais.

A Marinha Imp
Nimitz

S.M.I. Dom Pedro II, superporta-aviões classe Emperator da Marinha do Brasil

erial Brasileira é a segunda maior do mundo em número de navios de guerra, com 497, e em tonelagem, atrás da China. Apesar disso, é a mais avançada do mundo. É responsável pelas operações navais e pela guarda das águas territoriais brasileiras. Uma marinha de águas azuis com alcance global. Tem uma força de fuzileiros navais com cerca de 226.200 homens, incluindo o C.O.E.N. (Comando de Operações Especiais Navais). A Marinha também possui um grupo de elite especializado em retomar navios e instalações navais, o Grupamento de Mergulhadores de Combate, unidade especialmente treinada para proteger as plataformas petrolíferas brasileiras ao longo de sua costa. É a única Marinha da América Latina que opera porta-aviões, são 9 de fabricação própria sendo 3 nucleares em Construção. A Marinha também conta com uma força submarina equipada com 67 submarinos, sendo 45 de propulsão convencional e 22 de propulsão nuclear sendo que desses, 10 são submarinos equipados com misseis balísticos intercontinentais. O Imperial Exército Brasileiro é responsável pelas operações militares em terra, possui o efetivo de cerca de
Comemoração do Dia do Exército Brasileiro (13855146674)

Grupo de Soldados do IEB

450.000 militares além de ter cerca de 1,8 milhão de reservistas. Também possui a maior quantidade de veículos blindados da América, somados os veículos blindados para transporte de tropas e carros de combate principais. Possui uma grande unidade de elite especializada em missões não convencionais, o Comando de Operações Especiais, única na América Latina, além de uma Força de Ação Rápida Estratégica, formada por unidades de elite altamente mobilizáveis e preparadas formada pelas seguintes unidades: Comando de Operações Especiais, Brigada de Infantaria Paraquedista, 1º Batalhão de Infantaria de Selva (Aeromóvel) e 12ª Brigada de Infantaria Leve (Aeromóvel) para atuar em qualquer parte do território nacional, em curto espaço de tempo, na hipótese de agressão externa.




EconomiaEditar

O Brasil tem uma economia mista capitalista alimentada por abundantes recursos naturais e mão de obra qualificada, cooperação entre o governo e a indústria, uma profunda ética do trabalho, investimentos em alta tecnologia e mecanização. A exportação de bens produzidos no Brasil é um dos principais fatores da riqueza brasileira. O Brasil é o maior exportador mundial com U$ 2,59 trilhões exportados em 2013. As exportações brasileiras estão entre as mais diversificadas entre os países desenvolvidos, incluindo commodities (açucar, petróleo, soja, etc) , produtos industrializados de baixa e alta tecnologia, produtos químicos, armamentos, minérios, veículos motorizados, aeronaves, produtos eletroeletrônicos e produtos agroindustriais. A economia é pós-industrial, com o setor de serviços contribuindo com 69,1% do PIB, embora o Brasil continue a ser uma potência industrial. O Brasil mantém a maior produtividade do trabalho no mundo e um desemprego de 3,3%. Está entre os países com maior produtividade no campo, apesar das barreiras comerciais e das políticas de subsídios adotadas por outros países.

É líder nos campos da pesquisa científica, tecnológica, maquinária, médica, bélica, aeroespacial e de desenvolvimento sustentável. Algumas das mais importantes contribuições tecnológicas atuais do Brasil são encontrados nos campos da eletrônica, maquinaria, robótica industrial, óptica, química, semicondutores, metalurgia e tecnologia espacial.

Dentre as 100 maiores empresas negociadas em bolsa de valores, em relação ao faturamento, o Fortune Global 100, 33 companhias estão sediadas no Brasil. As cinco maiores são a Petrobras (petrolífera e petroquímica), o Itaú Unibanco (bancária), a Embraer (aeronáutica), a Vale (mineração) e o Grupo EM&C (mídias e comunicações). 


