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D. Pedro I & IV, fundador do Império do Brasil.

A Nobreza Brasileira compreende a família imperial, os detentores dos títulos nobiliárquicos agraciados pelos monarcas brasileiros e os detentores de títulos nobiliárquicos portugueses que residiam no Brasil quando da independência e que tiveram a intenção de continuar a residir em território brasileiro após a independência.

Formada a partir de tradições portuguesas do Antigo Regime combinadas a novidades introduzidas por influência do liberalismo e da ética burguesa, das quais as mais importantes foram a abolição dos privilégios jurídicos e fiscais e da transmissão hereditária e a primazia do mérito pessoal na concessão de títulos e mercês.

Contudo, essas mudanças afetaram apenas o corpo da nobreza titulada. É uma crença comum que a nobreza brasileira é composta apenas de nobres titulados não-hereditários, mas essa visão não é exata e leva em conta apenas o aspecto jurídico da questão, ignorando uma realidade social muito mais dinâmica e multifacetada, onde existiram nobres não titulados e outros cuja nobreza é hereditária e está fundamentada na tradição e no reconhecimento social, reproduzindo no Brasil costumes muito antigos de reconhecimento extra-jurídico que já existiam na cultura portuguesa.

Alguns nobres brasileiros do século XIX, descendiam da fidalguia ou nobreza, especialmente da baixa e média nobreza; outros não descendiam de nobres ou fidalgos, mas descendiam de líderes políticos, de pessoas influentes ou com cargos importantes, e da aristocracia de alguma província, donas de grandes proprietários rurais, cuja família tinha tradição em determinada cidade ou região; ou mesmo de famílias tradicionais que têm alguns membros que tiveram importância e projeção nacional. Esses nobres detentores de títulos nobiliárquicos outorgados pelos monarcas brasileiros e portugueses, são nomeados Nobres Titulados.

AntecedentesEditar

Bernardo José da Gama, visconde com grandeza de Goiana

O barão de Goiana.

Com a transferência da corte portuguesa para o Brasil (1808-1821), no contexto das Guerras Napoleônicas (1803-1815), o Brasil seria elevado à condição de reino unido com Portugal em 1815, pelo então príncipe regente, D. João (futuro rei D. João VI), que era regente em nome de sua mãe, a rainha Dona Maria I. Pela primeira e única vez na história uma colônia passava a sediar uma corte europeia. O local escolhido para ser a nova sede da corte portuguesa, e portanto, da pluricontinental monarquia portuguesa, foi a capital do então Estado do Brasil (1549-1815), a cidade do Rio de Janeiro.
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O barão de Santo Amaro.

D. João distribuiu vários títulos nobiliárquicos, tendo, até 1821 (data em que retorna a Lisboa), agraciado 6 duques, 38 marqueses, 64 condes, 91 viscondes e 31 barões. Entre os brasileiros natos estavam a baronesa de São Salvador de Campos dos Goytacazes, o barão de Santo Amaro, o barão de São João Marcos e o barão de Goiana. Em seus primeiros oito anos no Brasil, Dom João VI outorgou mais títulos de nobreza do que em todos os 300 anos anteriores da história da monarquia portuguesa.

A nobilitação cumpria várias funções na sociedade monárquica: afirmava o caráter generoso e benevolente do rei, recompensava serviços prestados, apaziguava descontentes, fortalecia a hierarquia e cooptava para o círculo real personagens influentes estabelecendo laços de dependência e fidelidade em relação ao sistema e à pessoa do monarca, e que em tese deveriam servir como seus sustentáculos políticos e econômicos, além de fortalecer as finanças do Estado em virtude da obrigatoriedade do pagamento de vultosas taxas para o registro oficial dos títulos. Esses mecanismos foram continuados após a implantação do Império.

