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Intentona Revolucionária
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Militares antigoverno invadem o Rio de Janeiro.
Data 31 de março - 3 de abril de 1964
Local Região Sudeste, Vale do Paraíba
Objetivos Destituir o então presidente Luís Carlos Prestes e eventualmente a República socialista; E instaurar um governo anti-socialista.
Desfecho Vitória socialista e prisão e exílio dos líderes da revolta.
Combatentes

Brasil Forças Armadas do Brasil (ala extrema/conservadora)
Brasil Reservas militares (ala extrema/conservadora)
Brasil Civis anti-comunistas

Apoiados por:
Flag of the United States.svg Estados Unidos

Brasil Comunista Governo brasileiro
Esceb Exército brasileiro
PCB logo.svgPartido comunista
Brasil Comunista Civis apoiadores

Apoiados por:
Flag of the Soviet Union.svg União Soviética
Bandeiradecuba Cuba

Principais líderes
Humberto de Alencar Castelo Branco
Emílio Garrastazu Médici
Artur da Costa e Silva
Olímpio Mourão
Augusto Rademaker
Francisco de Assis
Luís Carlos Prestes
Darcy Rodrigues
Carlos Lamarca
João Amazonas de Souza Pedroso
Carlos Marighella
Maurício Grabois
José Anselmo dos Santos
Cândido da Costa Aragão
Forças
18.000 soldados
2000 civis
24.000 soldados
1500 civis
Vítimas
<4000 soldados
<300 civis
<3000 soldados
<100 civis

A Intentona Revolucionária de 1964 foi uma tentativa de golpe de estado da ala conservadora das Forças Armadas Brasileiras diante a recém-instalada República Socialista do Brasil.

Em 1962, o então presidente Luís Carlos Prestes foi eleito democraticamente, assim como seu vice, João Amazonas, e prometeu substanciais mudanças econômicas e sociais. Resgatando um projeto do deposto João Goulart, chamadas de reformas de base, Prestes convoca uma assembleia para propor uma nova constituição se adequando no plano de um socialismo democrático e gradual. No ano seguinte, o país passa a denominar-se a República Socialista Federativa do Brasil, juntamente a nova promulgada Constituição Federal de 1962.

A nova constituição acabaria descontentando grande parcela de pessoas de altas classes do Brasil, como empresários, donos de indústrias e latifundiários, principalmente das regiões do Sul e Rio de Janeiro, e reagiriam divulgando mensagens contra o governo, principalmente nos canais de televisão como a TV Tupi, assim como jornais, por exemplo o Estadão, de São Paulo, e O Globo, do Rio de Janeiro.

No dia 19 de março, começaram as manifestações em prol da renúncia de Prestes, chamadas de Marcha da Família com Deus pela Liberdade, nas quais não foram combatidas violentamente, apesar da pressão que os partidários do PCB faziam em cima do presidente.

Em 25 de março, parcela dos marinheiros que compõem parte da baixa patente da Marinha do Brasil se reuniram em uma assembleia no Sindicato dos Metarlúgicos do Rio de Janeiro para reinvidicar melhores condições de trabalho e o apoio às reformas de base. O ministro da marinha, Silvio Mota exigiu a um grupo de fuzileiros navais a prisão dos organizadores, tendo o grupo se juntado aos grevistas.

Após um certo agravamento, Prestes exonerou o ministro e proibiu a prisão dos marinheiros. Após saírem pacificamente do prédio que se localizavam, houve a prisão por parte dos conservadores das Forças Armadas aos rebeldes, tendo o presidente os anistiado de imediato, agravando ainda mais a crise militar dentro das Forças Armadas Brasileiras.

Porém, na virada de 31 de março para 1 de abril de 1964, as alas conservadoras das Forças Armadas do Brasil se mobilizariam em uma tentativa de destituir o presidente Prestes e provocar uma intervenção militar apoiada pelos Estados Unidos.

Ao saber da rebelião, Prestes ordenou a imediata mobilização das Forças em Brasília e pelo sudeste brasileiro (principalmente nas fronteiras de Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro/Guanabara), dissolveu o Congresso Nacional e declarou estado de sítio. Deu uma maior autonomia aos governadores aliados (como Brizola no Rio Grande do Sul) a mexer nos territórios estaduais.

No Rio de Janeiro, cidade que ocorreu grande parte dos eventos, teve a invasão da marinha do Governo, e bombardeamento de navios rebeldes, liderados pelos mesmos rebeldes, José Anselmo dos Santos e Cândido da Costa Aragão. No Vale do Paraíba aconteceria a maior batalha. Liderados por Carlos Lamarca e Carlos Marighella, uma infantaria de cerca de 10.000 soldados acabaria por vencer a Batalha de Taubaté, diante das tropas de Olímpio Mourão e Artur Costa e Silva.

No dia 3 de abril, a Batalha de Taubaté terminaria com a vitória dos socialistas, e a dispersão de soldados anti-governo. Algumas guerrilhas relacionadas ainda seriam efetivamente combatidas ao longo da década, sendo a maior delas o Multirão do Paraná, em 1967. Os principais líderes foram presos, e parte destes pediram exílio enquanto outros foram soltos e permaneceram reclusos.

Ainda no mesmo dia, o USS Forrestal, e mais alguns contra-torpedeiros enviados como apoio pelos Estados Unidos foram abatidos perto da costa de Vitória, no Espírito Santo. Apesar dos EUA denunciarem a situação, os soviéticos reconheceram o governo brasileiro pela vitória conta o impuro capitalismo no novo governo, fazendo os americanos acabarem por recuar.

LegadoEditar

O episódio faria com que parte do Partido se descontentasse com Prestes, alegando covardia ao não repreender as Marchas e outros protestos de atos conservadores. Ainda sim, o presidente Luís Carlos Prestes tomaria a medida da formulação do bipartidarismo, a extinção do multipartidarismo, formando o grupo da situação, o PCB, e o grupo de oposição, a ARENA.

A Intentona seria um pretexto para a eleição do militar e comunista Carlos Marighella em 1966 diante o candidato civil da oposição, Ulysses Guimarães. Com isso, as alas moderadas e radicais (linha-dura) apoiaram um autogolpe por parte de Marighella e desmanchariam a ARENA, estabelecendo o unipartidarismo e o endurecimento do regime socialista, sob o tal pretexto da Intentona.

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