IndústriaEditar

A indústria de manufaturação está concentrada nas províncias da região norte e nordeste do Brasil. Atualmente, o crescimento industrial está concentrado no sul do país - especialmente no sudeste brasileiro. São Paulo é a província brasileira que mais fabrica produtos manufaturados no Brasil - tanto em número de produto quanto ao valor econômico total destes produtos. Em seguida, em ordem decrescente, vêm Pernambuco,Minas Gerais, Rio de Janeiro, Amazona , Paraná, Goiás, Ceará e Bahia.

Os principais produtos fabricados no Brasil são computadores e softwares, produtos eletrônicos, equipamentos de transporte (aviões, veículos motorizados, trens e navios), produtos químicos (fertilizantes, remédios), alimentos, maquinário industrial, produtos de metal, produtos de plástico, siderurgia, material impresso, petróleo e derivados e móveis.

A região norte do Brasil é uma grande produtora de ferro e aço, veículos motorizados e maquinário industrial. Belo Horizonte é a capital nacional da indústria automobilística, responsável por 46,7% da produção de automóveis do Brasil. A indústria siderúrgica brasileira é a terceira maior do mundo - embora em frente a forte concorrência da indústria siderúrgica de outros países tais como os Estados Unidos, o Canadá e a África do Sul. A indústria siderúrgica está sediada em Paulínia e em Salvador. A região nordeste do Brasil é, por sua vez, grande produtora de roupas e tecidos, alimentos industrializados, material impresso e de equipamentos eletrônicos. Por sua vez, petróleo e derivados são produzidos no Rio de Janeiro, bem como outras províncias mais ao litoral sul. O sudeste brasileiro é sede da indústria de alta tecnologia, embora que o eixo norte-nordeste, estejam em grande ascensão por suas grandes contribuições cientificas e tecnológicas atuais. Em Pernambuco, localiza-se o famoso Vale do Suape, onde são desenvolvidas e produzidas computadores e softwares em geral. Outro grande pólo da indústria de alta tecnologia é Manaus, um dos principais centros da indústria química e de biotecnologia da América. São José dos Campos, Alcântara, Petrlina e Natal são grandes centros da indústria aeroespacial. A maioria das fábricas da Avibras e Embraer, a maior empresa fabricadora de aviões em geral do mundo, localizam-se em São José.

Destaca-se em todo o seu parque industrial, a indústria de armamentos, exatamente pela demanda destes equipamentos ser proporcional ao tamanho de seu orçamento de defesa, o maior do mundo. São produtores de toda a espécie de armamentos, desde armas leves, veículos, aeronaves e navios de guerra, porta-aviões, satélites e drones militares.


FinançasEditar

O Brasil é o seguno maior polo financeiro do mundo. Existem cerca de 800 mil instituições financeiras. Aqui, estão incluídas bancos, seguradoras e imobiliárias. O setor financeiro emprega mais de 13,4 milhões de pessoas no país - 7,8% da força de trabalho nacional - e é responsável por cerca de 19% do PIB nacional.
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Tela de cotações da BM&FBOVESPA em São Paulo.

Existem cerca de 10 250 empresas financeiras no Brasil, mais 1,7 mil empresas de poupança e empréstimo, que são direcionadas primariamente para o financiamento da adquisição da casa própria. O número destas empresas está em declínio nos últimos anos, por causa de falências, compras e fusões, enquanto o número de centros bancários continua a aumentar. No total, são mais de 87 mil centros bancários. O total das poupanças e outras redes de crédito somadas dos bancos americanos é de 6,5 trilhões de dólares. As inúmeras empresas financeiras americanas estão sediadas em diferentes cidades espalhadas pelo país. São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Brasília, Recife,Porto Alegre e Manaus destacam-se como os principais centros financeiros do país. São Paulo é o terceiro maior centro financeiro do mundo, ao lado de Nova Iorque e Tóquio, e Rio de Janeiro e Belo Horizonte estão entre os maiores do mundo.