A maioria dos contemplados por D. João eram burgueses, mas muitos faziam parte da chamada "nobreza civil" ou "política" e da chamada "nobreza da terra", classes que se formaram no período colonial, de regulamentação jurídica inconsistente, variável conforme o lugar ou ausente, que não tinham títulos e eram reconhecidas como nobres principalmente de maneira tácita, pela tradição consuetudinária de origem portuguesa, distintas da fidalguia ou nobreza de linhagem, mas também à parte das classes populares porque eram isentas do "defeito mecânico", sendo formadas por doutores em medicina, direito (civil e canônico), teologia, filosofia e matemática, comerciantes de grosso trato, grandes proprietários de terras, magistrados e oficiais civis e militares. Outros eram professores, profissionais liberais, intelectuais. Praticamente todos eram cariocas. Esse corpo de novos titulados não tinha uma história de práticas cortesãs, mas sua aproximação ao círculo da nobreza portuguesa que se mudou para o Brasil com o rei permitiu que se difundissem os valores e a etiqueta aristocráticos entre a elite burguesa local, um processo que se fortaleceu através da circulação de diversos manuais de etiqueta e comportamento, muito populares durante todo o Império, e que se inspiravam no modelo francês de vida cortesã.

A nobreza titulada Editar

Após a proclamação da Independência por D. Pedro I, estabelecendo o Primeiro Reinado (1822-1831), como herança do Antigo Regime, ainda existiram morgados vinculados a uma linhagem, isenções, privilégios e rendas pagas à nobreza pelo Conselho da Fazenda. Isso mudaria com a Constituição do Império do Brasil de 1824, que introduziu várias mudanças no sistema nobiliárquico nacional. Os privilégios financeiros deixavam de ser automáticos e deviam ser aprovados pelo Legislativo, a nobreza passava a pagar impostos, perdeu o acesso automático ao Senado, os privilégios judiciais e as vagas que tinha reservadas para cargos públicos, burocráticos ou militares, e também a hereditariedade automática. Os novos nobres brasileiros gozavam do seu título enquanto vivessem mas não podiam transmití-lo à descendência sem uma nova outorga oficial, o que muitas vezes não acontecia.

A Constituição estabeleceu que cabia a Coroa a concessão de títulos de nobreza, mas nos dois anos anteriores o imperador já havia concedido títulos e privilégios. O primeiro titulado foi Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, nomeado conde da Torre de Garcia d'Ávila em 1º de dezembro de 1822, posteriormente feito marquês, seguido por Thomas Cochrane, feito marquês do Maranhão em 12 de outubro de 1823. Antes da outorga da Constituição o imperador também concedeu honras de grandeza para nove pessoas já tituladas por D. João VI: em 1822 o visconde de Mirandela, o visconde do Rio Seco, o barão de Itanhaém e o barão de São João Marcos, e em 1823 para a baronesa de São Salvador dos Campos, o barão de Laguna, o barão de Goiana, o barão de São Simão e o barão de Bagé.

Os titulados incluíam os duques, marqueses, condes, viscondes e barões, em ordem decrescente, com ou sem grandeza. Condes, marqueses e duques eram, inerentemente, Grandes do Império; enquanto os títulos de barão e visconde poderiam ser agraciados com grandeza ou sem grandeza. A distinção "com grandeza" autorizava o nobre a usar em seu brasão de armas a coroa do título imediatamente superior – por exemplo, um barão com grandeza poderia usar em seu brasão a coroa de visconde, e um visconde com grandeza poderia usar a coroa de conde em seu brasão. Também, um Grande do Império desfrutava de outros privilégios e precedências que o título imediatamente superior gozava. A grandeza foi conferida a 135 barões, que usavam a coroa de visconde em seus brasões, e a 146 viscondes, que usavam a coroa de conde em seus brasões.

