A Casa de Bragança, oficialmente intitulada Sereníssima Casa de Bragança, é a casa real reinante do Império do Brasil, como um ramo da dinastia portuguesa de Bragança. Ela descende, por lado masculino, da nobre família germânica Saxe-Coburgo-Gota, e por lado feminino, do ramo brasileiro da casa portuguesa. A casa foi fundada com o casamento de D. Isabel do Brasil e Luís Augusto, Príncipe de Saxe-Coburgo-Gota, tendo sido soberana de dois tronos distintos (Brasil e Angola), e por via dum ramo colateral governante do Reino de Cabinda.

Por força dos matrimônios reais, a casa dinástica brasileira, então dinastia portuguesa de Bragança, foi dividida em dois ramos familiares oficiais em igual direito dinástico; os Saxe-Coburgo e Bragança, ramo nascido do casamento de D. Isabel I e D. Luís Augusto; e os Orleães e Bragança, nascido da união de D. Leopoldina e D. Luís Gastão de Orleães.

Seu atual chefe é seu imperador D. Augusto II, soberano do Império do Brasil e de mais seis territórios e províncias ultramarinas.

História[editar | editar código-fonte]

Origem[editar | editar código-fonte]

Os dois filhos varões de Dom Pedro II morreram na infância. Assim, rapidamente a princesa D. Isabel tornou-se a herdeira legítima de seu pai e, após a morte de seu segundo irmão, Pedro Afonso, em 9 de janeiro de 1850, tornou-se Princesa Imperial do Brasil.

Desde o início dos anos 1860 a principal preocupação do imperador era encontrar maridos adequados para suas filhas. Seguindo o conselho de sua irmã, a princesa consorte do Uruguai, D. Francisca, o imperador finalmente escolheu dois netos do rei Luís Filipe I de França, Gastão de Orléans, Conde d'Eu e o príncipe Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, Duque de Saxe.

Os dois pretendentes chegaram juntos ao Rio de Janeiro em 2 de setembro de 1864, e as duas princesas foram livres para escolher seus maridos. Gastão foi imediatamente promovido a marechal do Exército Imperial Brasileiro e Luís Augusto a almirante da Armada Imperial Brasileira. Gastão se casaria com a princesa Leopoldina de Bragança e Augusto com a herdeira do trono, D. Isabel. Sendo um príncipe alemão por nascimento, D. Luís Augusto teve de renunciar aos seus direitos e títulos alemães, antes mesmo de contrair o matrimônio com sua prometida, o que gerou a primeira crise institucional entre as duas dinastias, pois ao passo que o imperador desejava resguardar a independência e a indivisibilidade do futuro reinado de sua herdeira contra uma possível influência do marido alemão, o pai do então Duque de Saxe, o príncipe Augusto, desejava anexar o poderoso império brasileiro a influência da coroa ernestina dos Saxe-Coburgo-Gota, através da transmissão desses direitos dinásticos nativos de seu filho aos seus herdeiros, tornando os futuros imperadores do Brasil tanto príncipes da família Saxe-Coburgo quanto Bragança. Mesmo orientado pelo pai, D. Luís Augusto optou por renunciar totalmente aos seus direitos e títulos estrangeiros, preservando apenas o direito de transmitir seu nome aos seus herdeiros no modo da união titular Saxe-Coburgo-Bragança. Tendo se desfeito de seus direitos alemães, D. Luís foi proibido de receber qualquer quantia relativa a sua herança de família, sendo-lhe porém resguardado o direito de liquidação e arrendamento de suas propriedades particulares em Saxe e na Áustria-Húngria, que lhe permitiu dispor de uma considerável fortuna a data de seu casamento.

O casamento de D. Isabel com Luís Augusto foi finalmente celebrado em 15 de outubro de 1864, e assim nasceu o ramo brasileiro da Casa de Saxe-Coburgo-Gota, que passou a ser chamado Casa de Saxe-Coburgo-Bragança. Mesmo após a realização do matrimônio, a continuidade da dinastia era ameaçada com a demora da Princesa Imperial em gerar um herdeiro ao trono brasileiro. Temendo pela impossibilidade da futura imperatriz de gerar filhos, dois dos primeiros herdeiros de D. Leopoldina, D. Pedro Gastão e Luís Filipe, foram inseridos na linha de sucessão brasileira, tendo-se o cuidado de serem dados à luz em solo nacional.

A continuidade da nova dinastia foi apenas assegurada pelo nascimento em 1875 de um filho, Pedro de Alcântara de Saxe-Coburgo-Bragança, o primeiro filho do casal, preterindo os filhos de D. Leopoldina na ordem sucessória.