Várias cidades no Brasil dispõem de bolsa de valores. São Paulo e Rio de Janeiro possuem duas bolsas de valores cada. A BM&FBOVESPA e a B3, sediadas em São Paulo, são duas das mais influentes bolsas de valores do mundo. Outras bolsas de valores podem ser encontradas em Recife, no Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Manaus e Brasília.


InfraestruturaEditar

EducaçãoEditar

A alfabetização no Brasil remonta ao início do período colonial. As diversas vilas e cidades fundadas tinham sempre uma escola para educar os filhos do povo em escrita, leitura e aritmética. Na metade do século XVII a educação saiu das mãos do jesuítas, as escolas passaram a promover estudos científicos como astronomia, química e anatomia, além de ensinos filosóficos e artísticos. Estes seriam unificados sob o comando da nova Intendência da Educação pelo Magistério em 1656. Anos depois, os Estatutos Escolares foram promulgados, regulamentando a obrigatoriedade da educação infantil nos centros urbanos pelo Estado. Enquanto isso, no meio rural, a educação era menos elaborada, baseando-se mais na gramática e cálculo básicos. Graças a esse sistema, calcula-se que, em 1815, 75% da população brasileira era alfabetizada. O ensino superior também floresceu no Brasil ainda no período colonial. A fundação da Universidade de Cabrália, a primeira da América, em Cabrália em 1541, se seguiria de mais sete instituições anteriores a independência que ficariam conhecidas como as Oito Casas do Saber, e estão até hoje entre as mais prestigiadas do Brasil e do mundo.

Desde a Emenda Educacional de 1893, a educação obrigatória brasileira inclui o Ensino Primário (entre 5 e 7 anos), Ensino Elementar (entre 7 e 15 anos), e Ensino Médio (entre 15 e 17 anos). Finalmente, acima dos 17 anos cursa-se o Ensino Superior ou Universitário. O Brasil têm muitas instituições públicas e privadas de ensino superior competitivas, bem como faculdades de comunidades locais com políticas abertas de admissão. Dos brasileiros com 18 anos ou mais, 89,6% concluíram o ensino superior, 62,6% frequentavam alguma faculdade, 57,2% recebiam um diploma de bacharel e 19,6% frequentavam uma pós-graduação. A taxa de alfabetização é de cerca de 99,9% da população. A Organização das Nações Unidas atribui ao Brasil um índice de educação de 0,993, classificando-o na 2ª posição no mundo.

O currículo prevê disciplinas tradicionais, como história, gramática, ciências e matemática, além de lições de educação ética e cívica, música e artes. Meninos e meninas estudam tecnologia e ciências domésticas, muitas crianças ainda participam de aulas de reforço em institutos. Entre as atividades extra classes, estão aulas de teatro, música, arte, debate, discurso em público e atividades esportivas. O Brasil está entre os melhores países em desempenho na educação segundo os rankings internacionais. Também no Brasil encontram-se algumas das universidades mais prestigiosas e de maior fama no mundo, a Universidade Imperial do Paraná, a Universidade Maurício de Nassau, a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto de Tecnologia de Brasília (ITB) são consideradas como as melhores universidades por muitas de suas publicações.










SaúdeEditar

A expectativa de vida do Brasil é de 85,8 anos ao nascer, um ano menor do que as taxas da Noruega, Suíça e Canadá. Ao longo das últimas duas décadas, a classificação do país em expectativa de vida subiu de 11ª posição para a 4ª no mundo. A taxa de mortalidade infantil é de 2,30 por mil, colocando o país na 6ª posição entre 221 países. Apesar dos brasileiros terem a reputação de ser um dos povos com menor índice de obesidade do mundo, o Brasil, como outros países desenvolvidos, enfrenta uma epidemia crescente e recente de obesidade, devido importação de hábitos alimentares pouco saudáveis. No entanto, a taxa de obesidade brasileira é muito inferior a dos Estados Unidos e Europa, mas agora é considerada como um dos principais problemas de saúde pública e é ferozmente combatida; taxas de obesidade infantil estão a abrandar no Brasil, enquanto continua a crescer em outros países. 