D. Pedro I criou 47 barões, uma baronesa, 47 viscondes, duas viscondessas, sete condes, uma condessa, 25 marqueses, duas marquesas, um duque e uma duquesa, fez duas renovações para descendência, concedeu nove grandezas separadas para títulos portugueses e cinco grandezas separadas para títulos brasileiros, além de 48 grandezas incluídas no mesmo ato da outorga do título. Após a abdicação de D. Pedro I em 1831, com a instauração da regência (1831-1840), os deputados e senadores passaram a discutir as heranças do Antigo Regime, e votaram várias leis na década de 1830 que extinguiram os morgados e o Conselho da Fazenda. Dessa forma, aboliram-se os restantes privilégios da nobreza do Império do Brasil. Entre 1831 e 1840 não houve nomeação alguma a títulos e honrarias, por conta da lei Regencial, emenda constitucional aprovada durante a Regência Trina Provisória

O processo de escolha Editar

O conde de Porto Alegre

O conde de Porto Alegre.

Os títulos nobiliárquicos não eram hereditários e os candidatos não poderiam apresentar em sua árvore genealógica nenhum dos impedimentos: crime de lesa-majestade, ofício mecânico ou sangue infecto. Eram cuidadosamente escolhidos por um conjunto de atos prestados e ascendência familiar. Além disso, a maioria dos nobilitados tinham de pagar uma vultosa quantia pela honraria nobiliárquica, e o mesmo processo deveria ser feito caso seus filhos quisessem renovar o título. O agraciado tinha os seguintes custos, segundo a tabela de 2 de abril de 1860:
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A baronesa de São Salvador de Campos dos Goytacazes.

Titulo

Valor (1860)

Valor (1950)
Duque R$ 350.105,00 R$ 2.104.000,00
Marquês R$ 288.658,00 R$ 1.843.210,00
Conde R$ 225.067,50 R$ 1.286.103,00
Visconde R$ 148.472,86 R$ 978.413,00
Barão R$ 80.000,34 R$ 498.210,00

Durante o Segundo Reinado (1831-1891) uma lista dos possíveis agraciados era elaborada pelo Conselho de Estado, com sugestões de seus colegas, dos presidentes das províncias, de outros nobres, políticos, altos funcionários e demais pessoas influentes. As listas eram enviadas à aprovação do imperador, sendo apresentadas duas vezes ao ano: no aniversário do imperador, no aniversário da imperatriz ou aniversário do juramento da constituição do Império do Brasil de 1824. Atualmente o cerimonial permanece o mesmo da época de D. Pedro II. O alto custo é um dos motivos pelos quais os títulos geralmente restringem-se a uma pessoa, ou porque, no caso de haver mais de um nobre com o mesmo título, raramente eram da mesma família.

Os títulos da nobreza brasileira não se limitam aos brasileiros do sexo masculino: o almirante Thomas Cochrane, 10.º conde de Dundonald, o único caso em quase dois séculos de monarquia, foi um escocês feito marquês do Maranhão pelo seu papel na Guerra de Independência do Brasil (1822-1825), além de 59 mulheres agraciadas com títulos nobiliárquicos em seu próprio direito.

Registro de nobreza e fidalguia Editar

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Brasão do barão de Japaratuba, que emprega símbolos tradicionais europeus junto com as imagens da cana e do índio.

Os registros são ainda feitos nos livros do Cartório de Nobreza e Fidalguia, órgão encarregado de documentar e verificar genealogias e outras provas necessárias para a concessão de títulos. O rei de armas do Cartório também é o responsável pela documentação dos brasões e expedição dos respectivos diplomas, mas nem sempre foi ele quem definia seu desenho, abrindo-se para os contemplados a possibilidade de escolherem suas formas, o que deu margem para divergências em relação à tradição heráldica mais rigorosa, especialmente no que diz respeito à organização dos elementos no escudo e ao uso das cores e de ornamentos externos. O uso de brasões é controlado, e durante os primeiros reinados a usurpação era punível com a prisão.

A heráldica brasileira deu continuidade às tradições da heráldica luso-europeia, mas distinguiu-se pela introdução de uma simbologia nova que fazia referência a elementos típicos da terra, como o ramo de café, a cana-de-açúcar, a palmeira, o índio, ferramentas de trabalho agrícola, animais nativos como a onça e o sabiá, a constelação do Cruzeiro do Sul, além de imagens referentes aos avanços tecnológicos e científicos, às profissões liberais e ao progresso. Essas novidades acompanhavam a ideologia nacionalista desenvolvida especialmente duarante o Segundo Reinado, que procurou definir uma nova imagem para o país e caracterizá-lo como nação civilizada, próspera e progressista.