A questão sucessória[editar | editar código-fonte]

Em 1902, após dois anos de namoro e noivado, D. Pedro de Alcântara, Príncipe Imperial do Brasil, decidiu se casar com a condessa tcheca Elisabeth Dobrzensky de Dobrzenicz, cuja família pertencia à nobreza do reino da Boêmia desde 1339 e cujos membros legítimos, homem e mulher, tinham o título de barão desde 1744 e de conde ou condessa desde a emissão da patente de cartas austríacas. A condessa, no entanto, não pertencia a uma dinastia reinante ou antes reinante, como as tradições dos Bragança esperavam das noivas. Além disso, a constituição do império brasileiro exigia que os dinastas se casassem com nobres de mesma estatura, sujeitando ainda o casamento do herdeiro do trono, mesmo que acima da idade mínima garantida em lei, ao consentimento do soberano. Como o Príncipe Imperial desejava se casar com a bênção de sua mãe, ele renunciou aos seus direitos ao trono do Brasil em 30 de outubro de 1902 na presença do Conselho de Estado, reunido extraordinariamente no Palácio do Ipiranga, em São Paulo. O instrumento de renúncia foi emitido em três vias, todas assinados por D. Pedro de Alcântara diante de D. Isabel, a qual enviou uma das vias ao Parlamento, aos 31 de outubro de 1903, da qual constava:

"Eu, o Príncipe Imperial D. Pedro de Alcântara Luís Filipe Maria Miguel Gabriel Rafael Gonzaga de Saxe-Coburgo-Bragança, tendo refletido com maturidade, resolvi renunciar ao direito que, pela Constituição do Império do Brasil, promulgado em 25 de março de 1824, me concede a Coroa dessa nação. Declaro, portanto, que, por minha livre e espontânea vontade, renunciarei, em meu próprio nome, assim como a todos e quaisquer de meus descendentes, a todos e quaisquer direitos que a referida Constituição nos confere à Coroa e Trono do Brasil , que passará para as linhas que seguem a minha, em conformidade com a ordem de sucessão estabelecida no artigo 117. Antes de Deus, prometo, para mim e meus descendentes, manter a presente declaração.

São Paulo, 30 de outubro de 1903, assinado: D. Pedro de Alcântara de Saxe-Coburgo-Bragança"

Com a renúncia de D. Pedro, seu irmão D. Augusto, tornou-se o Príncipe Imperial e herdeiro aparente do trono do Brasil. D. Augusto cresceu distante da possibilidade de ascender ao trono, até a data de seu casamento com a grã-duquesa D. Alexandra da Rússia, e o nascimento de seu primeiro herdeiro ainda aos 24 anos, visto que seu irmão quatro anos mais velho não havia sequer contraído um matrimônio, ascendendo no futuro um possível reinado de D. Augusto ou de seus herdeiros.

D. Isabel apesar de ter abençoado a união do filho, negou o reconhecimento da nora como membra da Família Imperial, e assim sendo proibindo o uso do tratamento formal de Sua Alteza pelos seus futuros filhos. Ainda assim, como um príncipe de nascimento, D. Pedro de Alcântara não teve sua condição real suprimida, continuando a receber o tratado de Sua Alteza, mesmo que a imperatriz não tenha lhe concedido um título de nobreza durante seus 30 anos de reinado, sendo feito duque do Maranhão apenas em 1930, pelo irmão D. Augusto I.

Os Saxe-Coburgo e Bragança[editar | editar código-fonte]

D. Augusto I e, por sua vez, seu filho D. Pedro III, tinham estreita relação com a família ducal alemã Saxe-Coburgo-Gota, em virtude de sua descendência de D. Luís Augusto de Saxe-Coburgo-Gota, marido da imperatriz D. Isabel I.

O sentimento antialemão entre os brasileiros atingiu um pico em novembro de 1939, quando o navio brasileiro Rio Branco, foi afundado por um submarino alemão. Tal fato foi usado pela Inglaterra para despertar o sentimento antigermânico no Brasil. O governo brasileiro pediu satisfações à delegação alemã, sem obter as explicações exigidas. O pontapé inicial do processo de rompimento entre as duas nações se deu com a decisão do imperador de abandonar seu nome alemão, bem como já havia feito a família real britânica vinte anos antes. Assim, em 17 de fevereiro de 1940, uma proclamação emitida pelo imperador declarou:

"Agora, portanto, nós, de nossa imperial autoridade, declaro a anunciar que, a partir da data desta nossa Proclamação, nossa casa e família devem ser novamente denominadas e conhecidas como a casa e família de Bragança, e que todo o descendentes de linha masculina de nossa mãe, a imperatriz Isabel II, com exceção dos descendentes do sexo feminino que podem se casar ou que podem ter casado, devem constar o nome de Bragança"

Em agosto daquele ano, o governo brasileiro rompeu definitivamente as relações diplomáticas com a Alemanha, declarando guerra contra os países do Eixo

Títulos[editar | editar código-fonte]


Chefes da Casa Imperial[editar | editar código-fonte]


Membros[editar | editar código-fonte]


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