O sistema de saúde brasileiro gasta muito mais que qualquer sistema de saúde de outra nação, seja em gastos per capita ou em percentagem do PIB. A Organização Mundial de Saúde classificou o sistema de saúde brasileiro, em 2010, como o primeiro em capacidade de resposta, e o 7º em desempenho global. O Brasil é um líder em inovação médica. Em 2004, o setor não industrial gastou duas vezes mais per capita do que a Europa em pesquisa biomédica.
Hospital Albert Einstein São Paulo

O Hospital Israelita Albert Einstein em São Paulo, o mais avançado da América Latina

O Brasil é sede dos melhores hospitais do mundo. Há um equilíbrio muito grande entre a saúde pública e a disponibilizadas por corporações privadas. O investimento na construção e equipamento de hospitais públicos, superam os investimentos de toda a América Latina, assim o Brasil possuí também a melhor saúde pública da América, superando os Estados Unidos. Atualmente 55% dos hospitais do país são públicos, enquanto que somente 45% são propriedades privadas. Apesar de serem centros de iniciativa privada, muitos desses hospitais estão afiliados a programas do governo, e faculdades de medicina, que têm feito o possível para albergarem 70% de todos os pacientes médicos do país. O Instituto Oswaldo Cruz, o Hospital Universitário de Brasília e o Hospital Israelita Albert Einstein se encontram entre os melhores hospitais do país e do mundo.


EnergiaEditar

O Brasil é o quarto maior consumidor da energia do planeta e o segundo maior do hemisfério ocidental, atrás dos Estados Unidos. A matriz energética brasileira é baseada em fontes renováveis, sobretudo as fontes hídricas e solares, além de fontes não-renováveis de energia, como o petróleo e o gás natural. A Usina Hidrelétrica de Itaipu, no Paraná, é a maior usina hidrelétrica do planeta por produção de energia.
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A Usina Hidrelétrica de Itaipu

Em 2015, 41% da energia provinha de centrais hidrelétricas, 20% de centrais solares fotovoltaicas e térmicas, 16% de centrais de fusão nuclear do Projeto Solaria, 13% de centrais eólicas, 4% de petróleo e outras fontes não-renováveis, e 6% de biomassa (etanol de cana, etc).

A grande disponibilidade de Sol e ventos abundantes fez do Brasil o país perfeito para a criação de grandes parques energéticos renováveis. O Brasil é elogiado por ser a nação mais verde do mundo. Com o Programa de Transição Energética, iniciado em 1980 e ainda em andamento, o Brasil foi, ao longo de 40 anos, o responsável pelos maiores avanços nessa área, como o primeiro reator de fusão comercialmente viável em 2010, barateando consideravelmente a geração de energia por fontes renováveis, principalmente solar e de fusão. Em 2015 apenas 7% da energia consumida no Brasil era de fonte não-renovável. 

O Sertão nordestino e o Sul, o primeiro reunindo as maiores centrais solares e eólicas, se tornaram ao longo dessas décadas os grandes pólos energético do país. Nessas regiões, estão a Usina Hidrelétrica de Itaipú no Paraná, a segunda maior hidrelétrica do mundo, a Usina de Fusão de Cortesa, na Bahia, e a Usina de Fusão de
PS10 solar power tower