Em 1878 o prédio principal do Cartório pegou fogo, fazendo desaparecer grande parte dos documentos, que à altura era de responsabilidade de Possidônio da Fonseca Costa, fato que dificulta muito o estudo dos títulos nobiliárquicos concedidos durante o Primeiro Reinado. Após o fato, seu sucessor Luis Aleixo Boulanger, transferiu o Cartório para sua sede atual, em Petrópolis, e buscou reaver parte dessa documentação, produzindo um único livro com parte da primeira geração da nobreza brasileira, o qual, junto com os registros compilados pelo visconde de Sanches de Baena, foi a base para a publicação do Arquivo Nobiliárquico Brasileiro, organizado pelos barões de Vasconcelos. Desde 1983, seu atual rei de armas é Antônio Luigi Castranova, o barão do Xingu.

Nobreza não titulada Editar

Durante o Primeiro e Segundo Reinados, a nobreza não titulada era uma classe heterogênea designada oficialmente através de decretos, cartas e foros, e comportava diversas subdivisões. A primeira delas era composta pelos recipientes de ordens honoríficas, os chamados Nobres Ordenados. Ao todo existem seis delas: a Nobilíssima Ordem Imperial dos Cavaleiros da Rosa, a Ilustríssima Ordem Imperial de Cristo, a Ordem Imperial da Liberdade, a Imperial Ordem do Cruzeiro, a Imperial Ordem de Pedro Primeiro e a Ordem Nacional do Mérito Acadêmico. Durante o Segundo Reinado, conforme o desejo do imperador, eram agraciados com tais honrarias, normalmente distintas personalidades que prestassem grandes serviços ao Império e ao próprio imperador, baseado na meritocracia tão defendida pelo pai D. Pedro I. Com o tempo o prestígio dessas ordens foram crescendo devido a exclusividade de seus membros e cavaleiros em relação ao imperador, e a classe de titulados assistia a ascensão de uma nova elite social, a dos membros de ordens cavalheirescas, companheiros de armas do imperador, e dotados de grande deveres cerimoniais. Com a ascensão de D. Isabel ao trono, as prestigiadas ordens vieram mais carregadas de interesses políticos do que simbólicos e cerimoniais.

O segundo grupo era formado pelos que exerciam os chamados cargos ou funções nobilitantes: os oficiais da Corte e Casa Imperial, escolhidos entre pessoas de prestígio, desempenhavam funções de aparato e de etiqueta e acompanhavam de perto a Família Imperial. Esses cargos, eram revestidos de um caráter de nobreza e "eram considerados como mercês honoríficas ao lado dos títulos, condecorações das ordens existentes e graduações militares", compreendendo todos os oficiais-mores da Casa Imperial (mordomo-mor, estribeiro-mor, camareiro-mor, capelão-mor e vice-capelão-mor, esmoler-mor, armeiro-mor, reposteiro-mor), os gentis-homens da Imperial Câmara, veadores, damas do Paço, açafatas, moços da Câmara do Imperial Guarda Roupa, capitão da Imperial Guarda de Arqueiros. Com o tempo, o modo de ingresso para os serviços da Casa Imperial foi sendo paulatinamente alterado, para que os servidores da família imperial não fossem empregados por ascendência familiar mas por méritos, e atualmente, sempre que vagam cargos relacionados a família imperial, são realizados concursos públicos para a ocupação das vagas.

Também exerciam cargos nobilitantes os magistrados, como "simulacros e representantes do monarca", e ainda hoje os membros do Conselho de Estado. Segundo Oliveira Torres, "o Conselho assume o aspecto de aristocracia administrativa. Órgão último do Estado, ponto de convergência de todos os poderes, instituição que fazia com que o imperador deixasse de ser o monarca individual para ser a pessoa jurídica da 'Coroa', o Conselho era uma espécie de cérebro do Império. E a seus membros, por dever de ofício, competia discutir circunstancialmente as inúmeras questões que subiam à decisão imperial, desde as de rotina administrativa até às de maior transcendência política".

Ainda faziam parte da nobreza não titulada os contemplados com foro de fidalgo, de escudeiro fidalgo a cavaleiro fidalgo, e todos os que recebiam tratamento de Senhoria, como até hoje os Cavaleiros da Guarda de Honra, popularmente chamados Dragões da Independência. Os oficiais são de inclusão menos clara na esfera da nobreza, mas também veiculavam prestígio pela sua vinculação à Casa Imperial ou à Corte, incluindo todos os oficiais-menores e os cargos de sumilher da cortina, guarda-roupas, servidor da toalha, escrivão, tesoureiro, almoxarife da casa das obras e paços imperiais, médicos e cirurgiões da Imperial Câmara, pintor da Imperial Câmara, mestre de música da Imperial Câmara e outros.

A Corte Editar

Com a transferência da Corte Portuguesa para o Brasil em 1808, a administração do governo e do império ultramarino português passou a ser exercido diretamente da colônia, a chamada "inversão metropolitana", possibilitando pela primeira e única vez na história uma colônia sediar uma corte europeia. Para tanto, era necessária a criação de toda a estrutura burocrática para a administração do reino, com bancos, tribunais, secretarias e os ministérios, além de outras instituições necessárias para a governança.

Os membros da família real foram alojados em três prédios no centro da cidade, entre eles o paço do vice-rei Marcos de Noronha e Brito, conde dos Arcos, e o convento das Carmelitas. Os demais agregados espalharam-se pela cidade, em residências confiscadas à população assinaladas com as iniciais "P.R." ("Príncipe-Regente"), o que deu origem ao trocadilho "Ponha-se na Rua", ou "Prédio Roubado" como os mais irônicos diziam à época.

Porém, foi durante os primeiros anos do Reino Unido que D. João VI dedicou-se inteiramente a transformação do Rio de Janeiro, de uma cidade com forte aspecto colonial em sua arquitetura e costumes, numa corte digna do Império Português. Além da readequação da cidade nos padrões europeus, a vida social da corte também sofreria grande impulso com a abertura dos portos, ainda em 1808. As relações comerciais com as nações da Europa inseriram na recem-formada corte tupiniquim um senso de civilização necessária para a ascensão social junto a tradicional elite lusitana. Importavam-se além de manufaturas britânicas e artigos de luxo da França, os costumes e tradições herdadas do Antigo Regime. As Missões Artística Francesa e Científica Austríaca, foram diretamente responsáveis por disseminar esse tal sendo de desenvolvimento e civilidade, tão característico das cortes europeias.

A Construção da Corte Editar

Com a Independência do Brasil e a formação do novo governo, a sede da administração imperial permaneceu no Rio de Janeiro, onde já se concentrava toda a estrutura burocrática formada ainda no governo Joanino. Mesmo após as grandes reformas realizadas no Rio de Janeiro por D. João e D. Pedro I, a capital imperial permanecia uma cidade desordenada e tumultuda, fervendo em questões políticas e sociais, além do clima pouco agradável no verão, já no Primeiro Reinado. Em 1822, o imperador d. Pedro I, a caminho de Minas Gerais pelo Caminho do Ouro, hospedou-se na fazenda do padre Correia e ficou encantado com a beleza e o clima agradável da região. Visando a construção de um suntuoso palácio na região, D. Pedro adquiriu uma fazenda vizinha, a Fazenda do Córrego Seco, que passou a ser chamada Imperial Fazenda da Córrego Seco.


A crise política sucessória em Portugal e a insatisfação interna foram determinantes para o seu regresso à terra natal, onde ele viria a morrer sem voltar ao Brasil. A Fazenda do Córrego Seco foi deixada como herança pessoal para seu filho, Dom Pedro II, que nela construiria sua residência favorita de verão. A mando do imperador, foi construído um belo palácio em estilo neoclássico, iniciado em 1845 e concluído em 1862. Para dar início à construção, D. Pedro II assinou um decreto em 16 de março de 1843, criando Petrópolis. Uma grande leva de imigrantes europeus, principalmente alemães e italianos, sob o comando do engenheiro e superintendente da Fazenda Imperial, major Julius Friedrich Koeler, foi incumbida de levantar a cidade, construir o palácio e colonizar a região.