Central Heliotérmica de Petrolina, uma das maiores do Brasil

Blumenau, em Santa Catarina. Concluída em 2014, Cortesa é a usina mais produtiva do mundo, gerando 821 terawatts-hora (TWh), já Blumenau é a segunda mais produtiva, gerando, 634 terawatts-hora (TWh). Usando fonte de energia renovável (deutério extraído da água) e sem gerar poluição. Em comparação, terceira usina mais produtiva, a Hidrelétrica de Três Gargantas, na China, gera apenas 98,8 terawatts-hora (TWh). Há mais três usinas de fusão de grande porte em construção no Brasil, especificamente em Zenith e Jeju. Quando os projetos das usinas foram iniciados, a então Ministra de Energia, Carla Morgado, em entrevista ao jornal britânico The Guardian disse: "
"O Brasil já exportava energia em grandes quantidades desde a construção de Itaipu. Agora, mais do que nunca, produzimos muito mais energia do que consumimos e exportar é uma perspectiva econômica bastante lucrativa. A Usina de Fusão de Zenith, que será concluída em 2023, irá não só garantir energia em abundância para Zenith, um dos maiores centros econômicos da Europa, como também suprir boa parte do continente. A crise nas relações Europa-Russia já era prevista e, agora que está acontecendo, a Rússia pode cortar a qualquer momento o suprimento de petróleo e gás aos europeus. É uma perspectiva assustadora, mas também uma oportunidade. Já assinamos acordos com a Alemanha, a Dinamarca e a Suécia, todas futuras importadoras de energia de Zenith.[...]

Fizemos acordos com o Japão e a Coreia do Sul também. A usina de Jeju está prevista para [ficar pronta em] 2025. São dois países que consomem muita energia e estamos ansiosos para supri-los."


Ao longo das últimas três décadas o Brasil tem trabalhado para criar uma alternativa viável à gasolina, com o seu combustível à base de cana-de-açúcar como maior expoente. O Pró-álcool, que teve origem na década de 1970, em resposta às incertezas do mercado do petróleo, aproveitou sucesso intermitente. Ainda assim, grande parte dos brasileiros utilizam os chamados "veículos flex", que funcionam com gasolina e álcool (ou gasolina e energia elétrica. Mais um produto para a exportação que de consumo, países como o Japão e Suécia estão importando etanol brasileiro para ajudar a cumprir as suas obrigações ambientais estipuladas no Protocolo de Kyoto. Países com grande consumo de combustível, como a Índia e a China, também estão seguindo o progresso do Brasil nessa área. Segundo a ONU, o Brasil era, em 2015, o país com maior porcentagem de automóveis à etanol e elétricos do mundo, com 68% do mercado.

O Brasil possui a segunda maior reserva de petróleo bruto na América do Sul e é um dos produtores de petróleo que mais aumentaram sua produção nos últimos anos. Em 2014, o país produziu 10.836.500 barris/dia, tornando-o o 3º produtor mundial de petróleo. O Brasil se tornou uma potência mundial na produção de petróleo, com grandes descobertas desse recurso nos últimos tempos na Bacia de Santos e na Patagônia.


TrasportesEditar

Sendo um país desenvolvido, o Brasil conta com uma avançada infraestrutura de transportes: 4 967 833 quilômetros de autoestradas pavimentadas, 445 443 quilômetros de vias férreas e 41 009 quilômetros de vias fluviais. 

Em 2003, havia 574 automóveis para cada 1.000 americanos, em comparação com os 472 automóveis para cada 1.000 habitantes da União Europeia no ano seguinte e 759 automóveis para cada 1.000 habitantes nos Estados Unidos. Todas as 10 maiores empresas automobilísticas do mundo possuem fábricas no Brasil. A indústria da aviação civil é totalmente privada, enquanto a maioria dos grandes aeroportos são de propriedade pública. Três das 15 maiores companhias aéreas do mundo em passageiros transportados são brasileiras: a Varig, a Cruzeiro, e a Azul. O Aeroporto de Internacional de Guarulhos é o maior e mais movimentado do Hemisfério Sul e o segundo da América. O transporte ferroviário de mercadorias e passageiros é extenso. O transporte de massa contabiliza 43% do total de viagens de trabalho do Brasil. A rede de comboios de alta velocidade liga as principais cidades do país.