Construído com recursos oriundos da dotação pessoal do imperador, o prédio teve o projeto original elaborado pelo próprio Koeler e, após seu falecimento, foi modificado por Cristóforo Bonini, que acrescentou o pórtico de granito ao corpo central. Para concluir a obra, foram contratados importantes arquitetos ligados à Academia Imperial de Belas Artes: Joaquim Cândido Guillobel e José Maria Jacinto Rebelo, com a colaboração de Manuel de Araújo Porto Alegre na decoração. O piso do vestíbulo, em mármore de Carrara e mármore preto originário da Bélgica, foi colocado em 1854, destacando-se também os assoalhos e as esquadrias em madeiras de lei, como o jacarandá, o cedro, o pau-cetim, o pau-rosa e o vinhático, procedentes das diversas províncias do Império.


Foi sob a orientação pessoal do Imperador que os jardins que cercam o Palácio foram construídos pelo paisagista parisiense Jean-Baptiste Binot em 1854. Com cerca de 100 espécies de árvores e flores, de mais de 15 regiões do mundo (México, Japão, Argentina, Índia, Equador, China, Austrália, Madagascar, entre outras) e grama francesa, os jardins ainda mantêm os contornos da paisagem, ambos em relação aos canteiros e à disposição das espécies vegetais. O cinturão verde que circunda o Palácio apresenta árvores exóticas, como as bananeiras e incensos de Madagascar, flores como camélias, jasmim, manacás e flores imperador. Como complemento, pedestais de granito onde foram colocados bustos de figuras mitológicas, ganharam também três fontes e quatro fontes. Entre eles, o Chafariz da Rã, de onde os moradores tiravam água, por acreditarem ser de melhor qualidade. O primeiro projeto apresentado foi de Glaziou, este paisagista oficial do Imperador, que desenhou os jardins da Quinta da Boa Vista e vários outros parques, mas foi recusado. Os jardins foram projetados por Binot, também francês. Ainda se pode ver o traçado primitivo dos jardins, desde pândalos da África, palmeiras da Austrália, incensos, entre outros. Os jardins foram se modificando e diminuindo ao longo do tempo, mas ainda podem ser vistos e apreciados.


Os estuques das salas de jantar, de música, de visitas da imperatriz, de Estado e do quarto de dormir de suas majestades contribuem para dar graça e beleza aos ambientes do Palácio, um dos mais importantes monumentos arquitetônicos do Brasil. Lançada a pedra fundamental, houve o nivelamento da área, que era conhecida como Morro da Santa Cruz, para se começar as obras, que foram todas financiadas pela mordomia da casa imperial, pois dizia D. Pedro II, que por a construção acontecer em sua propriedade particular, não se deviria utilizar de dinheiro do estado. Na planta de Petrópolis, feita por Koeler, acha-se indicado o local do palácio num quadrilátero entre a rua Dom Pedro e a rua Leopoldina. Via-se ainda outros edifícios no mesmo terreno, cuja identificação é impossível de ser feita. As obras tiveram inicio na ala direita do palácio,vindo os alicerces vinham de uma pedreira próxima. Foi-se utilizados bois para Puxar terra, pedra e madeira. Foi-se continuando as obras da ala esquerda, que no início viu-se que era mais larga que a direita e mais tarde foi arrumada, foi ficando pronto o Sobrado, onde estão as entradas principais do palácio, além dos quartos. Todos os cômodos foram decorados e mobiliados com lindos estuques e móveis.

A Cidade Imperial Editar

A cidade serrana, tornou-se o refúgio de D. Pedro II nos verões, e tornava-se a capital do Império com a mudança de toda a corte para a cidade. Grande número de habitantes do Rio de Janeiro também se mudava durante o verão para Petrópolis, fugindo do calor da cidade e dos surtos de febre amarela. Dom Pedro II governou por 60 anos e, em pelo menos quarenta verões, permaneceu em Petrópolis, eventualmente por até cinco meses.


Logo, avizinharam-se ao imperador importantes familías cariocas, que construiram solares e palacetes suntuosos na região central da cidade, na época destinado aos nobres, destacando-se a Mansão de Mauá, o Palacete Koeler, a Casa Amarela e o Solar Rio Branco, enquanto que nas áreas próximos ao Palácio de Verão, foram construídos pequenos chalés e casas rústicas de madeira em estilo colonial europeu, erguidas pelas famílias que trabalharam na construção de Petropólis. A "Versalles Brasileira", como era conhecida a cidade, tornou-se o centro da elite politíca, econômica e intelectual do Império, onde os imperadores organizaram uma Corte paralela ao Rio de Janeiro ao seu gosto, reunindo as mentes mais brilhantes e prestigiadas do Império para compor a vida social dessa joia do urbanismo brasileiro.


Na ânsia de criar um modelo de vida social para a cidade, a exemplo da própria Versalles, a imperatriz D. Cristina ditava as regras do convívio social e cultural da corte. Em comemorações de datas especiais, como os aniversários dos imperadores e das princesas, eram realizados grandes bailes destinados a nobreza e a aristocracia, enquanto que em datas relacionadas a igreja, como a Páscoa e o Natal, o Palácio era aberto aos súditos em geral onde eram oferecidas ceias e jantares, reunindo pela primeira vez a burguesia, a nobreza, e principalmente o povo, nas dependências imperiais. D. Cristina foi tão responsável quanto o marido pela cadência da vida cultural da cidade, patrocinando exposições de arte, feiras literárias públicas, e bailes beneficentes. Com o dinheiro de sua herança, d. Cristina patrocinou a construção do Petit Chetau, uma pequena casa particular da imperatriz localizada na zona rural, onde ela passava grande parte do verão com os netos cuidando da terra e oferecendo chá as damas-de-honra. A casa foi a pedra fundamental do primeiro colégio de moças do Brasil, criado por D. Isabel II em 1895, o Colégio de Santa Catarina.

O imperador e sua família imediata vivem nos palácios e em outras residências oficiais da familia, que ficam localizadas entre as cidades do Rio de Janeiro e Petropólis, além de outras propriedades espalhadas pelo Brasil. Alguns dos homens e das famílias mais prestigiadas do império, bem como a aristocracia fluminense, também se dividem entre essas cidades, mantendo residências na Corte e em Petropólis, a joia da coroa.

Títulos imperiais Editar

Título Data de Criação Titulares Topônimo Associado Brasão
Imperador  do Brasil 10 de dezembro de 1822

D. João do Brasil(de jure)

D. Pedro I do Brasil

D. Pedro II do Brasil

D. Isabel I do Brasil

D. Augusto I do Brasil

D. Luís do Brasil

D. Helena I do Brasil

D. Isabel II do Brasil

D. Augusto II do Brasil

D. Marco do Brasil

Brasil

Brasão do Imperador - Cópia

Imperatriz Consorte do Brasil

10 de dezembro de 1822

D. Carlota Joaquina de Bourbon(de jure)

D. Maria Leopoldina de Habsburgo

D. Amélia de Witellsbach

D. Christina de Hohenzollern

D. Theodora Romanov

D. Anne de Windsor

D. Carlota Buarque Siqueira

D. Anne de Windsor

Brasil
Brasão do Imperador - Cópia
Príncipe Consorte 31 de abril de 1831 Todos os monarcas brasileiros (exceto D.João) Brasil
Brasão da Casa de Bragança Real
Príncipe Imperial do Brasil 25 de março de 1824