No meio urbano, as maiores cidades possuem eficientes e abrangentes sistemas de metro, monotrilho e
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Estação do Metrô de São Paulo

remanescentes modernizados de linhas bonde antigas. O uso de bicicletas é muito importante no transporte de curta distância.

O transporte hidroviário fluvial é extremamente importante para a economia nacional. A abundância de vias navegáveis e de canais de navegação e eclusas construídos ao longo da história do país permite uma boa integração dos mercados ligados por essas vias. O transporte hidroviário (fluvial e marítimo) e ferroviário são responsáveis por 82% do transporte de carga do Brasil.




Ciência e tecnologiaEditar

Desde a colonização, o Brasil tem produzido importantes pesquisas científicas e inovações tecnológicas. Nesse período, o país produziu novas ligas metálicas, armamentos e substâncias químicas. Relatórios de militares europeus do século XVII e XVIII afirmam que os canhões brasileiros eram mais potentes e tinham maior alcance, seus navios eram conhecidos pela qualidade e durabilidade. No início do século XIX, Alberto Monjardin impulsionaria a tecnologia militar brasileira ao criar a turbina naval para os navios a vapor da Marinha do Brasil.

Em 1861, o Nautilus seria o primeiro submarino viável do mundo. Lançado secretamente em Santos, era mais avançado do que até os submarinos lançados posteriormente ainda na década de 1860 por outros governos; tinha propulsão independente de ar, e havia resolvido os problemas de pressão e flutuabilidade que afligiam os protótipos estrangeiros. Cinco anos depois é inventado o primeiro torpedo submarino totalmente funcional, tornando o Nautilus uma arma mortal.

Em 1902 Alberto Santos-Dumont cria o primeiro avião, e em 1910 é fundada a Imperial Força Aérea do Brasil, a primeira força aérea independente do mundo. Já na Segunda Guerra Mundial, o Brasil introduz o avião a jato, sendo o único país a iniciar a guerra utilizando essa tecnologia em larga escala. Hoje, o Brasil é uma das nações líderes nos campos da pesquisa científica, especialmente de tecnologia, maquinário e pesquisa biomédica. Cerca de 950.000 pesquisadores dividem um orçamento de 600 bilhões de dólares para pesquisa e desenvolvimento, o maior do mundo. O Brasil é sublíder do mundo em produção e utilização de robótica (atrás do Japão), sendo o segundo país em número de robôs industriais. Produziu grande avanços em tecnologia militar como a Aeronave de ataque A-A1 Gripho.

Atualmente a pesquisa tecnológica no Brasil é em grande parte realizada em universidades públicas e institutos de pesquisa. Alguns dos mais notáveis polos tecnológicos do Brasil são o Institutos Oswaldo Cruz, e a Fundação Deodoro, a Agência Espacial Brasileira, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Dono de relativa sofisticação tecnológica, o país desenvolve de submarinos a propulsão nuclear e aeronaves super-sonicas, além de estar presente na pesquisa aeroespacial, possuindo um Centro de Lançamento de Veículos Espaciais e sendo o único país do Hemisfério Sul a integrar a equipe de construção da Estação Espacial Internacional (ISS).
Darpa-boeing

A Aurora 3, nave espacial do Projeto Aurora, lançada em 2018

A Agência Espacial Brasileira (AEB) é a agência espacial do Brasil, que realiza pesquisas espaciais, planetárias, de aviação e no desenvolvimento de foguetes e satélites. É uma participante da Estação Espacial Internacional e se consolidou ao longo das décadas de 1990, 2000 e 2010 como a mais avançada e eficiente agência espacial do mundo. É líder na pesquisa pela invenção de uma nave solar eficiente, cujo protótipo já está em sua fase final de desenvolvimento; pelo projeto e pesquisa da primeira nave espacial reutilizável, o Projeto Aurora; pelo projeto da Estação Celestis, a primeira estação espacial rotacional e a maior do mundo, anunciada em 2015. A Estação Celestis ainda está em fase de discussão, haja vista os enormes custos do projeto, que levaria 18 anos e 5 trilhões de reais para ser construída. Quando finalizada, a Estação Celestis seria um laboratório avançado e autosuficiente, com sua própria gravidade, hortas hidropônicas,
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Arte conceito do estado final da Estação Celestis

reciclagem de ar infinita e de lixo e terá seu próprio reator de fusão autossuficiente.