S.A.I.R D. Maria da Glória

S.A.I D. Pedro de Alcântara

S.A.S D. Afonso Henrique

S.A.S. D. Afonso Pedro

S.A.S D. Isabel Leopoldina

S.A.S D. Augusto de Alcântara

S.A.S D. Luís Carlos de Alcântara

S.A.S D. Helena Mariana de Alcântara

S.A.S D. Isabel Cristina de Alcântara

S.A.S D. João Eudes de Alcântara Brasileiro

S.A.S D. Augusto Raoni Serafim de Alcântara

S.A.S D. Marco César Serafim de Alcântara

S.A.S D. Luís Augusto de Alcântara

Brasil
Brasão da Casa de Bragança Real
Príncipe do Grão-Para Grão-Pará (Brasil)
Príncipe do Brasil 25 de março de 1818

Família Imperial Brasileira

Brasil

Brasão da Casa de Bragança Real

DucadosEditar

Titulo Data de criação Titulares Topônimo associado Brasão

Lista de Titulados AtuaisEditar

DuquesEditar

MarquesesEditar

  • Marquês de São Rocha- São Rocha (Goiás)
  • Marquês de Cari- Cari (Amazonas)
  • Marquês da Carioca- Rio de Janeiro
  • Marquês da Candelária- Rio de Janeiro
  • Marquês de São Sebastião do Rio de Janeiro- Rio de Janeiro
  • Marquês de Infante- Infante (Minas Gerais)
  • Marquês de Alvarães- Alvarães (Amazonas)

Condes Editar

  • Conde de Vitória- Vitória (Espírito Santo)
  • Conde de Aracajú- Aracajú (Sergipe)
  • Conde de Ávila-Torres (antroponímico)
  • Conde de Salinas- Salinas (Piauí)
  • Conde de Salvador- Salvador (Bahia)
  • Condessa de São Borja- São Borja (Rio Grande do Sul)
  • Condessa de João Martinho (antroponímico)
  • Conde de Santarém- Santarém (Pará)
  • Conde de Santa Helena- Santa Helena (Paraná)

ViscondesEditar

  • Visconde de Laguna - Laguna (Santa Catarina)
  • Viscondessa da Barra - Barra da Tijuca (Rio de Janeiro)
  • Visconde do Amazonas- Amazonas
  • Visconde do Rio Preto- São José do Rio Preto (São Paulo)
  • Visconde de Passaraí- Passaraí (Paraíba)
  • Visconde de Pontal- Pontal (Minas Gerais)
  • Visconde de Palmas- Palmas (Tocantins)
  • Visconde de Morumbi- Bairro do Morumbi (São Paulo)
  • Visconde de Cáscara- Cáscara (Alagoas)
  • Visconde de Silves- Silves (Amazonas)
  • Viscondessa de Itapuã- Bahia
  • Visconde de Baroa- Baroa (Minas Gerais)

BarõesEditar

  • Barão de Nilópolis- Nilópolis (Rio de Janeiro)
  • Barão de São Carlos- São Carlos (São Paulo)
  • Barão de Santo André- Santo André (São Paulo)
  • Barão de Diamantes- Diamantina (Minas Gerais)
  • Barão de Maurícia- Cidade Maurícia (Pernambuco)
  • Barão de Nazaré- Pará
  • Barão de Niterói- Niterói (Rio de Janeiro)
  • Barão de Aimorés- Aimorés (Bahia)
  • Barão de Andaraí- Morro do Andaraí (Rio de Janeiro)
  • Barão de Vera Cruz- Vera Cruz (Rio de Janeiro)
  • Barão de São Cristóvão- Bairro de São Cristóvão (Rio de Janeiro)
  • Barão de Vila Vintém- Bairro de Vila Vintém (Rio de Janeiro)
  • Barão de Itaquera- Bairro de Itaquera (São Paulo)

Formas de TratamentoEditar

  • Sua Graça, o Duque
  • Sua Reverendissíma Graça, o Arcebispo de São Sebastião (exclusivamente destinado ao Arcebispo do Rio de Janeiro)
  • Sua Alta Senhoria, o Marquês/ o Conde
  • Sua Senhoria, o Visconde/ o Barão
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