O Brasil possuí um grande número de notáveis personalidades científicas. Entre os inventores brasileiros mais reconhecidos estão Alberto Santos Dumont, Evaristo Conrado Engelberg, Manuel Dias de Abreu, Andreas Pavel e Nélio José Nicolai. A ciência brasileira é representada por nomes como Oswaldo Cruz (químico, médico, botânico e professor, fundador do Instituto homônimo), César Lattes (físico brasileiro codescobridor do méson pi), Mário Schenberg (considerado o maior físico teórico do Brasil), José Leite Lopes (único físico brasileiro detentor do UNESCO Science Prize), Artur Ávila (o primeiro latino-americano ganhador da Medalha Fields) e Fritz Müller (pioneiro no apoio à teoria da evolução apresentada por Charles Darwin).


ComunicaçõesEditar

A imprensa brasileira teve seu início ainda no século XVI em Salvador, com a publicação de livros e jornais do Brasil O Semanário, um dos jornais mais antigos ainda em circulação no mundo, é o mais antigo jornal da América, criado em 1539. Atualmente a imprensa escrita consolidou-se como um meio de comunicação em massa e produziu grandes jornais que hoje estão entre as maiores do país e do mundo como A Folha, O Globo, o Correio Braziliense, e o Jornal Diário, além de publicações da E&L Publicações, Abril e Globo.

A radiodifusão surgiu em 7 de setembro de 1922, sendo a primeira transmissão um discurso do então Primeiro-ministro Apolo Mayer, porém a instalação do rádio de fato ocorreu apenas em 20 de janeiro de 1923 com a criação da Rádio Guanabara. Na década de 1930 começou a era comercial do rádio, com a permissão de comerciais na programação, trazendo a contratação de artistas e desenvolvimento técnico para o setor. Com o surgimento das radionovelas e da popularização da programação, começou a chamada era de ouro do rádio brasileiro, que trouxe um impacto na sociedade brasileira semelhante ao que a televisão produz hoje. Com a criação da televisão o rádio passa por transformações, os programas de humor, os artistas, as novelas e os programas de auditório são substituídos por músicas e serviços de utilidade pública. Na década de 1960 surgiram as rádios FMs que trazem mais músicas para o ouvinte.

A televisão no Brasil começou, oficialmente, em 18 de setembro de 1950, trazida por Assis Chateaubriand que fundou o primeiro canal de televisão no país e da América Latina, a TV Tupi. Desde então a televisão cresceu no país, criando grandes redes como a NBT, Globo, Record, Bandeirantes, SBT, CNN Brasil, etc. Hoje, a televisão representa um fator importante na cultura popular moderna da sociedade brasileira. Através das décadas as rádios, emissoras de televisão, jornais impressos e revistas, alimentaram o crescimento da informação e da integração do país, além de fortalecer os vários conglomerados de comunicação do Brasil. Nos dias de hoje, os grupos de mídia tem uma nova atenção para as novas formas de comunicação como internet, indústria fonográfica, cinema e telecomunicações. A nova fase da comunicação do Brasil, chamada "Era Óptica", deve muito ao crescimento e expansão dos grupos de mídia brasileiros, que se configuram entre os maiores do planeta, dentre os quais o Grupo EM&C e o Grupo Globo, respectivamente, o terceiro e o décimo primeiro maiores conglomerados de mídia do mundo. 

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